quinta-feira, 8 de março de 2012
segunda-feira, 5 de março de 2012
A Cortina de Ferro
Sir Winston Churchill recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 195 pela suas memórias de guerra e pelo seu trabalho literário e jornalistico, antes de ocupar o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido.
Em 1963, aos 89 anos foi homenageado com o título de cidadão honorário dos Estados Unidos, pelo então presidente John Kennedy.
Morreu em Hide Park Gate, em Londres a 24 de janeiro de 1965.
quinta-feira, 1 de março de 2012
Ressonâncias e Reverberações
"Nenhuma lei deve ser obedecida se for injusta, nenhuma regra deve ser obedecida se desprezar a virtude, nenhum regime político deve ser obedecido se for tirânico e assassino".
Sócrates Além do volte face nas declarações, das contradições das testemunhas e da negação pura e simples, publicamente, do que anteriormente fora dito e que não é tomado em linha de conta, porque, segundo a lei, não existe matéria de fato suficientemente relevante que leve à revisão do processo, o que já de si é limitador do exercício do direito de defesa dos arguidos; assim, como se tudo isto não bastasse, eis senão quando a magistratura portuguesa vem inovar e inaugurar um novo código ético e de valores, para a Justiça.
A sra. juíza que preside ao coletivo de juízes neste caso,
condena um indivíduo, não por fatos e provas reais, objetivas e cientificamente
comprovadas, mas porque pressentiu uma “ressonância da verdade”, nesses
testemunhos. É exatamente esta, a expressão usada no acórdão que dita a
sentença do arguido Carlos Cruz. O que já era complicado, mais tortuoso e
sombrio se tornou. Poderá a justiça tornar-se uma complicada teia e um enredo de
formulações de palpites, sensibilidades e pressentimentos? Se esta figura de
estilo e esta linguagem fizerem história, tornando-se frequentes no léxico
jurídico, ou se porventura se transformarem em jurisprudência, teremos vitimas,
defesa e ministério público a formularem os seus depoimentos, a partir dos
mesmos pressupostos.
Veremos um julgamento nestes termos:
- baseando-me na minha experiência de anos de pressentimentos…
- meritíssimo juiz, a testemunha acusa o meu constituinte
baseada numa suposição e numa mera intuição de que iria ser violada..
- a testemunha está no pleno uso das suas prerrogativas
legais e constitucionais, vejo uma ressonância da verdade no que diz a
testemunha, portanto condene-se o réu!
Numa era em que cada vez mais, nos países do primeiro mundo, a
justiça é baseada na ciência forense, em recolhas de ADN, em análises médicas e
perícias microscópicas de tecidos, fibras e fluidos, na prova inequívoca, em suma, em Portugal caminha-se em
sentido contrário, tornando as sensações e impressões, o eixo fulcral de um
julgamento e de uma sentença definitiva.
A partir de agora, derrubam-se os pilares essenciais de um
estado de direito e tudo o que vimos aprendendo sobre o respeito pelos valores
humanos e pelos direitos fundamentais de alguém suspeito de crime, cai por
terra, porque surge a nova figura jurídica da Ressonância e da Reverberação.
Teremos por aí também reverberações e fenómenos do
transcendental? Estará a nossa justiça a ser orientada por ecos, vislumbres, reflexos,
frequências, ondas eletromagnéticas ou sinais e fórmulas estranhas vindas do
espaço exterior? Ou será apenas uma manifestação da excentricidade, da
megalomania e do desregramento de uma juíza que não consegue conter dentro de
parâmetros concretos o seu absolutismo?
Estaremos de volta ao Big Brother, ou haverá quem queira
formar um novo Estado - a República Independente da Ressonância e da
Reverberação. Será assim?
J.L.F.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Justiça e Direitos
"... a Justiça continuou e continua a morrer
todos os dias. Agora mesmo, neste instante em que vos falo, longe ou aqui ao
lado, à porta da nossa casa, alguém a está matando. De cada vez que morre, é
como se afinal nunca tivesse existido para aqueles que nela tinham confiado,
para aqueles que dela esperavam o que da Justiça todos temos o direito de
esperar: justiça, simplesmente justiça. Não a que se envolve em túnicas de
teatro e nos confunde com flores de vã retórica judicialista, não a que permitiu
que lhe vendassem os olhos e viciassem os pesos da balança, não a da espada que
sempre corta mais para um lado que para o outro, mas uma justiça pedestre, uma
justiça companheira quotidiana dos homens, uma justiça para quem o justo seria o
mais exato e rigoroso sinônimo do ético, uma justiça que chegasse a ser tão
indispensável à felicidade do espírito como indispensável à vida é o alimento do
corpo..."
José Saramago
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Martin Scorsese, o grande derrotado
Martin Scorsese é um dos maiores cineastas do nosso tempo. Dotado de rara mestria como realizador, é um cinéfilo apaixonado, que conhece a história do cinema como
poucos e dirige ainda uma institução que tem como tarefa crucial preservar filmes.Alternando ficção e documentário, realizou filmes excecionais em quase 50 anos de carreira, já tendo alguns projetos anunciados, como diretor e produtor executivo, para depois de "A invenção de Hugo Cabret," (de orçamento acima de 150 milhões de dólares, e com o resultado comercial fica aquém do esperado).
Ontem à noite, na cerimônia de entrega dos Oscares, das 11 nomeações, Hugo ganhou 5, o que não é nada mau, mas fica-nos a impressão de que Scorsese não é talhado para os Óscares. Nos momentos em que foram anunciados o melhor diretor e o melhor filme, Scorsese era o rosto da desilusão. O veterano cineasta manteve a compostura, mas ser preterido por Michel Hazanavicius e "O Artista", não pode deixar de ter magoado.
J.L.F.
Ernest Hemingway

Faz hoje 75 anos que Ernest Hemingway partiu de Nova York para escrever, como correspondente de guerra em Madrid, sobre a Guerra Civil de Espanha. A experiência inspirou uma de suas maiores obras, "Por Quem os Sinos Dobram". Hemingway fazia parte da comunidade de escritores expatriados em Paris, conhecida como "geração perdida", nome inventado e popularizado por Gertrude Stein. Levando uma vida turbulenta, Hemingway casou-se quatro vezes, além de vários relacionamentos românticos. Em 1952 publica "O Velho e o Mar", com o qual ganhou o prêmio Pulitzer (1953), considerada a sua obra-prima. Foi laureado com o Nobel da Literatura de 1954.
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| Guerra Civil de Espanha |
Óscares: o triunfo de "O Artista"
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Berlin Festival 2012: "RAFA" JOÃO SALAVIZA WINS GOLDEN BEAR (João Salavi...
A curta-metragem «Rafa», de João Salaviza, venceu o Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim.
«Rafa» conta a história de um rapaz de 13 anos que vive na Margem Sul e vai para Lisboa à procura da mãe, detida numa esquadra da polícia.
Em 2009, o realizador venceu a Palma de Ouro em Cannes, também com uma uma curta-metragem ("Arena").
O júri formado, pela actriz palestiniana Emily Jacir, pelo cineasta irlandês David Oreilly e pela actriz alemã Sandra Hueller, destacou a «impressionante representação» de Rodrigo Perdigão, «no papel de um jovem a caminho de se tornar adulto».
Arena (2009) - João Salaviza
Arena
Curta-metragem portuguesa escrita, realizada e editada por João Salaviza, Palma de Ouro (para curtas) em Cannes 2009.
Ficha IMDB.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Diário de Bordo
Querido Diário:
No princípio era o verbo e do verbo se fez expressão
Hoje é um dia diferente, o 1º dia das nossas vidas. Gosto deste dia. O
dia em que nascemos e em que de cada vez que acontece, renascem as esperanças
de que tudo se transformará com o alvorecer de uma nova manhã: “a new
beginning”. Aos cinquenta e sete anos ainda não fazemos balanços nem
inventários, queremos só que o tempo decorra lentamente, “in slow motion”. A
memória nem sempre é seletiva, é como uma enxurrada, uma avalanche, trás
consigo o bom e o mau, não escolhe os dias felizes e inesquecíveis, nem deixa
pra trás os momentos mais amargos e que queremos esquecer a todo o custo.
Amigo é aquele que partilha e que arrisca, que nos impressiona pela sua
constância, mesmo quando as vozes teimam em nos excluir. Eles, esses amigos,
são raros, são como pedras preciosas e surgem donde menos esperamos. Trazem
consigo gestos bondosos, que nos tocam profundamente. Rendemo-nos a eles e a
partir daí sabemos que ali está um amigo verdadeiro.
Amigo é a proteção constante, o escudo necessário, de que precisamos quando soam as trombetas da guerra.
Amigo sacrifica o seu sono, para velar o teu descanso, é a mão que
cuida de te ajeitar o caminho para a glória do êxito.
Amigo é aquele que se apaga para que só o teu brilho ofusque a cidade.
Amigo escreve no cantinho da agenda e conta os dias e as horas que
faltam para te encher a alma de calor, te enrubescer de felicidade e te rasgar
a boca com sorrisos de gratidão. É o prazer puro e simples de dar, de se rever
na tua alegria, é o ato fraterno e carinhoso de um beijo ou de um abraço
caloroso nesse dia, e nunca a obrigação burocrática de um dever oficioso. Entre
amigos não há orgulho, nem superioridade, não há plano inferior nem superior, porque
o verdadeiro amor é isento, é o elo da cadeia que os liga inexoravelmente. O
amor real, de que o Homem precisa, não está atrás de uma sacristia, nem nos
alfarrábios eloquentes de metafísicas obscuras. Não basta apregoar o amor, a
seguir deixarmo-nos dominar pela presunção e vivermos de mãos cerradas.
Amigo não espera o dia para te
ferir, mas antes se declara antecipadamente que está pronto para te acompanhar
no jogo da vida. Do amigo esperas bastante, nunca menos, e essa expetativa é
legítima porque é proporcional áquilo que és capaz e que tens para dar. Só
assim os amigos se complementam e se completam, fechando o círculo do sagrado e
encerrando o cofre dos tesouros incalculáveis.
Amigo não tem intermitências, é o pronto-socorro com sirene ligada.
Amigo é a urgência do ontem, a inevitabilidade do agora.
Amigo é a sede da água e a fome do pão.
J.L.F.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
World Press Photo
O fotógrafo espanhol Samuel Aranda venceu o 55º prémio World Press Photo com o retrato de uma mulher
amparando um familiar ferido no Iémen.
A imagem, publicada no New York Times,
foi captada no interior de uma mesquita transformada em hospital durante as
manifestações contra o regime de Ali Abdullah Saleh. Além da sua força e beleza
estética, é «um retrato simbólico da Primavera Árabe», de acordo com júri do
prémio.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Três Perfeitos Atores
Memória do passado: John Cassavetes, Peter Falk e Ben Gazzara; grandes atores de outros tempos. Quem se lembra deles? Cassavetes morreu há mais de vinte anos, o ano passado morreu Falk, há duas semanas morreu Gazzara. Lendários e inesquecíveis em Husbands. Husbands é uma ode à masculinidade boémia, cúmplice e festiva, às amizades «em
grupo», ao «male bonding» e o «boy’s night out», pela conversa
básica e pela diversão pura e poética. J.L.F.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Miles Davis - All Blues
"Não toques o que lá está. Toca o que lá não está." A frase é de Miles Davis, talvez ajude a perceber como era a genialidade e a perfeição de Miles Davis. Em All Blues, do album My Funny Valentine, Miles gravou estes temas ao vivo, no Lincoln Center, NYC, em 1964. Estavam com ele George Coleman (sax), Herbie Hancock (piano), Ron Carter (baixo) e Tony Williams (bateria).
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