Existe em Portugal uma certa mentalidade, demasiado enraizada na cultura portuguesa e que nunca assume culpas de nada (qualquer dia falo nisto com mais tempo). Os culpados nunca somos nós. São sempre eles, os outros e se possível com as minorias étnicas à cabeça e os imigrantes em segundo. Esquecem que diariamente usam mil subterfúgios para fugir aos impostos até nos actos mais comezinhos como comer no restaurante, onde imediatamente se pede a factura sem IVA, esquecem os esquemas e truques onde o português é useiro e vezeiro em enganar o Estado, esquecem a sua passividade, a sua falta de arrojo e a ausência de criatividade clássica, o síndroma do velho do Restelo, que desconfia do novo e se agarra ao passadismo, o medo visceral ao estrangeiro, o seu complexo e subserviência a este, que os leva a emigrar e fazer os trabalhos de serviçal ao passar a fronteira, a ambiguidade entre o ser europeu ou não o ser, a sua dependência dos subsídios do governo, a sua difícil convivência com o sucesso, a crónica inveja ao bem sucedido, a fraca cultura, a iliteracia, o fraco sistema educativo, a sua elite política débil e canhestra, sem coragem, sem carisma e mal formada pelos seus próprios tutores, a sua velha dependência das riquezas do Império, etc, etc,etc.
Por agora fiquemos por aqui...
J.L.F.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
segunda-feira, 18 de julho de 2011
O Corno de África atravessa a pior seca dos últimos 60 anos

Os países do Corno de África são: Djibouti; Eritreia; Etiópia; Somália.
O Corno de África atravessa a pior seca das últimas seis décadas. As crianças são as mais vulneráveis. Diz a UNICEF que dois milhões de crianças sofrem de subnutrição e necessitam de ajuda urgente para sobreviverem. 500 mil estarão mesmo em risco de vida.
Doze milhões de pessoas passam fome no Corno de África devido à seca e à guerra, alertou na terça-feira um economista da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
Segundo Shukri Ahmed, as populações de Djibouti, da Etiópia, do Quénia, da Somália e do Uganda têm necessidade de uma "ajuda alimentar imediata".
Na semana passada, o Programa Alimentar Mundial estimara que dez milhões de pessoas tinham necessidade de ajuda alimentar, o que representava um aumento de quatro milhões face à estimativa anterior.
A Somália é o país mais afectado pela fome e pela seca. Milhões de somalis encontram-se em situação de "emergência humanitária" e as crianças são as que mais sofrem. A situação, na Somália, ganha ainda maiores contornos com a guerra civil que se vive no país desde há 20 anos.
A ajuda humanitária, que agora entrou neste estado, teve a autorização da guerrilha islâmica Al-Shabab. Um grupo que controla uma parte da cidade de Mogadíscio e ainda a maior parte do centro e sul do país. A autorização da Al-Shabab dura apenas 10 dias.
Os somalis não param de abandonar o país. No mês de Junho, 54 mil fugiram da Somália em direcção ao Quénia e à Etiópia
O meu Blog
Trópico de Capricórnio é o meu Blog. É assumidamente pirata, é vadio, percorre a estúrdia e a crápula da noite. Rouba textos aqui e ali, como qualquer vulgar ladrão de bicicletas, depois copia e descreve o que vê.
O Trópico também é transcontinental, gosta de viajar, de saber, informa-se quando não sabe, e vai errando a cada passo. Dá erros de ortografia, pouco sabe de História, mas tem muitas histórias para contar. Anda por aí, vagueando, não quer ser inteligente nem é dono da razão mas observa, reflecte e está sempre do lado dos fracos. Para o Trópico isso é fundamental, é mesmo a sua pedra de toque.
Daquilo que sabe, o Trópico tenta passar para outros, porque sabe o valor da palavra, da imagem e da coisa escrita. O Trópico é o mensageiro, o Pony Express, pois acha que se a notícia não chega, o Pony Express oferece-se para levar.
Este é o Trópico, nem bem nem mal, crítico, sempre, chato e aborrecido, mas de uma coisa não abdica: a livre expressão, o seu direito de comunicar e de emitir opinião. Ou por outras palavras, o seu inviolável direito à indignação, como bem disse um grande político.
J.L.F.
O Trópico também é transcontinental, gosta de viajar, de saber, informa-se quando não sabe, e vai errando a cada passo. Dá erros de ortografia, pouco sabe de História, mas tem muitas histórias para contar. Anda por aí, vagueando, não quer ser inteligente nem é dono da razão mas observa, reflecte e está sempre do lado dos fracos. Para o Trópico isso é fundamental, é mesmo a sua pedra de toque.
Daquilo que sabe, o Trópico tenta passar para outros, porque sabe o valor da palavra, da imagem e da coisa escrita. O Trópico é o mensageiro, o Pony Express, pois acha que se a notícia não chega, o Pony Express oferece-se para levar.
Este é o Trópico, nem bem nem mal, crítico, sempre, chato e aborrecido, mas de uma coisa não abdica: a livre expressão, o seu direito de comunicar e de emitir opinião. Ou por outras palavras, o seu inviolável direito à indignação, como bem disse um grande político.
J.L.F.
Defende Robert Fishman:Portugal não precisava de ajuda externa e agências de "rating" têm de ser travadas (act.)
O sociólogo Robert Fishman escreve no "The New York Times" sobre o "desnecessário resgate de Portugal" e acusa as agências de notação financeira de distorcerem a percepção que os mercados tinham da estabilidade do País.
Portugal não precisava deste resgate. Foi sobretudo a especulação que precipitou o País para o pedido de ajuda externa. O culpado não foi o governo, mas sim a pressão das agências de “rating”. É esta a opinião de Robert Fishman, professor de Sociologia na Universidade de Notre Dame, num artigo hoje publicado no jornal “The New York Times”.
Na opinião de Fishman - que escreveu, em conjunto com Anthony Messina, o livro intitulado “The Year of the Euro: the cultural, social and political import of Europe’s common currency” -, a solicitação de ajuda externa à UE e ao FMI por parte de Portugal deverá constituir um aviso para as democracias de todo o mundo.
A crise que teve início no ano passado, com os resgates da Grécia e da Irlanda, agravou-se, constata o professor. “No entanto, este terceiro pedido nacional de ajuda não tem realmente a ver com dívida. Portugal teve um forte desempenho económico na década de 90 e estava a gerir a sua retoma, depois da recessão global, melhor do que vários outros países da Europa, mas sofreu uma pressão injusta e arbitrária por parte dos detentores de obrigações, especulações e analistas de “rating” da dívida que, por razões ideológicas ou de tacanhez, conseguiram levar à queda de um governo democraticamente eleito e levaram, potencialmente, a que o próximo governo esteja de mãos atadas”, salienta Robert Fishman no seu artigo de opinião publicado no jornal norte-americano.
O sociólogo adverte que “estas forças do mercado, se não forem reguladas, ameaçam eclipsar a capacidade de os governos democráticos – talvez até mesmo o norte-americano – fazerem as suas próprias escolhas em matéria de impostos e despesa pública”.
"Crise em Portugal é completamente diferente"
Apesar de as dificuldades de Portugal se assemelharem às da Grécia e da Irlanda, uma vez que os três países aderiram ao euro, cedendo assim o controlo da sua política monetária, o certo é que “na Grécia e na Irlanda, o veredicto dos mercados reflectiu profundos problemas económicos, facilmente identificáveis”, diz Fishman, realçando que “a crise em Portugal é completamente diferente”.
Em Portugal, defende o académico, “não houve uma genuína crise subjacente. As instituições económicas e as políticas em Portugal, que alguns analistas financeiros encaram como irremediavelmente deficientes, tinham alcançado êxitos notáveis antes de esta nação ibérica, com uma população de 10 milhões de pessoas, ser sujeita a sucessivas vagas de ataques por parte dos operadores dos mercados de obrigações”.
“O contágio de mercado e os cortes de ‘rating’ , que começaram quando a magnitude das dificuldades da Grécia veio à superfície em inícios de 2010, transformou-se numa profecia que se cumpriu por si própria: ao elevarem os custos de financiamento de Portugal para níveis insustentáveis, as agências de ‘rating’ obrigaram o País a pedir ajuda externa. O resgate confere poderes, àqueles que vão “salvar” Portugal, para avançarem com medidas de austeridade impopulares”, opina Robert Fishman.
“A crise não resulta da actuação de Portugal. A sua dívida acumulada está bem abaixo do nível de outros países, como a Itália, que não foram sujeitos a avaliações [de ‘rating’] tão devastadoras. O seu défice orçamental é inferior ao de vários outros países europeus e tem estado a diminuir rapidamente, na sequência dos esforços governamentais nesse sentido”, refere o professor, que fala ainda sobre o facto de Portugal ter registado, no primeiro trimestre de 2010, uma das melhores taxas de retoma económica da UE.
Em inúmeros indicadores – como as encomendas à indústria, inovação empresarial, taxa de sucesso da escolaridade secundária e crescimento das exportações -, Portugal igualou ou superou os seus vizinhos do Sul e mesmo do Ocidente da Europa, destaca o sociólogo.
Porquê os "downgrades?"
“Então, por que motivo é que a dívida soberana portuguesa foi cortada e a sua economia levada para a beira do precipício?”, questiona-se Fishman.
Na sua opinião, há duas explicações possíveis. Uma prende-se com o cepticismo ideológico do modelo económico misto de Portugal, com o apoio aos empréstimos concedidos às pequenas empresas, de par com umas quantas grandes empresas públicas e um forte Estado Providência, explica.
A outra explicação está na “inexistência de perspectiva histórica”. Segundo Fishman, os padrões de vida dos portugueses aumentaram bastante nos 25 anos que se seguiram à Revolução dos Cravos, em Abril de 1974, tendo havido na década de 90 um acelerado aumento da produtividade laboral, do investimento de capital por parte das empresas privadas, com a ajuda do governo, e um aumento dos gastos sociais. No final do século, Portugal tinha uma das mais baixas taxas de desemprego da Europa, sublinha também o professor.
Mas, realça, o optimismo dos anos 90 deu origem a desequilíbrios económicos e a gastos excessivos. “Os cépticos em torno da saúde económica de Portugal salientam a sua relativa estagnação entre 2000 e 2006. Ainda assim, no início da crise financeira mundial, em 2007, a economia estava de novo a crescer e o desemprego a cair. A recessão acabou com essa recuperação, mas o crescimento retomou no segundo trimestre de 2009”, refere.
Assim, no seu entender, “não há que culpar a política interna de Portugal. O primeiro-ministro José Sócrates e o PS tomaram iniciativas no sentido de reduzir o défice, ao mesmo tempo que promoveram a competitividade e mantiveram a despesa social; a oposição insistiu que podia fazer melhor e obrigou à demissão de Sócrates, criando condições para a realização de eleições em Junho. Mas isto é política normal, não um sinal de confusão ou de incompetência, como alguns críticos de Portugal têm referido”.
Europa poderia ter evitado o resgate
E poderia a Europa ter evitado este resgate?, questiona-se. Na sua opinião, sim. “O BCE poderia ter comprado dívida pública portuguesa de forma mais agressiva e ter afastado a mais recente onda de pânico”.
Além disso, Fishman afirma que é também essencial que a UE e os EUA regulem o processo utilizado pelas agências de “rating” para avaliarem a qualidade da dívida de um país. “Ao distorcerem as percepções do mercado sobre a estabilidade de Portugal, as agências de notação financeira – cujo papel na aceleração da crise das hipotecas ‘subprime’ nos EUA foi extensamente documentado – minaram a sua retoma económica e a sua liberdade política”, acusa o académico.
“No destino de Portugal reside uma clara advertência a outros países, incluindo os Estados Unidos. A revolução de 1974 em Portugal inaugurou uma vaga de democratização que inundou o mundo inteiro. É bem possível que 2011 marque o início de uma vaga invasiva nas democracias, por parte dos mercados não regulados, sendo Espanha, Itália ou Bélgica as próximas vítimas potenciais”, conclui Fishman, relembrando que os EUA não gostariam de ver no seu território o tipo de interferência a que Portugal está agora sujeito – “tal como a Irlanda e a Grécia, se bem que estes dois países tenham mais responsabilidades no destino que lhes coube”.
Jornal de Negócios (18deJul2011)
A pilhagem da riqueza dos países pelos grandes bancos e corporações internacionais, o Banco Mundial e o FMI
A estratégia dos grandes bancos e corporações internacionais, do Banco Mundial e do FMI de pilhagem da riqueza dos países é concretizada, principalmente, através da criação de dívidas soberanas (dívidas dos estados) impagáveis, as quais acabam por obrigar os estados a realizar dinheiro, para o pagamento das suas dívidas, através da privatização (venda aos "investidores do mercado") de todo o património público dos países que possa gerar lucros. Por exemplo:
a) Os transportes aéreos (TAP - Transportes Aéreos Portugueses e ANA - Aeroportos de Portugal);
b) Os transportes ferroviários (CP - Comboios de Portugal e em estudo a REFER - Rede Ferroviária Nacional);
c) Os transportes rodoviários (Carris e STCP);
d) Os metropolitanos (Metro de Lisboa);
e) A electricidade (EDP - Electricidade de Portugal e REN - Redes Energéticas Nacionais);
f) A água (Águas de Portugal);
g) O gás e outros combustíveis (GALP);
h) As comunicações e telecomunicações (Portugal Telecom e CTT - Correios de Portugal);
i) A comunicação social (RTP - Rádio e Televisão de Portugal (Televisão Pública, Antena 1, 2 e 3) e LUSA - Agência de Notícias de Portugal);
j) Campos petrolíferos (não há no caso português, ou melhor, os campos existentes ainda não foram considerados economicamente viáveis para serem explorados);
k) Minérios (já foram concessionadas ao "capital estrangeiro", anteriormente, todas as minas rentáveis portuguesas)
As cerejas em cima deste grande bolo são as seguintes:
a) As privatizações são feitas a preços inferiores ao valor real das empresas devido ao facto destas vendas serem forçadas. Além disso, para ajudar a baixar ainda mais o preço de venda das empresas, as agências de notação financeira Moody's, Standard & Poor's e Fitch (controladas pelos grandes bancos e corporações internacionais) têm piorado sucessivamente a notação destas empresas. Este negócio de privatização é obviamente prejudicial para o interesse público;
b) O aumento exigido do preço ao consumidor dos serviços a privatizar (electricidade, gás, água, etc.) serve para garantir que as empresas a privatizar possam vir a dar lucros;
c) A diminuição generalizada dos salários em resultado do aumento brutal do desemprego e das medidas administrativas de contenção das actualizações salariais face à inflação, garante maiores lucros em resultado da diminuição dos custos de produção;
d) O controlo total da comunicação social dos países nas mãos dos privados (grandes corporações internacionais) facilitará futuras pilhagens sem que os cidadãos se apercebam da situação;
e) O controlo total das comunicações dos países (em especial a Internet) nas mãos dos privados (grandes corporações internacionais) juntamente com controlo total da comunicação social permitirá às grandes corporações internacionais o controlo total da informação a que os cidadãos terão acesso. A título de exemplo, veja-se o caso de França, onde Sarkosy conseguiu a aprovação de uma lei que permite às empresas fornecedoras de acesso à Internet a capacidade de cortar o acesso à Internet a qualquer cidadão ou entidade colectiva com base em denúncias de "downloads ilegais", sem ser necessária uma ordem judicial para o efeito (ver nota 2).
Nota 1 - Convém chamar a atenção para o facto de que, desde há vários anos, as empresas privadas "portuguesas", que operam nestas áreas, têm vindo a ser compradas pelo chamado investimento estrangeiro (grandes bancos e corporações internacionais), graças à globalização e, em particular, à livre circulação de capitais imposta a todos os países.
Nota 2 - A lei de Sarkosy é justificada oficialmente pela necessidade de defender os direitos de autor e impedir as cópias piratas via Internet. Porém, em termos práticos, quando o utilizador da Internet transfere um ficheiro digital (contendo uma música, uma fotografia, um livro, uma apresentação de PowerPoint , um vídeo do YouTube, etc. ) por qualquer via (downloads, messenger, e-mail, aplicações específicas, etc.), a maior parte das vezes, não sabe nem pode saber se o conteúdo está protegido por direitos de autor, ou se o pagamento do download cobre os direitos de autor. Quem disponibiliza na Internet ficheiros digitais para venda ou para partilha é que sabe se os seus conteúdos estão sujeitos ou não a direitos de autores. Portanto, não é o consumidor final dos ficheiros digitais que é responsável pela pirataria. Assim, torna-se claro, que o objectivo final e encoberto da lei de Sarkosy é o de permitir o corte discricionário do acesso à Internet aos cidadãos ou entidades colectivas "perigosos" para o sistema.
As "ajudas" do FMI (os chamados resgates) para que os países possam honrar o pagamento das suas dívidas são, na prática, uma forma de endividar ainda mais os países que se encontram já muito endividados, pelas seguintes razões:
a) As "ajudas" são, nada mais nada menos, que novos empréstimos com juros, que serão utilizados para pagar os empréstimos já existentes. Ou seja, os países endividados, além de manterem as dívidas anteriores impagáveis, acumulam, com estas "ajudas" mais dívidas!
b) As exigências do FMI de privatização da maior parte da riqueza pública, tornam os países endividados em países mais pobres!
c) As medidas impostas de austeridade sufocam a economia dos países endividados, o que implica a redução da produção de riqueza e consequentemente tornam esses países ainda mais pobres!
d) As exigências do FMI em reduzir os direitos dos trabalhadores, quer ao nível do código do trabalho, quer ao nível dos apoios sociais, mais o aumento do desemprego decorrente das medidas de austeridade, implicam o empobrecimento geral da maioria da população, o qual, por sua vez implica um menor consumo, logo, acaba por se produzir menos riqueza nos países "ajudados"!
Em suma, as "ajudas" do FMI "enterram" ainda mais os países endividados!
A pilhagem dos recursos (materiais, financeiros e laborais) dos países não é feita, desta vez, através de uma guerra militar, mas sim é feita, subtilmente, através de uma guerra financeira, com o conluio de muitos governantes e "peritos" (políticos e economistas) e com a colaboração inconsciente dos restantes governantes e de quase todos os restantes peritos, nos países saqueados.
*****
a) Os transportes aéreos (TAP - Transportes Aéreos Portugueses e ANA - Aeroportos de Portugal);
b) Os transportes ferroviários (CP - Comboios de Portugal e em estudo a REFER - Rede Ferroviária Nacional);
c) Os transportes rodoviários (Carris e STCP);
d) Os metropolitanos (Metro de Lisboa);
e) A electricidade (EDP - Electricidade de Portugal e REN - Redes Energéticas Nacionais);
f) A água (Águas de Portugal);
g) O gás e outros combustíveis (GALP);
h) As comunicações e telecomunicações (Portugal Telecom e CTT - Correios de Portugal);
i) A comunicação social (RTP - Rádio e Televisão de Portugal (Televisão Pública, Antena 1, 2 e 3) e LUSA - Agência de Notícias de Portugal);
j) Campos petrolíferos (não há no caso português, ou melhor, os campos existentes ainda não foram considerados economicamente viáveis para serem explorados);
k) Minérios (já foram concessionadas ao "capital estrangeiro", anteriormente, todas as minas rentáveis portuguesas)
As cerejas em cima deste grande bolo são as seguintes:
a) As privatizações são feitas a preços inferiores ao valor real das empresas devido ao facto destas vendas serem forçadas. Além disso, para ajudar a baixar ainda mais o preço de venda das empresas, as agências de notação financeira Moody's, Standard & Poor's e Fitch (controladas pelos grandes bancos e corporações internacionais) têm piorado sucessivamente a notação destas empresas. Este negócio de privatização é obviamente prejudicial para o interesse público;
b) O aumento exigido do preço ao consumidor dos serviços a privatizar (electricidade, gás, água, etc.) serve para garantir que as empresas a privatizar possam vir a dar lucros;
c) A diminuição generalizada dos salários em resultado do aumento brutal do desemprego e das medidas administrativas de contenção das actualizações salariais face à inflação, garante maiores lucros em resultado da diminuição dos custos de produção;
d) O controlo total da comunicação social dos países nas mãos dos privados (grandes corporações internacionais) facilitará futuras pilhagens sem que os cidadãos se apercebam da situação;
e) O controlo total das comunicações dos países (em especial a Internet) nas mãos dos privados (grandes corporações internacionais) juntamente com controlo total da comunicação social permitirá às grandes corporações internacionais o controlo total da informação a que os cidadãos terão acesso. A título de exemplo, veja-se o caso de França, onde Sarkosy conseguiu a aprovação de uma lei que permite às empresas fornecedoras de acesso à Internet a capacidade de cortar o acesso à Internet a qualquer cidadão ou entidade colectiva com base em denúncias de "downloads ilegais", sem ser necessária uma ordem judicial para o efeito (ver nota 2).
Nota 1 - Convém chamar a atenção para o facto de que, desde há vários anos, as empresas privadas "portuguesas", que operam nestas áreas, têm vindo a ser compradas pelo chamado investimento estrangeiro (grandes bancos e corporações internacionais), graças à globalização e, em particular, à livre circulação de capitais imposta a todos os países.
Nota 2 - A lei de Sarkosy é justificada oficialmente pela necessidade de defender os direitos de autor e impedir as cópias piratas via Internet. Porém, em termos práticos, quando o utilizador da Internet transfere um ficheiro digital (contendo uma música, uma fotografia, um livro, uma apresentação de PowerPoint , um vídeo do YouTube, etc. ) por qualquer via (downloads, messenger, e-mail, aplicações específicas, etc.), a maior parte das vezes, não sabe nem pode saber se o conteúdo está protegido por direitos de autor, ou se o pagamento do download cobre os direitos de autor. Quem disponibiliza na Internet ficheiros digitais para venda ou para partilha é que sabe se os seus conteúdos estão sujeitos ou não a direitos de autores. Portanto, não é o consumidor final dos ficheiros digitais que é responsável pela pirataria. Assim, torna-se claro, que o objectivo final e encoberto da lei de Sarkosy é o de permitir o corte discricionário do acesso à Internet aos cidadãos ou entidades colectivas "perigosos" para o sistema.
As "ajudas" do FMI (os chamados resgates) para que os países possam honrar o pagamento das suas dívidas são, na prática, uma forma de endividar ainda mais os países que se encontram já muito endividados, pelas seguintes razões:
a) As "ajudas" são, nada mais nada menos, que novos empréstimos com juros, que serão utilizados para pagar os empréstimos já existentes. Ou seja, os países endividados, além de manterem as dívidas anteriores impagáveis, acumulam, com estas "ajudas" mais dívidas!
b) As exigências do FMI de privatização da maior parte da riqueza pública, tornam os países endividados em países mais pobres!
c) As medidas impostas de austeridade sufocam a economia dos países endividados, o que implica a redução da produção de riqueza e consequentemente tornam esses países ainda mais pobres!
d) As exigências do FMI em reduzir os direitos dos trabalhadores, quer ao nível do código do trabalho, quer ao nível dos apoios sociais, mais o aumento do desemprego decorrente das medidas de austeridade, implicam o empobrecimento geral da maioria da população, o qual, por sua vez implica um menor consumo, logo, acaba por se produzir menos riqueza nos países "ajudados"!
Em suma, as "ajudas" do FMI "enterram" ainda mais os países endividados!
A pilhagem dos recursos (materiais, financeiros e laborais) dos países não é feita, desta vez, através de uma guerra militar, mas sim é feita, subtilmente, através de uma guerra financeira, com o conluio de muitos governantes e "peritos" (políticos e economistas) e com a colaboração inconsciente dos restantes governantes e de quase todos os restantes peritos, nos países saqueados.
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domingo, 17 de julho de 2011
Klaus Regling: resgate da dívida de Portugal tem sido favorável à Alemanha
Os resgates das dívidas de Portugal e da Irlanda têm sido favoráveis para os países que concederam garantias a Lisboa e a Dublin, admitiu esta domingo o presidente do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), Klaus Regling, em entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung.
“Até hoje, só houve ganhos para os alemães, porque recebemos da Irlanda e de Portugal juros acima dos refinanciamentos que fizemos, e a diferença reverte a favor do orçamento alemão”, adiantou Regling, acrescentando que “é o prémio pelas garantias que a Alemanha dá só que os contribuintes alemães não acreditam”.
O presidente do FEEF dissipou receios de que a situação se altere, se Dublin e Lisboa deixarem de poder pagar as suas dívidas, incluindo os juros, lembrando que os programas de austeridade negociados pela Irlanda e por Portugal com a União Europeia e o FMI estão a ser cumpridos. “Se no entanto deixarem de pagar os juros, teremos de ir pedir o dinheiro a quem deu as garantias, como ficou estipulado, para dar garantias aos investidores”.
Ao jornal alemão Regling disse ainda que, mesmo que a Irlanda e Portugal tenham de reestruturar as suas dívidas soberanas, não é forçoso que haja prejuízos para os países que deram as garantias, através do FEEF. “Temos de olhar para a experiência feita pelo FMI, que já concedeu empréstimos a muitos países em dificuldades, e houve poucos que não devolveram o dinheiro, casos da Somália, Zimbabwe e Libéria, por exemplo”, acrescentou.
O presidente do fundo de resgate admitiu ainda a possibilidade de, “em situações excepcionais”, comprar títulos da dívida de países do euro em dificuldades financeiras no mercado primário.
Já no que se refere a hipótese de o FEEF adquirir também títulos da dívida de países da moeda única no mercado secundário, a outros investidores, “é uma decisão que terá de ser tomada pelos políticos”, lembrou.
A Alemanha admitiu pela primeira vez, na última quarta-feira, que a Grécia, que terá de receber novo pacote de ajudas, possa recomprar títulos da sua dívida pública no mercado secundário, com um empréstimo do FEEF, para diminuir o défice e tentar voltar a refinanciar-se nos mercados financeiros.
Regling adiantou que não tem tido dificuldades em arranjar investidores para cobrir as verbas necessárias aos resgates da Grécia, Irlanda e Portugal, nomeadamente na Ásia.
“Os investidores asiáticos compraram cerca de 40 por cento dos títulos, nas três emissões que fizemos”, lembrou.
Jornal "Público"
“Até hoje, só houve ganhos para os alemães, porque recebemos da Irlanda e de Portugal juros acima dos refinanciamentos que fizemos, e a diferença reverte a favor do orçamento alemão”, adiantou Regling, acrescentando que “é o prémio pelas garantias que a Alemanha dá só que os contribuintes alemães não acreditam”.
O presidente do FEEF dissipou receios de que a situação se altere, se Dublin e Lisboa deixarem de poder pagar as suas dívidas, incluindo os juros, lembrando que os programas de austeridade negociados pela Irlanda e por Portugal com a União Europeia e o FMI estão a ser cumpridos. “Se no entanto deixarem de pagar os juros, teremos de ir pedir o dinheiro a quem deu as garantias, como ficou estipulado, para dar garantias aos investidores”.
Ao jornal alemão Regling disse ainda que, mesmo que a Irlanda e Portugal tenham de reestruturar as suas dívidas soberanas, não é forçoso que haja prejuízos para os países que deram as garantias, através do FEEF. “Temos de olhar para a experiência feita pelo FMI, que já concedeu empréstimos a muitos países em dificuldades, e houve poucos que não devolveram o dinheiro, casos da Somália, Zimbabwe e Libéria, por exemplo”, acrescentou.
O presidente do fundo de resgate admitiu ainda a possibilidade de, “em situações excepcionais”, comprar títulos da dívida de países do euro em dificuldades financeiras no mercado primário.
Já no que se refere a hipótese de o FEEF adquirir também títulos da dívida de países da moeda única no mercado secundário, a outros investidores, “é uma decisão que terá de ser tomada pelos políticos”, lembrou.
A Alemanha admitiu pela primeira vez, na última quarta-feira, que a Grécia, que terá de receber novo pacote de ajudas, possa recomprar títulos da sua dívida pública no mercado secundário, com um empréstimo do FEEF, para diminuir o défice e tentar voltar a refinanciar-se nos mercados financeiros.
Regling adiantou que não tem tido dificuldades em arranjar investidores para cobrir as verbas necessárias aos resgates da Grécia, Irlanda e Portugal, nomeadamente na Ásia.
“Os investidores asiáticos compraram cerca de 40 por cento dos títulos, nas três emissões que fizemos”, lembrou.
Jornal "Público"
sábado, 16 de julho de 2011
Michele Bachmann e o Tea Party querem expulsar Obama da Casa Branca
Conservadora até ao tutano, está decidida a ocupar a Sala Oval. Pode até gerar controvérsia, mas a sua popularidade só tem crescido
Michele Bachmann pode até ser uma figura controversa da política americana, mas isso não diminui as suas possibilidades de vir a enfrentar Barack Obama nas presidenciais do próximo ano. Pelo contrário. A par com Mitt Romney, a congressista do Minesota é a candidata republicana com mais hipóteses de vencer as primárias do partido, que serão lançadas, em Janeiro, nos estados de Iowa e New Hampshire.
Apoiada pelo Tea Party, movimento da direita mais conservadora, Bachmann, que chegou à Câmara dos Representantes em 2006, é uma cristã evangélica fervorosa e já afirmou em várias ocasiões que a sua entrada na política lhe foi ordenada por Deus. Nos anos 90, fundou uma escola que proibia a projecção do filme da Disney Aladino, por este "envolver magia e incitar ao paganismo", revelou há cinco anos o jornal do Minesota City Pages.
Das polémicas em que se tem visto envolvida, a mais recente diz respeito à notícia de que o marido, Marcus Bachmann, doutorado em Psicologia, faz "tratamentos de reversão da homossexualidade" na sua clínica cristã de aconselhamento. A história foi divulgada pelo jornal The Nation há duas semanas, e, há poucos dias, a ABC transmitiu a gravação do testemunho de um dos "pacientes", que diz ter sido aconselhado a ler a Bíblia para "ficar livre dos seus instintos homossexuais".
A revelação está a fazer chover críticas não só da esquerda como de grupos de defesa de direitos humanos. Entretanto, enquanto o marido da candidata negava esta semana a veracidade da notícia, Michele, que se escusou a comentar, assinava o controverso documento "Wedding Vow" (voto de casamento), elaborado pelo grupo conservador The Family Leader. O texto, que condena o casamento entre pessoas do mesmo sexo, refere que "não existem provas científicas de que a homossexualidade seja irresistível". O documento apela à rejeição da lei islâmica, condena o aborto e a pornografia e diz que as pessoas casadas "têm mais saúde, melhor sexo e vivem mais tempo". Romney, principal rival de Bachmann, recusou- -se a assinar o texto.
Casada há 33 anos, a ex-senadora conheceu o marido quando ainda estava a estudar. Licenciada em Direito, especializou-se em direito fiscal em 1988. Foi nessa altura que começou a trabalhar como advogada num departamento de finanças na cidade de Saint Paul, onde ficaria por cinco anos. Em 1992, quando ficou grávida do quarto filho, decidiu dedicar-se exclusivamente à família.
In DN
sexta-feira, 15 de julho de 2011
A crise do endividamento nos USA
Vê-se pouco, na TV, em Washington, onde me encontro.
Só por causa das oscilações da Bolsa, se alude ao ataque das "rating agencies" a Italia. Tirando o escândalo do império Murdoch no Reino Unido, nada mais europeu existe. Nem sequer a explosão devastadora em Chipre, de que recebo notícias por colega cipriota.
Só por causa das oscilações da Bolsa, se alude ao ataque das "rating agencies" a Italia. Tirando o escândalo do império Murdoch no Reino Unido, nada mais europeu existe. Nem sequer a explosão devastadora em Chipre, de que recebo notícias por colega cipriota.
Em compensação, no Congresso, todos perguntam pela crise na Europa, todos falam da Grécia, todos temem o contágio, mesmo os menos informados Senadores e Representantes sabem que Portugal e Espanha estão no radar dos abutres, perguntam como é, como será, o que vai fazer a Europa.
Regulação, regulação, regulação - de ambos os lados se concorda que é indispensável e se admite que ainda não aconteceu.
O Dodd-Frank Act está a ser boicotado na aplicação, reconhecem. "Too much money, too much lobbying" dos bancos, financeiros e cia.
O controlo dos " tax havens" / a "Delaware question", que persistentemente trago à colação, todos concorrem ser indispensável, mas poucos tentam sequer explicar porque nada acontece.
O que está a dominar o discurso político e mediático é a disputa entre Administração e Congresso sobre o pedido aumento do tecto de endividamento, para que o Estado não incorra em "default" no inicio de Agosto. Tudo se comporá entretanto, todos asseveram, dando força à tese de que os Republicanos, reféns dos populistas e extremistas eleitos pelo "Tea Party", estão já a ensaiar em tom "nasty" a medição de forças para ver se no próximo ano inviabilizam a re-eleição de Obama, cada mais indigerivel para eles ( e uns Democratas a ajudar à missa, receosos de não serem re-eleitos para o ano...).
De forma incoerente, o líder da minoria Republicana no Senado, Mitch Mcconnell, sugeria hoje que o Presidente assumisse sozinho a decisão de elevar o endividamento, marimbando-se para a House - a mesma que há semanas o censurou por avançar com meios militares na Líbia, sem antes a ouvir...
Obama pede pela primeira vez para aumentar o limite do endividamento. Bush filho pediu sete e conseguiu sempre. Já aconteceu mais de 50 vezes desde os anos 60.
No fundo, nos States, como na Europa a questão é quem vai pagar a crise: os mais ricos ou os pobres e a classe média, a sofrer mais cortes no financiamento da assistência médica, como quer a direita, apostada em não deixar cobrar mais impostos aos ricos.
Que o sistema é escandalosamente injusto, admite-o o multimilionario Warren Buffet, accionista principal da famigerada Moody's, ao apontar que a sua secretária paga mais do dobro do que ele em impostos: ela é taxada a 33% pelo salário, ele apenas 14% pelas mais-valias milionárias do capital que investe...
A MSNBC explica como a resistência da direita ao aumento de impostos, instilada por media como a FOX News, tem tudo a ver os interesses do império Murdoch, que arrecadou lucros fabulosos nas ultimas décadas, desde que Rupert Murdoch se naturalizou americano, beneficiando de todo o tipo de isenções.
Nos EUA, como em Portugal e na Europa, voltamos sempre à velha questão: vamos usar o Estado para forçar os ricos a partilhar com os pobres, ou pelo contrário, vamos tornar os ricos cada vez mais ricos, à custa dos pobres?
Ana Gomes (do Blog "Causa Nossa")
Crise nos EUA. Proposta republicana para salvar o tecto da dívida
Ben Bernanke alerta para uma "calamidade financeira" se o tecto da dívida norte-americana não subir
O líder dos republicanos no Senado americano, Mitch Mc-Connell, ofereceu ontem a Barack Obama a "última opção" para acabar com o impasse nas negociações entre republicanos e democratas em relação à subida do tecto da dívida federal. Uma vez que é pouco provável um acordo sobre os cortes nas despesas até 2 de Agosto - data a partir da qual os EUA entram em incumprimento -, McConnell sugeriu que Obama passasse a ser autorizado a aumentar o limite dos empréstimos a que o governo federal pode recorrer sem aprovação prévia do Congresso.
A opção agradou à Casa Branca, já que os democratas acreditam que a medida permite evitar cortes orçamentais na segurança social, no Medicare e no Medicaid. A proposta. no entanto, não caiu bem entre muitos conservadores, que viam nos cortes um preço na negociação dos seus votos para aprovar o aumento do tecto da dívida.
A democrata Nanci Pelosi, líder da minoria na Câmara dos Representantes, defendeu a proposta e disse que "o que o líder McConnell pôs em cima da mesa reconhece que temos de subir o tecto da dívida". O líder da maioria na Câmara dos Representantes, Harry Reid, afirmou que ainda está a "estudar [a proposta] e a discutir com os senadores", mas que está agradado com o que lê, que considera uma proposta séria.
O senador republicano da Carolina do Sul Jim DeMint, numa entrevista dada ontem à CBS News, criticou o plano de contingência do líder conservador, por tornar mais fácil para o governo gastar ou pedir dinheiro emprestado. David Schweikert, congressista do Arizona, considera que, "se ambas as partes conseguirem aquilo que querem, é provavelmente uma má proposta". Mesmo alguns democratas estão cépticos em relação ao plano apresentado a Obama e criticam McConnell por ter atirado as responsabilidades para o presidente. Peter Welch, congressista democrata do Vermont, considera que "esta proposta não tem coluna vertebral".
Mas também há republicanos confiantes na proposta. Numa entrevista à Fox News, o republicano John Boehner, presidente da Câmara dos Representantes, afirma que "todos acreditam que há necessidade de um plano alternativo se não se conseguir chegar a um acordo", e acrescentou: "Sinceramente, acho que Mitch [McConnell] fez um bom trabalho ao sugerir esse plano". Boehner mostrou sinais da sua disposição de aceitar a proposta, até porque o líder republicano teme as repercussões no partido da falta de um acordo. Se não se aumentar o tecto da dívida e a administração americana entrar em incumprimento, os republicanos temem ser vistos como os maus da fita. As divisões entre os republicanos poderão, no entanto, complicar as negociações.
O presidente da Reserva Federal norte- -americana, Ben Bernanke, alertou ontem, num discurso no Capitólio, para os riscos de não se autorizar o governo federal a recorrer a financiamento externo. "Se o tecto da dívida não for elevado, ocorrerá uma calamidade financeira" e uma deterioração da economia. É a primeira vez que Bernanke se pronuncia de forma tão forte sobre o tema, a pouco menos de três semanas do prazo final estabelecido pelo Departamento do Tesouro. O presidente do banco central norte-americano defende que os Estados Unidos deixarem de pagar os juros da dívida "pode ser o suficiente para criar uma queda no rating da dívida e juros mais altos para os EUA, o que seria contraproducente".
Bernanke mostrou-se contra os cortes prematuros no orçamento da administração e considera que o Congresso e a Casa Branca deviam optar por reduzir as despesas numa perspectiva a longo prazo sobre o défice. "É preciso evitar contracções acentuadas a curto prazo, porque isso iria enfraquecer a recuperação económica do país", disse o presidente da Reserva Federal.
A administração de Barack Obama tem noção dos perigos que corre a economia americana caso as negociações se mantenham num impasse. Ontem, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, declarou que não existe alternativa a aumentar o limite da dívida federal. Não se trata de "resolver o problema, mas sim de lidar com as consequências de uma decisão catastrófica", disse. Carney é peremptório: sem um acordo, o governo federal vai ter de fazer "escolhas terríveis" quanto àquilo que deve pagar primeiro. "Não há alternativa. Ou se cumprem as obrigações ou não, e, se não, terão de ser feitas escolhas quanto a dívidas a pagar", referiu o porta-voz da Casa Branca.
Jornal I
Fusão de galáxias não acende buracos negros
Até agora acreditava-se que durante uma fusão o material perturbado se tornava o combustível do buraco negro
Uma equipa de cientistas descobriu que a maioria dos buracos negros no centro das galáxias nos últimos 11 mil milhões de anos não se tornaram activos devido a fusões de galáxias, como se pensava até agora. Esta conclusão consta de um estudo realizado por cientistas internacionais publicado na revista da especialidade "Astrophysical Journal". O objectivo era descobrir a origem "do material que activa o buraco negro adormecido que origina violentas explosões no centro da galáxia, tornando-se um núcleo activo de galáxia".
Até agora, os astrónomos achavam que a maioria destes núcleos activos se "acendia" quando se dava uma fusão de duas galáxias ou quando duas galáxias passavam muito perto uma da outra e o material perturbado se tornava o combustível do buraco negro central. O novo estudo indica que "a ideia pode estar errada". A equipa de cientistas descobriu que "os núcleos activos são encontrados maioritariamente em galáxias com massa muito elevada, que contém muita matéria escura". No estudo publicado ontem é referido que a "maior parte dos núcleos activos se encontra em galáxias com massas cerca de 20 vezes maiores que o previsto pela teoria da fusão". "Estes novos resultados abrem uma nova janela sobre como os buracos negros de grande massa iniciam as suas refeições", adiantou Viola Allevato, autora principal do artigo. A cientista referiu ainda que "os resultados indicam que os buracos negros são normalmente alimentados por processos gerados no interior da própria galáxia, como instabilidade do disco e formação estelar violenta, em oposição a colisões de galáxias".
Jornal I (14 Set)
FBI investiga Ruper Mordock
O FBI anunciou que irá iniciar uma investigação ao magnata Ruper Mordoch e ao seu império News Corp para saber se também houve escutas ilegais nos EUA a familiares de vítimas do 11 de Setembro.
A investigação surge depois de familiares de vítimas dos atentados de 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque terem manifestado essa suspeita.
Também vários senadores norte-americanos pressionaram as autoridades norte-americanas para que a investigação fosse levada a cabo.
“Estamos a examinar as acusações que estão na carta de Peter King” [senador republicano], afirmou uma fonte oficial do FBI citada por diversos jornais dos EUA.
Robert King afirma que jornalistas que trabalhavam para o jornal “News of the World” solicitaram à polícia de Nova Iorque acesso aos arquivos telefónicos das vítimas do 11 de Setembro.
Entretanto, Rupert Murdoch vai ao Parlamento britânico responder a perguntas dos deputados sobre as escutas ilegais que levaram ao encerramento do jornal News of the World, depois de ter sido intimado a comparecer.
Rupert Murdoch tinha sido convocado para comparecer perante o comité de Cultura, Media e Desporto do Parlamento britânico, na próxima terça-feira, mas inicialmente recusou. O presidente do comité, John Whittingdale, recorreu então à intimação, que abrange o magnata e o seu filho, James Murdoch, bem como Rebekah Brooks, a directora-executiva da News International.
O comité é responsável pelo inquérito parlamentar sobre as escutas ilegais nos jornais detidos por Murdoch que visaram diversos políticos, membros da família real e vítimas de crimes. Whittingdale sublinhou, em declarações à estação de televisão Sky News, que esta será a primeira vez que Rupert e James Murdoch responderão a questões sobre o escândalo das escutas ilegais. “Espero que levem este comité parlamentar a sério e que dêem respostas que não só nós mas muitas pessoas querem ouvir”, adiantou.
Rupert Murdoch tinha manifestado indisponibilidade para comparecer, e também James Murdoch procurara ganhar tempo. “Não posso ir na terça-feira, mas terei todo o gosto em responder ao comité nos dias 10 ou 11 de Agosto. Se a data não for conveniente, estou disponível para considerar outras alternativas”, explicou. Só Rebekah Brooks já tinha confirmado a sua presença na terça-feira, mas ressalvando que, por estar em curso uma investigação policial, vai abster-se de “discutir certas matérias em detalhe”.
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, já tinha defendido que Rupert Murdoch deveria apresentar-se perante o comité, e também o líder dos liberais-democratas que integram a coligação governamental, Nick Clegg, considerou que “se [Murdock] tem sentido de responsabilidade deve explicar-se”. A família Murdoch acabou por garantir, numa carta dirigida ao comité parlamentar, que irá estar presente e pretende colaborar.
Detenções prosseguem
Em Londres prosseguem as investigações sobre as escutas ilegais, que nesta quinta-feira levaram à detenção de Neil Wallis, antigo director executivo do News of the World. Ao início da manhã a Scotland Yard anunciou a detenção de “um homem de 60 anos” por envolvimento no caso das escutas ilegais. Mais tarde, vários órgãos de informação britânicos adiantaram tratar-se de Neil Wallis, que de 2003 a 2007 trabalhou directamente com Andy Coulson, então chefe de redacção do tablóide britânico.
Coulson tornou-se depois o director de comunicação do primeiro-ministro britânico, David Cameron, mas veio a demitir-se em Janeiro, na sequência deste escândalo, que no início deste mês atingiu novas proporções: a 4 de Julho, foi revelado que o telemóvel de uma adolescente que tinha sido assassinada, Milly Dowler, foi alvo de escutas. Algumas mensagens do telemóvel foram apagadas, o que levou os familiares a pensar que ela ainda estaria viva.
In jornal "Publico,"14Set.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Martin Scorcese: depois dos Stones, é George Harrison
George Harrison: Living in the Material World
Agora é oficial: tanto o documentário do Scorsese quanto o anthology pessoal do beatle mais magro foram anunciados para o início do próximo mês de outubro.
Rupert Murdoch disse hoje que vai prestar esclarecimentos ao Parlamento britânico. O magnata, dono do grupo News Corporation que detinha o jornal News of The World, revelou estar disponível para comparecer à audiência convocada pela comissão dos media da “Câmara dos Comuns”, para a próxima terça-feira.
O Parlamento pretende ver esclarecida, pela administração daquele grupo, a questão das escutas ilegais praticadas pelo News of The World, que fechou depois do escândalo ter vindo a público.
Além de Rupert Murdoch, os deputados britânicos convocaram também o seu filho, James Murdoch, presidente do grupo, e Rebekah Brooks, directora-geral da News International, filial britânica da News Corp. No entanto, apenas Brooks comparecerá na audiência da próxima terça-feira.
O escândalo com o News of The World fez com que a News Coporation retirasse ontem a oferta de compra da maioria das acções da rede televisiva British Sky Broadcasting (BSkyB). A administração recuou na proposta de aquisição das estações horas antes da votação no Parlamento de moção contra a operação.
O Puro Pássaro O Portugal Futuro
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Portugal: "rating or not rating?", ou a crise das dívidas soberanas
| O Banco Português de Negócios, um dos intervenientes nesta crise, pelos enormes buracos financeiros que criou |
Existe alguma confusão acerca do que se está a passar na zona euro. Não existe nenhuma crise do euro. O que se está a passar são “crises das dívidas soberanas”, se quisermos ser mais exactos, o que é uma coisa bem diferente. A moeda única continua forte, até demais, está entre as moedas mais fortes do mundo, com uma cotação acima do dólar, prejudicando de certa forma certas economias em dificuldade, que querendo fazer algum “dumping”, isto é, baixar o valor facial da moeda para facilitar as transacções e exportações (pois venderiam mais barato), como o tem feito a China, não o pode fazer, por estar presa às regras apertadas do sistema financeiro da União Europeia.
A UE é composta por vinte e sete países. É o maior projecto de bem-estar social comum-Welfare State- alguma vez experimentado pelo homem. Nos últimos cinquenta anos, após a II Grande Guerra, foi capaz de produzir os mais altos índices de conforto, inovação, riqueza, reformas e futuro garantido para milhões de cidadãos europeus. Alguns, poucos, como a Suécia, UK, Dinamarca, não aderiram à moeda única, e dentro daqueles que aderiram, só três, a saber: a Grécia, Portugal, a Irlanda e a Espanha (esta, sim e não), estão verdadeiramente em dificuldades. Portugal e a Grécia, viram na integração a galinha dos ovos de ouro que lhes iria catapultar para a esfera dos países mais ricos da Europa. Na Grécia, o patinho feio deste triunvirato, isto teve o efeito perverso de forma gigantesca e catastrófica, pois estes cavalheiros entretiveram-se a enganar tudo quanto era autoridade financeira mundial, apresentando números e orçamentos conspurcados e vivendo daquilo que não tinham. A Espanha é uma economia poderosa, com outra dinâmica, que mais facilmente contraria a tendência de afundamento e tem alguma protecção da Alemanha e do Banco Central Europeu, pois sabem que se a Espanha afunda será a catástrofe anunciada. A Irlanda tem uma crise bancária, que vem tentando resolver como pode.
O caso português é diferente. Se nos cingirmos à história dos últimos 30 anos, Portugal teve uma oportunidade de ouro para dar o grande salto em frente, quando após a integração na CEE, na década de oitenta (segunda metade) recebeu milhões e milhões de euros de fundos estruturais, para ajuda a empreendimentos, pontes, auto estradas, projectos de arquitectura e engenharia com financiamento da CEE, e realizações e formação empresariais. Concomitantemente as privatizações também renderam ao Estado milhões de euros. Isto criou nos portugueses uma sensação de riqueza (e realmente houve). Mas em vez de apostar forte na educação e na reconversão da economia, envolveu-se em débeis reformas e mais reformas da educação, todas frustradas e más, abandonou a agricultura e as pescas, por imposição da CEE e do seu sistema de quotas, e não tornou a indústria verdadeiramente competitiva, fazendo as transformações e fornecendo atractivos e facilidades aos grandes investimentos que se impunham e continuando a resguardar-se debaixo do guarda-chuva do Estado proteccionista. Ao invés, construiu uma rede de auto estradas iníquas e sem aproveitamento, fracas e de segunda categoria, dando de bandeja lucros fabulosos às construtoras. Quando acontece a queda do muro de Berlim, a implosão da URSS e a abertura da Ásia com os seus
mercados baratos e a sua mão-de-obra escrava, as grandes empresas multinacionais mudam-se para os países do Leste e para a Ásia, ficando Portugal com o menino nos braços, quero dizer sem agricultura, sem pescas e sem indústria. Somando a isto a ameaça dos países emergentes como a Brasil e a Índia, que lutam pelos mercados e apresentam bons índices de desenvolvimento, Portugal fica com um grave problema entre mãos.
Nos últimos anos, quando se poderia travar a queda em espiral, os dirigentes portugueses ficam cegos com a ânsia de “obras do regime” e disparam com empreendimentos megalómanos, arrastando sempre consigo grandes prejuízos para o Estado. É o regabofe das instituições e fundações, dos aconselhamentos e “advisers”, das “consulting firms” a preços faraónicos, das empresas mistas- as sociedades entre o Estado e entidades particulares que só trazem prejuízo para o erário público- são as obras públicas que sempre apresentam um enorme buraco e onde frequentemente acontecem derrapagens para além do orçamento inicial, etc, etc, etc. Portugal vai assim acumulando um défice macrocéfalo das contas públicas, ao mesmo tempo que se vai endividando nas instituições financeiras internacionais, pagando os altíssimos juros correspondentes. Some-se a isto o envelhecimento da população portuguesa e o aumento dos encargos do estado social, as gigantescas despesas com a saúde e o fraco Produto Interno Bruto (PIB) e temos o cocktail explosivo pronto a deflagrar.
Chegados que estamos aos anos da graça de 2010/2011, começam a soar os alarmes por todos os cantos e já não há dinheiro para mais nada.
Entretanto surge no terreno a grande pecha, o actor que realmente vai ditar o jogo e dar as cartas, e que são as grandes agências de notação financeira internacional. São elas de seu nome completo: Moody´s, Standard & Poor’s, e Fitch. Três grandes e poderosíssimas agências de “rating” que vêm tirando o sono aos portugueses.
E então que fazem estes senhores? Dão notas e avaliam o grau de risco que corre um credor ou investidor quando pensa comprar títulos da dívida pública aos países que precisam de se financiar. Montam um gráfico que vai do Triplo A ao lixo, e vão descendo implacavelmente, aplicando “downgrades” sucessivos conforme acham que é merecido. Resulta daqui que, à medida que vai descendo a avaliação que estes senhores fazem às economias em crise, mais vão
apertando o garrote, criando o ambiente necessário para que seja cortado o financiamento a esses países e obrigando-os à bancarrota, a entrar em “dafault”, que significa incumprimento ou incapacidade de pagar as dívidas contraídas, que é o caso da Grécia e do momento em que esta se encontra, e desconfia-se que é o caminho que Portugal vai seguir. Resta à Grécia pedir sucessivos financiamentos ao FMI, perguntando-se como irá pagar as astronómicas quantias de taxas de juro. Já vai no segundo empréstimo de 100 milhões de euros e não sabe quando irá parar.
Bom, mas qual é a solução para esta enorme e perigosa embrulhada? As economias funcionam como um sistema de vasos comunicantes e o efeito colateral por arrastamento e contágio poderá afetar outras economias da zona euro.
Diz o multimilionário americano George Soros, por excelêncio maior investidor em produtos da bolsa: “Trata-se apenas de uma luta entre sistemas ricos e pobres e os ricos estão a ganhar.” Apenas isto, nú e crú.
A Alemanha e a França, o eixo franco-alemão, o Banco Centra Europeu e a Comissão Europeia têm as rédeas da carruagem e podem reverter a direcção do comboio e evitar o descarrilamento. O BCE pode intervir conforme alguns economistas advogam, e instituir um sistema de “eurobonds”, que sãom obrigações de renda fixa, mas até agora tem a oposição da Alemanha que se vê farta e desesperada para deixar de apoiar as economias periféricas, com sucessivos “bailouts” e injecções de capital.
Outra solução de que também se fala consiste em a EU criar as suas próprias agências de avaliação, como inteligentemente já fez a China, para não ficar dependente dos parâmetros americanos.
Portugal entra em crise de nervos, pois há dois dias que a agência Moody´s baixa o rating português e dos bancos nacionais para lixo.
Em Portugal, não se compreende como a Comissão Europeia continua apática e em letargia total, perante o assalto e a verdadeira pirataria destas agências americanas.
Haverá outras soluções mas todas passam pela intervenção do BCE e da Alemanha, na pessoa da Chanceler Angela Merkel.
Vamos esperar para ver.
José Luis Ferreira
Queluz, 7 de Julho de 2011
Violador, ou nem por isso?
O caso Dominique Srauss-Kahn recorda-me um outro, passado há alguns anos e que ainda muita gente se deve lembrar. Refiro-me ao julgamento do facínora O. J. Simpson, ex-astro da NFL, a liga americana de futebol profissional, assassino confesso da esposa Nicole Brown Simpson e do amante desta, Ronald Goldman.
E como posso estabelecer alguma ligação entre os dois actos?
Há dias vi e ouvi a entrevista de Oprah Winfrey a Mark Furham, o polícia que primeiro chegou ao local do crime e contactou com as provas do assassínio. Em traços largos e salvo alguns lapsos de memória foi isto que retive do trabalho de O.W.. Fora os erros da colheita das provas cometidos pelos polícias e as longas e tumultuosas peripécias do julgamento, fiquemos pelo essencial:
M.F.: - fui chamado pelo departamento da LAPD, pelo telefone, atendi e comunicaram-me que ele estava em fuga. Quando chegamos ao local do crime, era tão evidente, estava tudo tão claro e não havia buraco nenhum que a história corria à nossa frente.
O.W.: - sabe, eu não tenho dúvidas nenhumas que O.J. matou os dois, mas olhe, quando começou o julgamento, eu estava em casa, junto ao meu companheiro, Stedman, e o que ele me disse foi: - ele vai safar-se, não vão conseguir prendê-lo.
M.F.: - a partir do momento em que este caso caiu na imprensa e foi mediatizado como foi, acabou, só interessava o que passava para a imprensa e a forma como esta o tratava e chegava às pessoas.
O.W. : houve uma altura nos USA, em que as opiniões estavam tão radicalizadas, que num encontro a dois, se ambos não tivessem a mesma opinião, melhor seria terminar aí o encontro.
Mas onde pretendo eu chegar?
O caso D.S.K. também me pareceu tão lógico, tão facilmente apreensível, que não tive dúvidas sobre a culpabilidade de D.S.K.. Strauss-Kahn tinha fama de conquistador e predador sexual, já tivera uma queixa de uma escritora e jornalista francesa que lhe chamou de “macaco com cio,” mas que fora entretanto retirada. Também foram detectados vestígios de esperma do homem, nas roupas da “maid” do Hotel Sofitel em NYC. No início do julgamento formou-se uma manifestação de “maids” dos hotéis, à porta do tribunal, à entrada de D.S.K.
Mas entretanto, nos últimos dias, há um volte face e a acusadora passa de vítima a criminosa provocadora, prostituta, passadora de droga, amante de um profissional do mesmo ramo e com uma conta bancária choruda, com depósitos feitos recentemente pelo suposto marido. O procurador de Manhattan, Cyrus Vance não consegue sustentar a credibilidade da mulher, o processo parece abanar, e correm rumores de que a queixa contra DSK vai acabar por ser retirada.
Ao mesmo tempo, a jornalista francesa Tristane Banon, que passou estes anos todos (seis) a tentar esquecer o assunto, volta acompanhada da mãe, que carrega nas tintas e chama não sei quê ao violador, quer reabrir o caso, pois segundo a lei francesa só prescreve ao fim de dez anos.
Parece-me que, há muito jogo de bastidores neste, como no caso O.J. Simpson. No caso O.J. pesou a opinião pública, concretamente a comunidade negra, que atemorizou o júri e que fez de tudo aquilo um braço de ferro, onde poderiam lavar a face e mostrar as garras ao poder, representado pela comunidade branca dos EUA.
Forças muito poderosas se agitam. DSK é um homem com um carisma extraordinário e o próprio Jack Lang vem defender a honra e o direito supremo de DSK se candidatar à presidência de França. A imprensa e a opinião pública francesa tomam o caso como uma injustiça praticada pelos brutamontes americanos, e querem salvar o orgulho francês, vilmente atacado , vilipendiado e insultado.
Cyrus Vance, o procurador de Nova York, filho do ex-secretário de estado da presidência de Jimmy Carter resiste, mas está capturado pela esmagadora pressão internacional e já se percebeu qual vai ser o desfecho de tudo isto.
José Luis Ferreira
Queluz, 7 Julho de 2010
E como posso estabelecer alguma ligação entre os dois actos?
Há dias vi e ouvi a entrevista de Oprah Winfrey a Mark Furham, o polícia que primeiro chegou ao local do crime e contactou com as provas do assassínio. Em traços largos e salvo alguns lapsos de memória foi isto que retive do trabalho de O.W.. Fora os erros da colheita das provas cometidos pelos polícias e as longas e tumultuosas peripécias do julgamento, fiquemos pelo essencial:
M.F.: - fui chamado pelo departamento da LAPD, pelo telefone, atendi e comunicaram-me que ele estava em fuga. Quando chegamos ao local do crime, era tão evidente, estava tudo tão claro e não havia buraco nenhum que a história corria à nossa frente.
O.W.: - sabe, eu não tenho dúvidas nenhumas que O.J. matou os dois, mas olhe, quando começou o julgamento, eu estava em casa, junto ao meu companheiro, Stedman, e o que ele me disse foi: - ele vai safar-se, não vão conseguir prendê-lo.
M.F.: - a partir do momento em que este caso caiu na imprensa e foi mediatizado como foi, acabou, só interessava o que passava para a imprensa e a forma como esta o tratava e chegava às pessoas.
O.W. : houve uma altura nos USA, em que as opiniões estavam tão radicalizadas, que num encontro a dois, se ambos não tivessem a mesma opinião, melhor seria terminar aí o encontro.
Mas onde pretendo eu chegar?
O caso D.S.K. também me pareceu tão lógico, tão facilmente apreensível, que não tive dúvidas sobre a culpabilidade de D.S.K.. Strauss-Kahn tinha fama de conquistador e predador sexual, já tivera uma queixa de uma escritora e jornalista francesa que lhe chamou de “macaco com cio,” mas que fora entretanto retirada. Também foram detectados vestígios de esperma do homem, nas roupas da “maid” do Hotel Sofitel em NYC. No início do julgamento formou-se uma manifestação de “maids” dos hotéis, à porta do tribunal, à entrada de D.S.K.
Mas entretanto, nos últimos dias, há um volte face e a acusadora passa de vítima a criminosa provocadora, prostituta, passadora de droga, amante de um profissional do mesmo ramo e com uma conta bancária choruda, com depósitos feitos recentemente pelo suposto marido. O procurador de Manhattan, Cyrus Vance não consegue sustentar a credibilidade da mulher, o processo parece abanar, e correm rumores de que a queixa contra DSK vai acabar por ser retirada.
Ao mesmo tempo, a jornalista francesa Tristane Banon, que passou estes anos todos (seis) a tentar esquecer o assunto, volta acompanhada da mãe, que carrega nas tintas e chama não sei quê ao violador, quer reabrir o caso, pois segundo a lei francesa só prescreve ao fim de dez anos.
Parece-me que, há muito jogo de bastidores neste, como no caso O.J. Simpson. No caso O.J. pesou a opinião pública, concretamente a comunidade negra, que atemorizou o júri e que fez de tudo aquilo um braço de ferro, onde poderiam lavar a face e mostrar as garras ao poder, representado pela comunidade branca dos EUA.
Forças muito poderosas se agitam. DSK é um homem com um carisma extraordinário e o próprio Jack Lang vem defender a honra e o direito supremo de DSK se candidatar à presidência de França. A imprensa e a opinião pública francesa tomam o caso como uma injustiça praticada pelos brutamontes americanos, e querem salvar o orgulho francês, vilmente atacado , vilipendiado e insultado.
Cyrus Vance, o procurador de Nova York, filho do ex-secretário de estado da presidência de Jimmy Carter resiste, mas está capturado pela esmagadora pressão internacional e já se percebeu qual vai ser o desfecho de tudo isto.
José Luis Ferreira
Queluz, 7 Julho de 2010
Maria José Nogueira Pinto (1952/2011)
Gostei da atitude dos adversários políticos da Dra. Maria José Nogueira Pinto ((1952/2011), no Parlamento, que de voz embargada e lágrimas nos olhos fazem o elogio público da doutora, que de forma combativa e frontal, sempre se empenhou em defender os seus ideais políticos e religiosos. Também eu aprendi bastante com as suas intervenções na TV, segui-a às vezes do outro lado da barricada, mas sempre inspirado e rendido á sua beleza de menina traquina. Paz à sua alma.
Dizer apenas mais qualquer coisa acerca da Dra Mra. José:
-Para aqueles que não a conheceraram e acham que a política é apenas para os oportunistas e feita por um bando de chacais, saibam que com a nossa dra. as coisas não eram bem assim. A sua dignidade era tanta, que ela, até aos últimos dias de vida compareceu no seu lugar de bancada no parlamento, já cadavérica, arrastando a máscara da doença e da morte, demonstrando a todos como se é uma grande mulher. E também me lembro de a ver no programa do Mário Crespo, a debater com o Francisco Assis, seu adversário político, observada e respeitada pelo seu débil estado físico, ali no seu posto de combate, por detrás de duas pupilas emsombradas pela morte. Na verdade sinto o seu passamento como se de um familiar se tratasse. Paz eterna para a minha Doutora.J.L.F.
"O Prazer do Texto", por Roland Barthes
Estar com quem se ama e pensar em outra coisa: é assim que tenho os meus melhores pensamentos, que invento melhor o que e necessário ao meu trabalho. O mesmo sucede com o texto: ele produz em mim o melhor prazer se consegue fazer-se ouvir indiretamente; se, lendo- o, sou arrastado a levantar muitas vezes a cabeça, a ouvir outra coisa. Não sou necessariamente cativado pelo texto de prazer; pode ser um ato ligeiro, complexo, tênue, quase aturdido: movimento brusco da cabeça, como o de um pássaro que não ouve nada daquilo que nós escutamos, que escuta aquilo que nós não ouvimos.
Roland Barthes ("O prazer do texto")
Roland Barthes ("O prazer do texto")
Os Guardiões do Templo
Vejo e oiço "A quadratura do círculo". É um bom programa sobre a política nacional. Pacheco Pereira, céptico, critica tudo o que mexe; António Costa, polido e consensual, elogia, critica quando pode, dá força ao novo governo e espera para ver. É um gentleman. Os outros também o são. Lobo Xavier, agora de dentro do monstro, defende como um leão a sua coligação. É interessante ver a mudança de papéis e de atitudes: quem atacava agora defende e quem defendia agora ataca com armamento pesado.
Já se percebeu que não vamos para a frente se não se alterar a Constituição da República, a nossa Magna Carta, em certos aspectos fundamentais que entravam e emperram o funcionamento do Estado. Já se viu que vai ter que haver mexidas a sério. Portugal tem que sair do espartilho de uma constituição de matriz socialista e revolucionária para entrar de corpo inteiro na economia de mercado aberta e liberal. Mas tem que primeiro gerar riqueza. Lá mais para a frente, quando o mercado criar riqueza novamente, a meu ver, deveriamos então voltar para um novo programa do tipo sueco ou nórdico em que o Estado garante todas as falhas e percalços que possam acontecer ao cidadão.
Em Portugal, sempre que se fala em mexer na Constituição, logo saltam dois ou três senhores, sábios doutores e jubilados professores, em defesa do "status quo. Fazem-no com uma atitude passadista, anacrónica e pouco sadia, como se fossem eles os guardiões e donos da Constituição. Sabemos que foram eles que, na sua imensa sabedoria e competência a elaboraram. Mas parece-me que apenas vamos adiando o inevitável, atrasando o que já é impossivel travar. São necessárias medidas de fundo que exigem um amplo consenso nacional, coragem e atitudes com sentido prático e verdadeiramente visionárias.
J.L.F.
Já se percebeu que não vamos para a frente se não se alterar a Constituição da República, a nossa Magna Carta, em certos aspectos fundamentais que entravam e emperram o funcionamento do Estado. Já se viu que vai ter que haver mexidas a sério. Portugal tem que sair do espartilho de uma constituição de matriz socialista e revolucionária para entrar de corpo inteiro na economia de mercado aberta e liberal. Mas tem que primeiro gerar riqueza. Lá mais para a frente, quando o mercado criar riqueza novamente, a meu ver, deveriamos então voltar para um novo programa do tipo sueco ou nórdico em que o Estado garante todas as falhas e percalços que possam acontecer ao cidadão.
Em Portugal, sempre que se fala em mexer na Constituição, logo saltam dois ou três senhores, sábios doutores e jubilados professores, em defesa do "status quo. Fazem-no com uma atitude passadista, anacrónica e pouco sadia, como se fossem eles os guardiões e donos da Constituição. Sabemos que foram eles que, na sua imensa sabedoria e competência a elaboraram. Mas parece-me que apenas vamos adiando o inevitável, atrasando o que já é impossivel travar. São necessárias medidas de fundo que exigem um amplo consenso nacional, coragem e atitudes com sentido prático e verdadeiramente visionárias.
J.L.F.
Welcome to the Jungle!
O Peixe de Águas Profundas
O contraste da nova presidente com Jaime Gama, o presidente cessante, não podia ser maior. Diplomata de carreira e político profissional, de uma competência inultrapassável e de honestidade à prova de bala, Gama impunha o seu estilo pausado, polido, sério e sorumbático, com uma dicção particular, marcando e sublinhando com cadência cada sílaba e cada palavra de um discurso teórico, pensado, altamente intelectualizado e refinado. Como alguém um dia lhe chamou “o peixe de águas profundas”.
J.L.F.
Um Homem de Honra
Fernando Nobre é um homem de honra. Não tenho dúvidas nenhumas que saberia desempenhar o cargo de Presidente da Assembleia da República com sabedoria, bom senso e equidade. Erros cometem todos, até o mais tarimbado dos deputados. Robespierre também errava como os outros.
Uma simples frase sentenciou-o, aniquilou-o e matou-o politicamente. Mas o que disse F. Nobre? Apenas isto: “-se for para o Parlamento, só para o cargo de Presidente e nunca para deputado.”
O fantasma da Maçonaria passeou hoje pelos claustros e pelas arcadas do Parlamento. Soubemos esta manhã que F. Nobre é maçónico, como o são a grande parte dos nossos dirigentes. Ou dessa sociedade exclusiva e reservada ou então da Opus Dei.
O que hoje se passou nas votações dos grupos parlamentares e nos Passos Perdidos, se por um lado demonstra a maturidade e o civismo da democracia portuguesa, (na Mongólia, na Colômbia ou no Cazaquistão voariam cadeiras, e haveria cabeças partidas), por outro põe a nu o desacerto e fragilidade da coligação. E a ingenuidade de Passos Coelho. Portas fritou-o em lume brando e mastigou-o com requintes de malvadez.
Faltou afinação à máquina política. Faltou sentido político e estratégia conjunta.
Foi pungente assistir ao espectáculo da humilhação pública de um homem de honra. Fica a lição para o futuro. Um médico de craveira internacional, presidente da AMI, com um extenso currículo de ajuda humanitária por zonas de conflito armado agudo no mundo, deveria ter maior sentido de permanência na sua profissão. Ainda teria um longo caminho a percorrer, estou certo. Trabalho não lhe faltaria. Mas o chamamento do serviço público poderá ter pesado e ser mais forte.
Não serei eu a julgá-lo nem lhe atirarei a primeira pedra.
J.L.F.
Uma simples frase sentenciou-o, aniquilou-o e matou-o politicamente. Mas o que disse F. Nobre? Apenas isto: “-se for para o Parlamento, só para o cargo de Presidente e nunca para deputado.”
O fantasma da Maçonaria passeou hoje pelos claustros e pelas arcadas do Parlamento. Soubemos esta manhã que F. Nobre é maçónico, como o são a grande parte dos nossos dirigentes. Ou dessa sociedade exclusiva e reservada ou então da Opus Dei.
O que hoje se passou nas votações dos grupos parlamentares e nos Passos Perdidos, se por um lado demonstra a maturidade e o civismo da democracia portuguesa, (na Mongólia, na Colômbia ou no Cazaquistão voariam cadeiras, e haveria cabeças partidas), por outro põe a nu o desacerto e fragilidade da coligação. E a ingenuidade de Passos Coelho. Portas fritou-o em lume brando e mastigou-o com requintes de malvadez.
Faltou afinação à máquina política. Faltou sentido político e estratégia conjunta.
Foi pungente assistir ao espectáculo da humilhação pública de um homem de honra. Fica a lição para o futuro. Um médico de craveira internacional, presidente da AMI, com um extenso currículo de ajuda humanitária por zonas de conflito armado agudo no mundo, deveria ter maior sentido de permanência na sua profissão. Ainda teria um longo caminho a percorrer, estou certo. Trabalho não lhe faltaria. Mas o chamamento do serviço público poderá ter pesado e ser mais forte.
Não serei eu a julgá-lo nem lhe atirarei a primeira pedra.
J.L.F.
O arco da governação
O Partido Comunista Português não é um partido de governo. Não pertence ao arco da governação. Mas é uma força de enorme importãncia no nosso espectro político, pelas suas reivindicações muito justas, atendento às necessidades básicas dentro da sociedade portuguesa. Mantém o equilibrio de poderes, sendo travão e oferecendo resistência aos desvarios e egoismos dos grandes interesses e monopólios, e não tenho dúvidas nenhumas que quase sempre está ao lado das franjas mais desfavorecidas da sociedade.
Dou um pequeno exemplo: já viram as diferenças de meios e recursos que são postos à disposição dos outros partidos políticos nas conferências, confraterizações, almoços, jantares, congressos? É a loiça de Vista Alegre ou de Limoges, são os copos de cristal da Bohémia, é o catering, são as meninas para recepcionar os convidados, são as flores, é um nunca mais acabar de sofiscação e despesismo. E são ainda as grandes produções e meios publicitários, o marketing, a construção da imagem dos candidatos, eu sei lá!
Será que há mesmo dinheiro para isso tudo? Será que isso corresponde à riquesa real do país? Já vimos que não.
Por outro lado o PCP, quando organiza almoços, festas, quermesses e encontros políticos, é sempre tudo dentro da maior frugalidade, sendo os próprios militantes a ajudar na feitura dos petiscos, em tachos e panelas de alumínio vulgar, são eles próprios que levantam e arrumam as mesas nos congressos com trabalho voluntário, os cartazes e placards são pintados á mão e é todo um mar de exemplos de contenção e uso dos recursos do dia a dia.
É caso para pensar quem está do lado da razão. É tempo de se fazer alguma justiça.
Queluz, 21 de Maio de 2011
J.L.F.
Dou um pequeno exemplo: já viram as diferenças de meios e recursos que são postos à disposição dos outros partidos políticos nas conferências, confraterizações, almoços, jantares, congressos? É a loiça de Vista Alegre ou de Limoges, são os copos de cristal da Bohémia, é o catering, são as meninas para recepcionar os convidados, são as flores, é um nunca mais acabar de sofiscação e despesismo. E são ainda as grandes produções e meios publicitários, o marketing, a construção da imagem dos candidatos, eu sei lá!
Será que há mesmo dinheiro para isso tudo? Será que isso corresponde à riquesa real do país? Já vimos que não.
Por outro lado o PCP, quando organiza almoços, festas, quermesses e encontros políticos, é sempre tudo dentro da maior frugalidade, sendo os próprios militantes a ajudar na feitura dos petiscos, em tachos e panelas de alumínio vulgar, são eles próprios que levantam e arrumam as mesas nos congressos com trabalho voluntário, os cartazes e placards são pintados á mão e é todo um mar de exemplos de contenção e uso dos recursos do dia a dia.
É caso para pensar quem está do lado da razão. É tempo de se fazer alguma justiça.
Queluz, 21 de Maio de 2011
J.L.F.
O pós-pessimismo (do Blog "A Lei Seca")
Assim como os sociólogos falam de «pós-materialismo», também existe um
«pós-pessimismo». O pós-materialismo supõe uma sociedade que genericamente tem
assegurada a sua subsistência e que por isso se dedica a questões não-materiais.
O pós-pessimismo supõe um estado de coisas em que a hipótese pessimista se
confirmou, e por isso o pessimismo já não é um espectro mas uma condição. E isso
liberta a cabeça para pensar noutros assuntos. Assim como os sociólogos falam de «pós-materialismo», também existe um «pós-pessimismo». O pós-materialismo supõe uma sociedade que genericamente tem assegurada a sua subsistência e que por isso se dedica a questões não-materiais. O pós-pessimismo supõe um estado de coisas em que a hipótese pessimista se confirmou, e por isso o pessimismo já não é um espectro mas uma condição. E isso liberta a cabeça para pensar noutros assuntos.
«pós-pessimismo». O pós-materialismo supõe uma sociedade que genericamente tem
assegurada a sua subsistência e que por isso se dedica a questões não-materiais.
O pós-pessimismo supõe um estado de coisas em que a hipótese pessimista se
confirmou, e por isso o pessimismo já não é um espectro mas uma condição. E isso
liberta a cabeça para pensar noutros assuntos. Assim como os sociólogos falam de «pós-materialismo», também existe um «pós-pessimismo». O pós-materialismo supõe uma sociedade que genericamente tem assegurada a sua subsistência e que por isso se dedica a questões não-materiais. O pós-pessimismo supõe um estado de coisas em que a hipótese pessimista se confirmou, e por isso o pessimismo já não é um espectro mas uma condição. E isso liberta a cabeça para pensar noutros assuntos.
Escandalizado, eu?
Não conheço o sistema de justiça americano. Não sou advogado, nem constitucionalista, nem juiz, nem especialista em direito penal. Apenas me considero um observador atento e um cidadão com opiniões. Como toda a gente, também me choca a brutalidade e a aplicação da justiça com base na força coerciva.
Mas não vivo na América, e nunca me vou confrontar com nenhum Timothy McVeigh, ou com um serial killer que se escondia com o sobrinho na mala de um Chevrolet e disparava com um riffle de longo alcance, munido de mira telescópica, contra os transeuntes inocentes.
Tiremos portanto ilações e façamos juízos valorativos com base na análise do local e do tempo.
Em Portugal, os nossos cérebros bem pensantes, os nossos jornalista e intelectuais, cheios de boas intenções e brandos costumes estão muito chocados com a circunstância de a imagem pública do sr. Dominique Strauss-kahn estar a ser violentada, e com o espectáculo tenebroso das algemas e da guarda cerrada de quatro ou cinco agentes do FBI, ou da Unidade de Policia da Cidade de Nova York, sobre DSK.
Quer isto dizer que permanece em mim uma dúvida sistemática.
Que é mais justo? Uma justiça como a americana, punitiva, sim, e com pouca preocupação com a regeneração dos detidos (também falível e injusta demasiadas vezes), mas com tribunais de júri, bem estruturada, sólida, aplicada em tempo útil a partir de outros casos já estudados, com base em regras e leis perfeitamente especificadas e previamente delineadas, que trata da mesma maneira eficaz, embora de forma ríspida, o multimilionário Madoff, ou DSK - putativo candidato à presidência da república francesa - e o habitante do guetto mais sórdido de Chicago, Atlanta ou Filadélfia; ou por outro lado, uma justiça como a que se pratica em Portugal, ao gosto das elites endinheiradas, protectora dos ricos e repleta de acórdãos, habeas corpus, adiamentos, alçapões e rotas de escape por onde os advogados, caríssimos, ao serviço dos banqueiros, políticos ( principalmente destes) e “trusts” se possam escapar, com prazos extensos, dilatadíssimos e plasmados no tempo, para que suas excelências os indiciados, possam preparar em repouso e condignamente as suas defesas?
Suponhamos que este cenário se passava em Portugal. Um alto dignatário estrangeiro, um “fat cat,” como lhes chama B.Obama, da mesma estatura internacional e tão poderoso como DSK, permanecia alguns dias num dos nossos excelentes hotéis, no Ritz ou no Sheraton, (passe a publicidade), por exemplo. Cedendo aos seus instintos predatórios, ele caía sobre a empregada da suite. O resto poderão vocês imaginar. A mulher apresentava queixa e depois? Sabendo a polícia de quem se tratava, acham que alguém iria buscar o tubarão ao aeroporto, mais precisamente dentro da super confortável cabine executiva de um Boeing Triple Seven ou do 747, quando o suspeito se preparava para sair do país, em direcção ao seu onde não existe extradição para aquele onde foi cometido o crime e o apresentava à Justiça?
Acham mesmo? Bem poderemos sonhar toda a vida…
Em Portugal, comparativamente, garanto que nenhum banqueiro ou político iria preso sem direito a fiança, ou lhe era recusado aguardar o julgamento em liberdade, como neste caso, pelo simples facto de ter tentado molestar sexualmente uma mulher negra, empregada de hotel, mãe solteira, residente num subúrbio de NYC, em Brooklin, e vivendo nos EUA há apenas sete anos. Disso tenho tanta certeza como de estar aqui sentado a escrever, neste momento.
Aqui reside o nó do problema. Em Portugal não temos na Justiça uma verdadeira cultura democrática. Vejamos por exemplo como os americanos negoceiam as penas antes de ser decretada a sentença. Tudo às claras, na maior das normalidades. Em Portugal, faz-se o mesmo, mas à boca pequena e só na intimidade dos corredores e dos claustros.
Não queiram ser mais papistas que o papa. Não queiram ter a veleidade de pretender ser mais democráticos que os EUA. Não pretendam dar lições de Democracia à América. Nem a ninguém
José Luis Ferreira
Queluz, 19 de maio de 2011
Mas não vivo na América, e nunca me vou confrontar com nenhum Timothy McVeigh, ou com um serial killer que se escondia com o sobrinho na mala de um Chevrolet e disparava com um riffle de longo alcance, munido de mira telescópica, contra os transeuntes inocentes.
Tiremos portanto ilações e façamos juízos valorativos com base na análise do local e do tempo.
Em Portugal, os nossos cérebros bem pensantes, os nossos jornalista e intelectuais, cheios de boas intenções e brandos costumes estão muito chocados com a circunstância de a imagem pública do sr. Dominique Strauss-kahn estar a ser violentada, e com o espectáculo tenebroso das algemas e da guarda cerrada de quatro ou cinco agentes do FBI, ou da Unidade de Policia da Cidade de Nova York, sobre DSK.
Quer isto dizer que permanece em mim uma dúvida sistemática.
Que é mais justo? Uma justiça como a americana, punitiva, sim, e com pouca preocupação com a regeneração dos detidos (também falível e injusta demasiadas vezes), mas com tribunais de júri, bem estruturada, sólida, aplicada em tempo útil a partir de outros casos já estudados, com base em regras e leis perfeitamente especificadas e previamente delineadas, que trata da mesma maneira eficaz, embora de forma ríspida, o multimilionário Madoff, ou DSK - putativo candidato à presidência da república francesa - e o habitante do guetto mais sórdido de Chicago, Atlanta ou Filadélfia; ou por outro lado, uma justiça como a que se pratica em Portugal, ao gosto das elites endinheiradas, protectora dos ricos e repleta de acórdãos, habeas corpus, adiamentos, alçapões e rotas de escape por onde os advogados, caríssimos, ao serviço dos banqueiros, políticos ( principalmente destes) e “trusts” se possam escapar, com prazos extensos, dilatadíssimos e plasmados no tempo, para que suas excelências os indiciados, possam preparar em repouso e condignamente as suas defesas?
Suponhamos que este cenário se passava em Portugal. Um alto dignatário estrangeiro, um “fat cat,” como lhes chama B.Obama, da mesma estatura internacional e tão poderoso como DSK, permanecia alguns dias num dos nossos excelentes hotéis, no Ritz ou no Sheraton, (passe a publicidade), por exemplo. Cedendo aos seus instintos predatórios, ele caía sobre a empregada da suite. O resto poderão vocês imaginar. A mulher apresentava queixa e depois? Sabendo a polícia de quem se tratava, acham que alguém iria buscar o tubarão ao aeroporto, mais precisamente dentro da super confortável cabine executiva de um Boeing Triple Seven ou do 747, quando o suspeito se preparava para sair do país, em direcção ao seu onde não existe extradição para aquele onde foi cometido o crime e o apresentava à Justiça?
Acham mesmo? Bem poderemos sonhar toda a vida…
Em Portugal, comparativamente, garanto que nenhum banqueiro ou político iria preso sem direito a fiança, ou lhe era recusado aguardar o julgamento em liberdade, como neste caso, pelo simples facto de ter tentado molestar sexualmente uma mulher negra, empregada de hotel, mãe solteira, residente num subúrbio de NYC, em Brooklin, e vivendo nos EUA há apenas sete anos. Disso tenho tanta certeza como de estar aqui sentado a escrever, neste momento.
Aqui reside o nó do problema. Em Portugal não temos na Justiça uma verdadeira cultura democrática. Vejamos por exemplo como os americanos negoceiam as penas antes de ser decretada a sentença. Tudo às claras, na maior das normalidades. Em Portugal, faz-se o mesmo, mas à boca pequena e só na intimidade dos corredores e dos claustros.
Não queiram ser mais papistas que o papa. Não queiram ter a veleidade de pretender ser mais democráticos que os EUA. Não pretendam dar lições de Democracia à América. Nem a ninguém
José Luis Ferreira
Queluz, 19 de maio de 2011
A Cor da Minha Cútis
Há muitos, muitos anos, tantos que já se perdem na memória dos tempos, era eu um menino em idade escolar, vigorava em Angola uma disposição legal impondo que, em quase todos os documentos pessoais, surgisse um pequeno espaço em que deveríamos inscrever a nossa raça. Era no cartão escolar, na caderneta do liceu e no Bilhete de Identidade. Tínhamos, então, a fotografia habitual, com o busto ligeiramente de perfil e nunca de frente, e depois, como se não bastasse e todos fossemos cegos, e não percebêssemos o que éramos a partir da fotografia, lá tínhamos que colocar no espacinho em branco a dita raça de cada um. Era um trabalho penoso e estranho, arrepiante para uma criança e cujo significado e alcance eu nunca consegui perceber.
Tal hábito foi-se perdendo aos poucos, tornou-se obsoleto, extinguiu-se por caducidade e hoje é raro, muito raro o documento em que seja obrigatório agregar a ascendência genética. Apenas para actos clínicos, e em casos muito específicos, tal exigência ainda é formulada, hoje, ao cidadão português, e julgo que em nenhum país do mundo se pratica este uso. Talvez nas ditaduras fascistas da Coreia do Norte ou do Irão, o Estado adopte essa regra. Mesmo assim, duvido bastante.
As redes sociais abundam com pedidos de perfis, onde normalmente há apenas espaço para o credo religioso e de modo facultativo, isto é, poderemos ou não optar pela divulgação da nossa fé.
No Facebook, na construção do nosso perfil, a cor da pele é absolutamente ignorada. E é de leitura fácil e evidente, quando alguém de motu próprio, intencionalmente, assinala e vinca essa particularidade.
Portanto, depreende-se que a raça deixou de ser factor importante na avaliação das características e personalidade de cada um. E uma vez que normalmente colocamos a mais bonita foto do nosso “portfólio”, torna-se completamente redundante, despiciendo e irrelevante, que se faça uma chamada de atenção para esse facto.
Caio de cu quando vejo alguém usar este estratagema na rede social e sem que lhe seja pedido.
Cito: “OLHOS VERDES, CUTIS BRANCA”
Caio duas vezes quando constato que o artista é brasileiro.
É caso para dizer: é do telekuteku!
A raça e a cor da nossa pele nunca podem servir de factor para nos enaltecermos, ou para tentarmos tirar dividendos e vantagens acrescidas pelo facto de nascermos mais pretos ou mais albinos, amarelos, indianos ou caucasianos. Porque é uma variável aleatória do nosso nascimento, não é nada que tenhamos conquistado com esforço próprio, não é fruto do nosso trabalho e do nosso empenho, ou ainda do nosso carácter, se quiserem. Querer valorizar essa característica epidérmica, além de um acto cobarde, demonstra o mais baixo estofo moral, é um gesto abjecto e desprezível e que coloca quem o faz ao nível das bestas nazis, ou do apartheid. Foi durante o regime nazi, na Alemanha, que mais se glorificou a superioridade racial e os médicos de Josef Mengele experimentaram clarear os olhos da raça ariana, injectando corantes nas pupilas e na íris das crianças.
O Brasil é o país do multiculturalismo e da multirracialidade. Os seus maiores poetas, como Vinícius, João Gilberto, Jorge Amado, Chico Buarque, Gilberto Gil, todos cantaram a mulata e o negro brasileiros como símbolos maiores desse país mestiço, dessa mistura entre o índio, o europeu e o preto de África. O seu maior símbolo internacional é Pelé. Lula da Silva entregou o cargo de ministro da cultura a outro preto, Gilberto Gil.
Custa-me, por isso, ver um cidadão brasileiro, neste ano de 2011, usar esta linguagem, querer voltar aos costumes anacrónicos da década de 50/60 em África, introduzidos pela nossa comum potência colonial. Quem o faz, reduz-se imediatamente para 20 centímetros de altura, torna-se de estatura anã e mais não faz do que sujar o legado de Jorge Amado e João Gilberto.
Queluz, 17 de Maio de 2011
José Luís Ferreira
Tal hábito foi-se perdendo aos poucos, tornou-se obsoleto, extinguiu-se por caducidade e hoje é raro, muito raro o documento em que seja obrigatório agregar a ascendência genética. Apenas para actos clínicos, e em casos muito específicos, tal exigência ainda é formulada, hoje, ao cidadão português, e julgo que em nenhum país do mundo se pratica este uso. Talvez nas ditaduras fascistas da Coreia do Norte ou do Irão, o Estado adopte essa regra. Mesmo assim, duvido bastante.
As redes sociais abundam com pedidos de perfis, onde normalmente há apenas espaço para o credo religioso e de modo facultativo, isto é, poderemos ou não optar pela divulgação da nossa fé.
No Facebook, na construção do nosso perfil, a cor da pele é absolutamente ignorada. E é de leitura fácil e evidente, quando alguém de motu próprio, intencionalmente, assinala e vinca essa particularidade.
Portanto, depreende-se que a raça deixou de ser factor importante na avaliação das características e personalidade de cada um. E uma vez que normalmente colocamos a mais bonita foto do nosso “portfólio”, torna-se completamente redundante, despiciendo e irrelevante, que se faça uma chamada de atenção para esse facto.
Caio de cu quando vejo alguém usar este estratagema na rede social e sem que lhe seja pedido.
Cito: “OLHOS VERDES, CUTIS BRANCA”
Caio duas vezes quando constato que o artista é brasileiro.
É caso para dizer: é do telekuteku!
A raça e a cor da nossa pele nunca podem servir de factor para nos enaltecermos, ou para tentarmos tirar dividendos e vantagens acrescidas pelo facto de nascermos mais pretos ou mais albinos, amarelos, indianos ou caucasianos. Porque é uma variável aleatória do nosso nascimento, não é nada que tenhamos conquistado com esforço próprio, não é fruto do nosso trabalho e do nosso empenho, ou ainda do nosso carácter, se quiserem. Querer valorizar essa característica epidérmica, além de um acto cobarde, demonstra o mais baixo estofo moral, é um gesto abjecto e desprezível e que coloca quem o faz ao nível das bestas nazis, ou do apartheid. Foi durante o regime nazi, na Alemanha, que mais se glorificou a superioridade racial e os médicos de Josef Mengele experimentaram clarear os olhos da raça ariana, injectando corantes nas pupilas e na íris das crianças.
O Brasil é o país do multiculturalismo e da multirracialidade. Os seus maiores poetas, como Vinícius, João Gilberto, Jorge Amado, Chico Buarque, Gilberto Gil, todos cantaram a mulata e o negro brasileiros como símbolos maiores desse país mestiço, dessa mistura entre o índio, o europeu e o preto de África. O seu maior símbolo internacional é Pelé. Lula da Silva entregou o cargo de ministro da cultura a outro preto, Gilberto Gil.
Custa-me, por isso, ver um cidadão brasileiro, neste ano de 2011, usar esta linguagem, querer voltar aos costumes anacrónicos da década de 50/60 em África, introduzidos pela nossa comum potência colonial. Quem o faz, reduz-se imediatamente para 20 centímetros de altura, torna-se de estatura anã e mais não faz do que sujar o legado de Jorge Amado e João Gilberto.
Queluz, 17 de Maio de 2011
José Luís Ferreira
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