Trópico de Capricórnio

É a linha geográfica imaginária situada abaixo do Equador. Fica localizada a 23º 26' 27'' de Latitude Sul. Atravessa três continentes, onze países e três grandes oceanos.


segunda-feira, 5 de março de 2012

A Cortina de Ferro



Há 66 anos Winston Churchill (Oxfordshire, 30 Nov.1874 - Londres, 24 Jan. 1965), citava pela primeira vez a famosa expressão "Cortina de Ferro" (Iron Curtain"), no Westminster College para designar a divisão da Europa em duas partes - a Europa Ocidental e a Europa Oriental. Devido à politica de isolamento imposta pela ex-União Soviética formaram-se duas áreas de influência politica-económica distintas, no pós-segunda guerra mundial, numa era que também se apelidou de guerra fria (cold war).

Sir Winston Churchill recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 195 pela suas memórias de guerra e pelo seu trabalho literário e jornalistico, antes de ocupar o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido.

Em 1963, aos 89 anos foi homenageado com o título de cidadão honorário dos Estados Unidos, pelo então presidente John Kennedy.

Morreu em Hide Park Gate, em Londres a 24 de janeiro de 1965.


quinta-feira, 1 de março de 2012

Ressonâncias e Reverberações



"Nenhuma lei deve ser obedecida se for injusta, nenhuma regra deve ser obedecida se desprezar a virtude, nenhum regime político deve ser obedecido se for tirânico e assassino".

Sócrates
"Cometer injustiça é pior do que fazê-la"
Platão 

Não se trata de defender os arguidos do caso Casa Pia, até porque não tenho informação bastante, nem tão pouco conheço suficientemente o processo, para emitir qualquer juízo de valor sobre a culpabilidade ou a inocência deste grupo de pessoas envolvidas nesse labirinto kafkiano. A minha opinião é apenas a de um cidadão comum, que abre os olhos de perplexidade com todo este imbróglio jurídico.

Além do espanto que a toda a gente causa o espetáculo do gigantismo e da morosidade de um megaprocesso como este, que se arrasta há dez anos e onde desfilaram, centenas de testemunhas, milhares de páginas de relatos e de horas de audições, - precavendo supostamente, todas e mais algumas garantias, acabando por ter o efeito perverso - surge a última inovação, no que ao mundo dos tribunais e que das condenações diz respeito.

Além do volte face nas declarações, das contradições das testemunhas e da negação pura e simples, publicamente, do que anteriormente fora dito e que não é tomado em linha de conta, porque, segundo a lei, não existe matéria de fato suficientemente relevante que leve à revisão do processo, o que já de si é limitador do exercício do direito de defesa dos arguidos; assim, como se tudo isto não bastasse, eis senão quando a magistratura portuguesa vem inovar e inaugurar um novo código ético e de valores, para a Justiça. 



A sra. juíza que preside ao coletivo de juízes neste caso, condena um indivíduo, não por fatos e provas reais, objetivas e cientificamente comprovadas, mas porque pressentiu uma “ressonância da verdade”, nesses testemunhos. É exatamente esta, a expressão usada no acórdão que dita a sentença do arguido Carlos Cruz. O que já era complicado, mais tortuoso e sombrio se tornou. Poderá a justiça tornar-se uma complicada teia e um enredo de formulações de palpites, sensibilidades e pressentimentos? Se esta figura de estilo e esta linguagem fizerem história, tornando-se frequentes no léxico jurídico, ou se porventura se transformarem em jurisprudência, teremos vitimas, defesa e ministério público a formularem os seus depoimentos, a partir dos mesmos pressupostos. 

Veremos um julgamento nestes termos:

- baseando-me na minha experiência de  anos de pressentimentos…
- meritíssimo juiz, a testemunha acusa o meu constituinte baseada numa suposição e numa mera intuição de que iria ser violada..
- a testemunha está no pleno uso das suas prerrogativas legais e constitucionais, vejo uma ressonância da verdade no que diz a testemunha, portanto condene-se o réu!

 Será que agora a Lei e o Direito passaram a ser aplicadas através das capacidades mediúnicas dos magistrados? Estaremos em presença de um novo paradigma da justiça? Estarão as clássicas figuras do direito democrático, como o “in dubio pro reu” e o saudável princípio constitucional de que deve ser o acusador a provar a culpa e não o suspeito a fazer prova da sua inocência, estarão dizia, em risco de desaparecerem? Sobreviverão ainda?

Numa era em que cada vez mais, nos países do primeiro mundo, a justiça é baseada na ciência forense, em recolhas de ADN, em análises médicas e perícias microscópicas de tecidos, fibras e fluidos, na prova inequívoca, em suma, em Portugal caminha-se em sentido contrário, tornando as sensações e impressões, o eixo fulcral de um julgamento e de uma sentença definitiva.

A partir de agora, derrubam-se os pilares essenciais de um estado de direito e tudo o que vimos aprendendo sobre o respeito pelos valores humanos e pelos direitos fundamentais de alguém suspeito de crime, cai por terra, porque surge a nova figura jurídica da Ressonância e da Reverberação.

Teremos por aí também reverberações e fenómenos do transcendental? Estará a nossa justiça a ser orientada por ecos, vislumbres, reflexos, frequências, ondas eletromagnéticas ou sinais e fórmulas estranhas vindas do espaço exterior? Ou será apenas uma manifestação da excentricidade, da megalomania e do desregramento de uma juíza que não consegue conter dentro de parâmetros concretos o seu absolutismo?

Estaremos de volta ao Big Brother, ou haverá quem queira formar um novo Estado - a República Independente da Ressonância e da Reverberação. Será assim?

J.L.F.




terça-feira, 28 de fevereiro de 2012




“A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça por toda parte”
 
Martin Luther King Jr.
 
 

Justiça e Direitos


"... a Justiça continuou e continua a morrer todos os dias. Agora mesmo, neste instante em que vos falo, longe ou aqui ao lado, à porta da nossa casa, alguém a está matando. De cada vez que morre, é como se afinal nunca tivesse existido para aqueles que nela tinham confiado, para aqueles que dela esperavam o que da Justiça todos temos o direito de esperar: justiça, simplesmente justiça. Não a que se envolve em túnicas de teatro e nos confunde com flores de vã retórica judicialista, não a que permitiu que lhe vendassem os olhos e viciassem os pesos da balança, não a da espada que sempre corta mais para um lado que para o outro, mas uma justiça pedestre, uma justiça companheira quotidiana dos homens, uma justiça para quem o justo seria o mais exato e rigoroso sinônimo do ético, uma justiça que chegasse a ser tão indispensável à felicidade do espírito como indispensável à vida é o alimento do corpo..."

José Saramago


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Martin Scorsese, o grande derrotado



Martin Scorsese é um dos maiores cineastas do nosso tempo.  Dotado de rara mestria como realizador, é um cinéfilo apaixonado, que conhece a história do cinema como poucos e dirige ainda uma institução que tem como tarefa crucial preservar filmes.

Alternando ficção e documentário, realizou filmes excecionais em quase 50 anos de carreira, já tendo alguns projetos anunciados, como diretor e produtor executivo, para depois de "A invenção de Hugo Cabret," (de orçamento acima de 150 milhões de dólares, e com o resultado comercial fica aquém do esperado).

Ontem à noite, na cerimônia de entrega dos Oscares, das 11 nomeações, Hugo ganhou 5, o que não é nada mau, mas fica-nos a impressão de que Scorsese não é talhado para os Óscares. Nos momentos em que foram anunciados o melhor diretor e o melhor filme, Scorsese era o rosto da desilusão. O veterano cineasta manteve a compostura, mas ser preterido por Michel Hazanavicius e "O Artista", não pode deixar de ter magoado.

J.L.F.

Ernest Hemingway


Faz hoje 75 anos que Ernest Hemingway partiu de Nova York para escrever, como correspondente de guerra em Madrid, sobre a Guerra Civil de Espanha. A experiência inspirou uma de suas maiores obras, "Por Quem os Sinos Dobram". Hemingway fazia parte da comunidade de escritores expatriados em Paris, conhecida como "geração perdida", nome inventado e popularizado por Gertrude Stein. Levando uma vida turbulenta, Hemingway casou-se quatro vezes, além de vários relacionamentos românticos. Em 1952 publica "O Velho e o Mar", com o qual ganhou o prêmio Pulitzer (1953), considerada a sua obra-prima. Foi laureado com o Nobel da Literatura de 1954.
 
 
Guerra Civil de Espanha
 

Óscares: o triunfo de "O Artista"



                                         

A película de Michel Azanavicius consagrou-se a grande vencedora da noite dos Óscares, com cinco estatuetas incluindo Melhor Filme, Diretor e Ator. "A Invenção de Hugo", de Martin Scorsese, recebeu os prémios técnicos. Meryl Streep, ganhou o seu terceiro óscar com "A Dama de Ferro"        

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Berlin Festival 2012: "RAFA" JOÃO SALAVIZA WINS GOLDEN BEAR (João Salavi...



A curta-metragem «Rafa», de João Salaviza, venceu o Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim.

«Rafa» conta a história de um rapaz de 13 anos que vive na Margem Sul e vai para Lisboa à procura da mãe, detida numa esquadra da polícia.

Em 2009, o realizador venceu a Palma de Ouro em Cannes, também com uma uma curta-metragem ("Arena").

O júri formado, pela actriz palestiniana Emily Jacir, pelo cineasta irlandês David Oreilly e pela actriz alemã Sandra Hueller, destacou a «impressionante representação» de Rodrigo Perdigão, «no papel de um jovem a caminho de se tornar adulto».


Arena (2009) - João Salaviza



Arena
Curta-metragem portuguesa escrita, realizada e editada por João Salaviza, Palma de Ouro (para curtas) em Cannes 2009.
Ficha IMDB.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Diário de Bordo

                                                                                 
                                                                                                                                             
Querido Diário:                                                                                              
                                                                                                                            
No princípio era o verbo e do verbo se fez expressão


Hoje é um dia diferente, o 1º dia das nossas vidas. Gosto deste dia. O dia em que nascemos e em que de cada vez que acontece, renascem as esperanças de que tudo se transformará com o alvorecer de uma nova manhã: “a new beginning”. Aos cinquenta e sete anos ainda não fazemos balanços nem inventários, queremos só que o tempo decorra lentamente, “in slow motion”. A memória nem sempre é seletiva, é como uma enxurrada, uma avalanche, trás consigo o bom e o mau, não escolhe os dias felizes e inesquecíveis, nem deixa pra trás os momentos mais amargos e que queremos esquecer a todo o custo.

 A criança que eu era ontem, é justamente a que sou hoje. Atrás de um sonho, olhando para a noite cintilante, para Cassiopéia, Orion ou para a Via Láctea. Para lá das montanhas, não à procura de milagres nem de profecias, mas sim de Justiça, Paz e Harmonia. A mais forte impressão que tenho de um aniversário, sucede aos dez anos, quando pedia à minha mãe uma calça de linho azul, com dois bolsos assim e assado e uma camisa de pregas, de manga comprida e o meu júbilo, quando os meus pais me conseguiam satisfazer os desejos.

 Pergunto-me hoje o que é um amigo, quanto valem aqueles ou aquelas que nos acompanham ao longo da vida, que estão ao nosso lado para o bem e para o mal. Pela sua raridade têm um valor incomensurável, não têm preço.  

 Amigo não é a mera casualidade de um cumprimento, de um bom dia, nem a banalidade de um encontro, ou a circunstância de um “parabéns”, mais ou menos afetuoso, no dia do teu aniversário.

Amigo é aquele que partilha e que arrisca, que nos impressiona pela sua constância, mesmo quando as vozes teimam em nos excluir. Eles, esses amigos, são raros, são como pedras preciosas e surgem donde menos esperamos. Trazem consigo gestos bondosos, que nos tocam profundamente. Rendemo-nos a eles e a partir daí sabemos que ali está um amigo verdadeiro.

 Dos outros, daqueles que esperamos alguma coisa, verificamos que se escondem no anonimato e se esquecem, ansiosos por passarem despercebidos, dando o mínimo esfarrapado e trocando a ordem das coisas e dos valores. Na ansia de querer parecer o que não são, são aquilo que não parecem e parecem aquilo que não querem parecer que são.

Amigo é a proteção constante, o escudo necessário, de que precisamos quando soam as trombetas da guerra.

Amigo sacrifica o seu sono, para velar o teu descanso, é a mão que cuida de te ajeitar o caminho para a glória do êxito.

Amigo é aquele que se apaga para que só o teu brilho ofusque a cidade.

Amigo escreve no cantinho da agenda e conta os dias e as horas que faltam para te encher a alma de calor, te enrubescer de felicidade e te rasgar a boca com sorrisos de gratidão. É o prazer puro e simples de dar, de se rever na tua alegria, é o ato fraterno e carinhoso de um beijo ou de um abraço caloroso nesse dia, e nunca a obrigação burocrática de um dever oficioso. Entre amigos não há orgulho, nem superioridade, não há plano inferior nem superior, porque o verdadeiro amor é isento, é o elo da cadeia que os liga inexoravelmente. O amor real, de que o Homem precisa, não está atrás de uma sacristia, nem nos alfarrábios eloquentes de metafísicas obscuras. Não basta apregoar o amor, a seguir deixarmo-nos dominar pela presunção e vivermos de mãos cerradas.

 Amigo não espera o dia para te ferir, mas antes se declara antecipadamente que está pronto para te acompanhar no jogo da vida. Do amigo esperas bastante, nunca menos, e essa expetativa é legítima porque é proporcional áquilo que és capaz e que tens para dar. Só assim os amigos se complementam e se completam, fechando o círculo do sagrado e encerrando o cofre dos tesouros incalculáveis.

Amigo não tem intermitências, é o pronto-socorro com sirene ligada.

Amigo é a urgência do ontem, a inevitabilidade do agora.

Amigo é a sede da água e a fome do pão.


Se encontrei a felicidade? Estou prestes a chegar ao lugar da pedra filosofal, da verdadeira alquimia. Aprendo todos os dias um pouco mais. Chegará o momento em que dominarei a arte de saber viver com o que a vida me põe á frente; caminhar por este mundo de sombras e luzes, sem sonhos de grandeza, nem atrás do supérfluo e do efémero. O meu “Santo Graal”, o cálice sagrado, contém uma biblioteca imaginária, uma arca cheia de livros e conhecimentos, onde cabes tu e todos aqueles que ao longo dos tempos vêm partilhando comigo alegrias e tristezas e que nunca abandonaram essa demanda a meio da jornada.


Para mim, será essa a suprema sabedoria e a felicidade total.

 21Fev2012

J.L.F.

domingo, 19 de fevereiro de 2012



"Aprender é a única coisa de que a mente não se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende".

Leonardo da Vinci

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Solidão - Paulo Coelho


World Press Photo




O fotógrafo espanhol Samuel Aranda venceu o 55º prémio World Press Photo com o retrato de uma mulher amparando um familiar ferido no Iémen.
 
A imagem, publicada no New York Times, foi captada no interior de uma mesquita transformada em hospital durante as manifestações contra o regime de Ali Abdullah Saleh. Além da sua força e beleza estética, é «um retrato simbólico da Primavera Árabe», de acordo com júri do prémio.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Três Perfeitos Atores





Memória do passado: John Cassavetes, Peter Falk e Ben Gazzara; grandes atores de outros tempos. Quem se lembra deles? Cassavetes morreu há mais de vinte anos, o ano passado morreu Falk, há duas semanas morreu Gazzara. Lendários e inesquecíveis em Husbands. Husbands é uma ode à masculinidade boémia, cúmplice e  festiva, às amizades «em grupo», ao «male bonding» e o «boy’s night out», pela conversa básica e pela diversão pura e poética. J.L.F.



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Willie Nelson - Valentine


«O mais belo truque do Diabo é o de vos convencer de que ele não existe.»

Charles Baudelaire


Miles Davis - All Blues



"Não toques o que lá está. Toca o que lá não está." A frase  é de Miles Davis, talvez ajude a perceber como era a genialidade e a perfeição de Miles Davis. Em All Blues, do album My Funny Valentine, Miles gravou estes temas ao vivo, no Lincoln Center, NYC, em 1964. Estavam com ele George Coleman (sax), Herbie Hancock (piano), Ron Carter (baixo) e Tony Williams (bateria).