Howard Jacobson escreveu "The Finkler Question" e foi o vencedor do Man Booker Prize for Fiction 2010
quarta-feira, 30 de março de 2011
A Crise portuguesa e a politica de Austeridade
por Paul Krugman:
Cortar no défice com desemprego alto é um erro. Mas se os investidores desconfiam que estão perante uma república das bananas em que os políticos não enfrentam os problemas estruturais, deixam de comprar dívida e o défice dispara com os juros
O governo de Portugal caiu a pretexto de uma disputa relacionada com o programa de austeridade. Os juros da dívida pública irlandesa acabam de ultrapassar os 10% pela primeira vez. Já o governo do Reino Unido reviu em baixa as perspectivas económicas e em alta as previsões do défice.
Que têm em comum todos estes acontecimentos? Todos são provas de que a redução da despesa em períodos de desemprego elevado é um erro. Os defensores da austeridade prevêem que esta produza dividendos rápidos sob a forma de aumento da confiança económica, com poucos ou nenhuns efeitos negativos sobre o crescimento e o emprego; o problema é que não têm razão.
Em Washington um político que queira ser levado a sério tem de jurar lealdade a esta doutrina que está a falhar com consequências sinistras na Europa.
As coisas nem sempre foram assim. Há dois anos, perante graves problemas orçamentais e elevadas taxas de desemprego - consequência da grave crise financeira -, a maior parte dos líderes dos países desenvolvidos parecia perceber que os problemas teriam de ser enfrentados sequencialmente, primeiro com um esforço de criação de emprego e depois com uma estratégia a longo prazo de redução do défice.
E porque não começar pela redução do défice? Porque os aumentos de impostos e os cortes da despesa contribuiriam para desacelerar ainda mais a economia, agravando o desemprego. Além disso, cortar na despesa numa economia em recessão acaba por ser contraproducente nem que seja em termos fiscais: quaisquer poupanças na frente da despesa são anuladas pela redução da receita fiscal resultante da contracção da economia.
É por isso que a estratégia correcta é emprego primeiro défice depois. Infelizmente, foi abandonada em resultado de ameaças imaginárias e esperanças ilusórias. Por um lado, dizem-nos que se não reduzirmos já os gastos acabamos como a Grécia, que só consegue financiar-se a custos exorbitantes. Por outro, explicam-nos que não vale a pena preocuparmo-nos com o impacto da redução da despesa sobre o emprego porque a austeridade fiscal vai estimular a confiança, o que vai criar emprego.
Até agora, como é que isto tem funcionado? Os que se apresentam como falcões do défice, desde que a crise financeira começou a abrandar que andam a gritar que as taxas de juros não tardarão a subir e tomam cada estremecimento em sentido ascendente como um sinal de que os mercados estão a atacar a América. Só que na verdade o que fez flutuar as taxas de juro não foram os receios quanto ao défice, mas as oscilações da confiança na retoma. Com o fim da recessão ainda muito longe, as taxas de juros estão actualmente mais baixas que há dois anos. Mesmo assim, podemos estar seguros que os EUA não vão acabar como a Grécia? Claro que não. Se os investidores acharem que somos uma república das bananas em que os políticos não conseguem ou não estão para enfrentar os problemas estruturais do país, vão deixar de comprar a nossa dívida. Só que essa possibilidade não tem nada a ver com a maneira como punimos a nossa economia com cortes de curto prazo da despesa.
De resto, pergunte-se aos irlandeses. O governo - depois de ter assumido um fardo insustentável para salvar bancos falidos - tentou acalmar os mercados impondo medidas de austeridade ferozes aos cidadãos comuns. Aqueles que nos EUA defendem a redução da despesa aplaudiram. "A Irlanda dá-nos uma lição admirável de responsabilidade fiscal", declarou Alan Reynolds, do Cato Institute, que assegurou que as medidas diluíam os receios relativos à solvência do país e faziam prever uma recuperação económica rápida.
Isto foi em Junho de 2009. Desde então as taxas de juros sobre a dívida irlandesa duplicaram e o desemprego no país saltou para 13,5%.
Depois ainda há a experiência britânica. Tal como os Estados Unidos, os mercados financeiros continuam a ter a percepção de que o Reino Unido é um país solvente, dando-lhe margem para uma política que comece por enfrentar o desemprego antes de se preocupar com o défice. Só que o governo do primeiro-ministro David Cameron, em vez disso, achou melhor impor uma austeridade imediata, a que não era obrigado, na convicção de que o consumo privado compensaria largamente o recuo nos gastos governamentais. A ideia de Cameron era que a fada da confiança ia resolver tudo.
Não resolveu. A economia do país estagnou, e o resultado disso até agora já foi a revisão em alta das projecções para o défice.
Isto recorda-me aquilo que ultimamente em Washington passa por discussão orçamental.
Um programa fiscal sério para os Estados Unidos teria de prever acima de tudo as despesas com tendência para aumentar de forma constante, acima de tudo os custos com a saúde, e não poderia deixar de incluir um aumento fiscal de um ou outro tipo. Só que a discussão não tem sido séria. Cada vez que se fala de usar com eficácia os fundos do Medicare os republicanos começam com a gritaria histérica - que os democratas quase não põem em causa - de que ninguém devia ter de pagar taxas mais elevadas. Tudo o que os preocupa são os cortes de curto prazo.
Em resumo, o clima político nos Estados Unidos é favorável a punir os desempregados e ao mesmo tempo a evitar qualquer esforço de redução do défice a longo prazo. Acerca disto, a experiência da Europa diz que a fada da confiança não nos vai poupar às consequências da nossa estupidez.
por Paul Krugman, Publicado em 26 de Março de 2011 (jornal I)
Cortar no défice com desemprego alto é um erro. Mas se os investidores desconfiam que estão perante uma república das bananas em que os políticos não enfrentam os problemas estruturais, deixam de comprar dívida e o défice dispara com os juros
O governo de Portugal caiu a pretexto de uma disputa relacionada com o programa de austeridade. Os juros da dívida pública irlandesa acabam de ultrapassar os 10% pela primeira vez. Já o governo do Reino Unido reviu em baixa as perspectivas económicas e em alta as previsões do défice.
Que têm em comum todos estes acontecimentos? Todos são provas de que a redução da despesa em períodos de desemprego elevado é um erro. Os defensores da austeridade prevêem que esta produza dividendos rápidos sob a forma de aumento da confiança económica, com poucos ou nenhuns efeitos negativos sobre o crescimento e o emprego; o problema é que não têm razão.
Em Washington um político que queira ser levado a sério tem de jurar lealdade a esta doutrina que está a falhar com consequências sinistras na Europa.
As coisas nem sempre foram assim. Há dois anos, perante graves problemas orçamentais e elevadas taxas de desemprego - consequência da grave crise financeira -, a maior parte dos líderes dos países desenvolvidos parecia perceber que os problemas teriam de ser enfrentados sequencialmente, primeiro com um esforço de criação de emprego e depois com uma estratégia a longo prazo de redução do défice.
E porque não começar pela redução do défice? Porque os aumentos de impostos e os cortes da despesa contribuiriam para desacelerar ainda mais a economia, agravando o desemprego. Além disso, cortar na despesa numa economia em recessão acaba por ser contraproducente nem que seja em termos fiscais: quaisquer poupanças na frente da despesa são anuladas pela redução da receita fiscal resultante da contracção da economia.
É por isso que a estratégia correcta é emprego primeiro défice depois. Infelizmente, foi abandonada em resultado de ameaças imaginárias e esperanças ilusórias. Por um lado, dizem-nos que se não reduzirmos já os gastos acabamos como a Grécia, que só consegue financiar-se a custos exorbitantes. Por outro, explicam-nos que não vale a pena preocuparmo-nos com o impacto da redução da despesa sobre o emprego porque a austeridade fiscal vai estimular a confiança, o que vai criar emprego.
Até agora, como é que isto tem funcionado? Os que se apresentam como falcões do défice, desde que a crise financeira começou a abrandar que andam a gritar que as taxas de juros não tardarão a subir e tomam cada estremecimento em sentido ascendente como um sinal de que os mercados estão a atacar a América. Só que na verdade o que fez flutuar as taxas de juro não foram os receios quanto ao défice, mas as oscilações da confiança na retoma. Com o fim da recessão ainda muito longe, as taxas de juros estão actualmente mais baixas que há dois anos. Mesmo assim, podemos estar seguros que os EUA não vão acabar como a Grécia? Claro que não. Se os investidores acharem que somos uma república das bananas em que os políticos não conseguem ou não estão para enfrentar os problemas estruturais do país, vão deixar de comprar a nossa dívida. Só que essa possibilidade não tem nada a ver com a maneira como punimos a nossa economia com cortes de curto prazo da despesa.
De resto, pergunte-se aos irlandeses. O governo - depois de ter assumido um fardo insustentável para salvar bancos falidos - tentou acalmar os mercados impondo medidas de austeridade ferozes aos cidadãos comuns. Aqueles que nos EUA defendem a redução da despesa aplaudiram. "A Irlanda dá-nos uma lição admirável de responsabilidade fiscal", declarou Alan Reynolds, do Cato Institute, que assegurou que as medidas diluíam os receios relativos à solvência do país e faziam prever uma recuperação económica rápida.
Isto foi em Junho de 2009. Desde então as taxas de juros sobre a dívida irlandesa duplicaram e o desemprego no país saltou para 13,5%.
Depois ainda há a experiência britânica. Tal como os Estados Unidos, os mercados financeiros continuam a ter a percepção de que o Reino Unido é um país solvente, dando-lhe margem para uma política que comece por enfrentar o desemprego antes de se preocupar com o défice. Só que o governo do primeiro-ministro David Cameron, em vez disso, achou melhor impor uma austeridade imediata, a que não era obrigado, na convicção de que o consumo privado compensaria largamente o recuo nos gastos governamentais. A ideia de Cameron era que a fada da confiança ia resolver tudo.
Não resolveu. A economia do país estagnou, e o resultado disso até agora já foi a revisão em alta das projecções para o défice.
Isto recorda-me aquilo que ultimamente em Washington passa por discussão orçamental.
Um programa fiscal sério para os Estados Unidos teria de prever acima de tudo as despesas com tendência para aumentar de forma constante, acima de tudo os custos com a saúde, e não poderia deixar de incluir um aumento fiscal de um ou outro tipo. Só que a discussão não tem sido séria. Cada vez que se fala de usar com eficácia os fundos do Medicare os republicanos começam com a gritaria histérica - que os democratas quase não põem em causa - de que ninguém devia ter de pagar taxas mais elevadas. Tudo o que os preocupa são os cortes de curto prazo.
Em resumo, o clima político nos Estados Unidos é favorável a punir os desempregados e ao mesmo tempo a evitar qualquer esforço de redução do défice a longo prazo. Acerca disto, a experiência da Europa diz que a fada da confiança não nos vai poupar às consequências da nossa estupidez.
por Paul Krugman, Publicado em 26 de Março de 2011 (jornal I)
terça-feira, 29 de março de 2011
A Woman Called Taylor
Não vos vou falar dos diamantes que Elisabeth Taylor coleccionava. Nem tão pouco dos seus sete ou oito casamentos. Nem sequer vos vou falar desse outro grande senhor do cinema, com quem ela se casou por duas vezes e que dava pelo nome de Richard Burton.
“Who’s Afraid of Virginia Wolf” foi para mim a verdadeira enciclopédia do cinema.
Dois casais reúnem-se para uma noite de copos. O ambiente é de outra dimensão. Fechado. Concentraccionário. Adulto. Elisabeth Taylor supera tudo. De copo na mão explode todo o seu talento. Valeu-lhe o segundo Óscar da Academia das Artes de Hollywood. Depois vi “X,Y and Zee” com Michael Caine. Outra vez ela, abusando, superando tudo. Ou “Gata em Telhado de Zinco Quente” com Paul Newman.
A partir daqui soube realmente o que é arte dramática. Também desapareço um pouco com Elisabeth Taylor.
Cerram-se as cortinas. Apagam-se as luzes.
Good night Miss Taylor.
José Luis Ferreira
O Terceiro Ícone Caído do Sol ( Third Stone From the Sun)
Entre amigos, a conversa hoje, toca no mesmo ponto: Artur Agostinho.
O Grande Mestre, o Grande Educador, a Verdadeira Fonte desapareceu. Percorre agora outros caminhos, para lá da Via Láctea. Saíu num dia em que a Lua se mostrou diferente, nesse dia quis ser mais Lua, porque mais astro, quis marcar a data e mostrou-se de gala, toda ela cheia de filigrana.
Partiu para as nebulosas distantes, quem sabe para habitar outras mentes, a precisarem da sua sabedoria, dos seus ensinamentos.
Foi a segunda pedra caída do Sol.
Amália era o pilar fundamental, o primeiro grande ícone da cultura portuguesa dos últimos cem anos. A primeira pedra.
Artur Agostinho era o meteorito cujo rastro indelével todos seguíamos. Das profundezas e dos abismos mais íntimos da alma sentimos a profundidade e o vazio desse buraco negro.
Eusébio anda triste. O seu peito cerra-se de saudade, fecha-se contraído, tem segredos mil, sabe e como ícone não fala, porque as esfinges não falam, apenas dizem. Desfila memórias da juventude quando corria os estádios, e o país e o Benfica se ajoelhavam ao seu grande talento. A memória impõe-lhe imagens passadas do seu amigo e admirador Artur Agostinho quando de microfone na mão explodia de orgulho pela pátria grandiosa que tão raro diamante soube gerar.
Agora esses dois amigos partiram, resta ele…
A terceira pedra caída do sol.
José Luis Ferreira
O Grande Mestre, o Grande Educador, a Verdadeira Fonte desapareceu. Percorre agora outros caminhos, para lá da Via Láctea. Saíu num dia em que a Lua se mostrou diferente, nesse dia quis ser mais Lua, porque mais astro, quis marcar a data e mostrou-se de gala, toda ela cheia de filigrana.
Partiu para as nebulosas distantes, quem sabe para habitar outras mentes, a precisarem da sua sabedoria, dos seus ensinamentos.
Foi a segunda pedra caída do Sol.
Amália era o pilar fundamental, o primeiro grande ícone da cultura portuguesa dos últimos cem anos. A primeira pedra.
Artur Agostinho era o meteorito cujo rastro indelével todos seguíamos. Das profundezas e dos abismos mais íntimos da alma sentimos a profundidade e o vazio desse buraco negro.
Eusébio anda triste. O seu peito cerra-se de saudade, fecha-se contraído, tem segredos mil, sabe e como ícone não fala, porque as esfinges não falam, apenas dizem. Desfila memórias da juventude quando corria os estádios, e o país e o Benfica se ajoelhavam ao seu grande talento. A memória impõe-lhe imagens passadas do seu amigo e admirador Artur Agostinho quando de microfone na mão explodia de orgulho pela pátria grandiosa que tão raro diamante soube gerar.
Agora esses dois amigos partiram, resta ele…
A terceira pedra caída do sol.
José Luis Ferreira
Não acredito, mas é verdade
Quando soube não acreditei. Era uma partida, ou um pesadelo. Só podia ser.
Mas a verdade confirmava-se. Os "Homens da Luta" vão representar Portugal no Festival Eurovisão da Canção. Onde vão estar paises como a Inglaterra, a França, a Itália, a Suécia (que gerou os Abba), a Dinamarca, Israel, and so on. A canção escolhida não podia ser pior. Indigência pura. Esterilidade absoluta.
Não gosto de ver Portugal cair no ridiculo frente a estes tipos da Europa.
O "estado da arte" em que se encontra o "status quo" criativo em Portugal, é pior do que o que se pensa. É um estado atroz. Gangrena.
Estamos doentes. A falta de inspiração é gigantesca. O mau gosto, a falta de exigência, o apadrinhamento, a fraca competividade tomaram conta do país.
Basta ouvir os primeiros compassos de qualquer musica e desligo. Não há estômago.Não surge ninguém com qualidade verdadeira a nivel internacional.
Os júris são fracos. Basta andar seis meses a martelar os palcos e pode-se dar ares professorais de especialistas avaliadores. Tem que se dizer bem. Criticar é cortar pela raíz. Puro engano.
Regredimos trinta anos. Entramos na cápsula do tempo e voltamos aos slogans revolucionários do 25 de Abril. Voltamos á canção de protesto, com todo o respeito por ela, mas que já teve a sua época e cumpriu (bem) e com toda a dignidade o seu papel. Mas agora pedia-se mais.
Alastra o facilitismo no mundo da arte da musica. Não sai nada de bom. A Portugal pedia-se e exigia-se mais. Muito mais. Pelo menos para nos representar lá fora.
Estou ainda que não aguento. Não acredito. É mau demais para ser verdade.
José Luis Ferreira
Mas a verdade confirmava-se. Os "Homens da Luta" vão representar Portugal no Festival Eurovisão da Canção. Onde vão estar paises como a Inglaterra, a França, a Itália, a Suécia (que gerou os Abba), a Dinamarca, Israel, and so on. A canção escolhida não podia ser pior. Indigência pura. Esterilidade absoluta.
Não gosto de ver Portugal cair no ridiculo frente a estes tipos da Europa.
O "estado da arte" em que se encontra o "status quo" criativo em Portugal, é pior do que o que se pensa. É um estado atroz. Gangrena.
Estamos doentes. A falta de inspiração é gigantesca. O mau gosto, a falta de exigência, o apadrinhamento, a fraca competividade tomaram conta do país.
Basta ouvir os primeiros compassos de qualquer musica e desligo. Não há estômago.Não surge ninguém com qualidade verdadeira a nivel internacional.
Os júris são fracos. Basta andar seis meses a martelar os palcos e pode-se dar ares professorais de especialistas avaliadores. Tem que se dizer bem. Criticar é cortar pela raíz. Puro engano.
Regredimos trinta anos. Entramos na cápsula do tempo e voltamos aos slogans revolucionários do 25 de Abril. Voltamos á canção de protesto, com todo o respeito por ela, mas que já teve a sua época e cumpriu (bem) e com toda a dignidade o seu papel. Mas agora pedia-se mais.
Alastra o facilitismo no mundo da arte da musica. Não sai nada de bom. A Portugal pedia-se e exigia-se mais. Muito mais. Pelo menos para nos representar lá fora.
Estou ainda que não aguento. Não acredito. É mau demais para ser verdade.
José Luis Ferreira
Vender a Alma ao Diabo
Existem três tipos de verdades insofismáveis que a vida nos impõe de uma forma inexorável. As que nunca poderemos ultrapassar: muito novos, aprendemos de uma forma ampla, geral, quais as grandes barreiras que nunca nos será permitido contornar. Sabemos por exemplo que a morte chegará implacavelmente, um dia. O crente morrerá de espanto se duvidarmos da existência de Deus e matar será a última dessas fronteiras.
Temos também aquelas verdades que vamos aprendendo ao longo da nossa experiência de vida, de que vamos tacteando, errando e melhorando, ou talvez não.
E temos o terceiro grupo daquelas que nunca aprendemos e pagamos caro os erros que se cometem ora por rebeldia ou por pura incapacidade e afastamento da “norma” dentro do tecido social.
Sei, por exemplo, dentro do primeiro grupo, que nunca vou ser a Naomi Campbel, desfilando pelas passereles naquele seu maravilhoso trote sincopado. Nem serei um índio Sioux, correndo pelas pradarias americanas, a cavalo ou a pé, de crinas ao vento, aspirando os ares retemperadores da liberdade. Nunca serei agente da CIA, nem nunca pertencerei à Al Qaeda. Sei que nunca serei o Marlon Brando engordando até perto dos duzentos quilos e também sei que nunca serei Martin Luther King, Al Capone, ou a Lady Gaga.
Mas sei disso instintivamente, por exclusão de partes, porque sei que gosto do Eusébio e do Benfica, da Catarina Furtado e não gosto de filmes gay, sou avesso a contactos íntimos com homens, repugna-me a sodomia e o masoquismo. Compreendo, entendo e apoio incondicionalmente todos os movimentos libertários, sou a favor do casamento gay e percebo aqueles que vêm o relacionamento homossexual não apenas como uma pulsão interior - algo que reside tão legitimamente como outro instinto qualquer no nosso código genético, nos nossos cromossomas, no nosso ADN - mas também como variante do comportamento sexual, no quadro do prazer, do ser humano. Tudo bem, ok, força, quem gosta, gosta, nada a dizer.
Isto a propósito do que vai por aí, por este Portugal saloio, de manifestações de dó, pena e lamúria pacóvia, acerca do assassinato de Carlos Castro. O povo convoca vigílias e monta cordões de solidariedade pelo assassino.
Carlos Castro era um homossexual confesso, assumido, conhecido e reconhecido internacionalmente. Frequentava o jet set nacional e as algumas franjas terciárias do burlesco da Broadway novaiorquina. Era convidado em tudo quanto era “talk show” e promovia espectáculos travestis, cá na terra. No passado viveu paredes meias com um travesti e recuperou-o de uma tentativa de suicídio. Profissional da sedução sobre jovens candidatos a top-models, aliciava-os com promessas de carreiras brilhantes no “millieu” da moda internacional.
Renato Seabra era um rapaz culto, universitário, esperto e conversador, com certeza, dentro dos seus promissores vinte e um anos. Deixou-se seduzir por Carlos Castro, com ele passeou pelas praias portuguesas e cirandou pelos hotéis luxuosos da estranja. Partilharam o mesmo quarto e a mesma cama, sabe-se, durante largos meses. Deixou-se acariciar, abraçaram-se, beijaram-se com toda a certeza. Carlos Castro era terrivelmente ciumento, dramaticamente possessivo e Renato Seabra era ambicioso. Vendeu a sua alma ao Diabo por meia dúzia de dinheiros, pela tal promessa de um futuro radioso. Toda a família sabia do relacionamento entre os dois. Alguns incentivaram-nos, outros avisaram-no, estou certo.
Num acesso de fúria e raiva, despeito e desilusão pelo fracasso da tal carreira, Renato mata Carlos Castro num hotel em NYC e tortura-o, a ponto de lhe furar os olhos e decepar-lhe os órgãos genitais.
Renato Seabra está preso em NYC, aguarda o veredicto do júri num tribunal americano.
De muito novos aprendemos, nós rapazes heterossexuais em conversas com os rapazinhos da nossa idade, que não se vende a alma ao Diabo.
José Luís Ferreira
Temos também aquelas verdades que vamos aprendendo ao longo da nossa experiência de vida, de que vamos tacteando, errando e melhorando, ou talvez não.
E temos o terceiro grupo daquelas que nunca aprendemos e pagamos caro os erros que se cometem ora por rebeldia ou por pura incapacidade e afastamento da “norma” dentro do tecido social.
Sei, por exemplo, dentro do primeiro grupo, que nunca vou ser a Naomi Campbel, desfilando pelas passereles naquele seu maravilhoso trote sincopado. Nem serei um índio Sioux, correndo pelas pradarias americanas, a cavalo ou a pé, de crinas ao vento, aspirando os ares retemperadores da liberdade. Nunca serei agente da CIA, nem nunca pertencerei à Al Qaeda. Sei que nunca serei o Marlon Brando engordando até perto dos duzentos quilos e também sei que nunca serei Martin Luther King, Al Capone, ou a Lady Gaga.
Mas sei disso instintivamente, por exclusão de partes, porque sei que gosto do Eusébio e do Benfica, da Catarina Furtado e não gosto de filmes gay, sou avesso a contactos íntimos com homens, repugna-me a sodomia e o masoquismo. Compreendo, entendo e apoio incondicionalmente todos os movimentos libertários, sou a favor do casamento gay e percebo aqueles que vêm o relacionamento homossexual não apenas como uma pulsão interior - algo que reside tão legitimamente como outro instinto qualquer no nosso código genético, nos nossos cromossomas, no nosso ADN - mas também como variante do comportamento sexual, no quadro do prazer, do ser humano. Tudo bem, ok, força, quem gosta, gosta, nada a dizer.
Isto a propósito do que vai por aí, por este Portugal saloio, de manifestações de dó, pena e lamúria pacóvia, acerca do assassinato de Carlos Castro. O povo convoca vigílias e monta cordões de solidariedade pelo assassino.
Carlos Castro era um homossexual confesso, assumido, conhecido e reconhecido internacionalmente. Frequentava o jet set nacional e as algumas franjas terciárias do burlesco da Broadway novaiorquina. Era convidado em tudo quanto era “talk show” e promovia espectáculos travestis, cá na terra. No passado viveu paredes meias com um travesti e recuperou-o de uma tentativa de suicídio. Profissional da sedução sobre jovens candidatos a top-models, aliciava-os com promessas de carreiras brilhantes no “millieu” da moda internacional.
Renato Seabra era um rapaz culto, universitário, esperto e conversador, com certeza, dentro dos seus promissores vinte e um anos. Deixou-se seduzir por Carlos Castro, com ele passeou pelas praias portuguesas e cirandou pelos hotéis luxuosos da estranja. Partilharam o mesmo quarto e a mesma cama, sabe-se, durante largos meses. Deixou-se acariciar, abraçaram-se, beijaram-se com toda a certeza. Carlos Castro era terrivelmente ciumento, dramaticamente possessivo e Renato Seabra era ambicioso. Vendeu a sua alma ao Diabo por meia dúzia de dinheiros, pela tal promessa de um futuro radioso. Toda a família sabia do relacionamento entre os dois. Alguns incentivaram-nos, outros avisaram-no, estou certo.
Num acesso de fúria e raiva, despeito e desilusão pelo fracasso da tal carreira, Renato mata Carlos Castro num hotel em NYC e tortura-o, a ponto de lhe furar os olhos e decepar-lhe os órgãos genitais.
Renato Seabra está preso em NYC, aguarda o veredicto do júri num tribunal americano.
De muito novos aprendemos, nós rapazes heterossexuais em conversas com os rapazinhos da nossa idade, que não se vende a alma ao Diabo.
José Luís Ferreira
O Caso do menino Rui Pedro
Bem sei que na América, também há erros clamorosos da Justiça. Por vezes são libertadas pessoas que depois de passarem 20 anos presos se descobre que afinal estavam tão inocentes como um bebé de fraldas. Através dos testes de ADN que não havia na altura. Ou pura e simplesmente por injustiça cruel. Ou então por aplicação de uma Justiça que não representava o mosaico racial do país. Na América é assim. Se se julga um americano negro, o júri deve ser composto por cidadãos negros, em parte ou na sua maioria. Compreende-se. Para salvaguardar a pureza dos veredictos. Mas bastaram seis meses para julgar Bernie Madoff.
O menino Rui Pedro desapareceu há 13 anos. Só esta semana o Ministério Público deduziu a acusação contra o alegado raptor. Que esteve entre nós este tempo todo. Comeu, quase, à nossa mesa. Treze anos. Havia pistas evidentes. Nada se fez. A Polícia enredou-se na sua própria teia de incompetências. Sei lá o que se passou nos corredores da investigação. Nem quero saber. Não quero saber de pormenores escabrosos no âmbito da investigação. De porcaria está o mundo cheio. Nem tão pouco de histórias picantes da procuradora Cãndida Almeida.
Marcelo R. de Sousa vai buscar o argumento da falta de colaboração entre a Interpol e as polícias regionais. Patati, patatá. Blá, blá,blá… Toda a gente sabe do enorme buraco a céu aberto que é a Justiça portuguesa. Os processos arrastam-se nos tribunais. É uma justiça kafkiana. De comendas e louvaminhas. Palmadinhas nas costas. De magistrados jubilados e orações de sapiência. De beca, rabeca, réplica, tréplica e outras flores de retórica. Perpétuos canudos. Saudades coimbrãs. Cheios de sabedoria e técnica aprimorada, do melhor que existe a nível mundial. Temos notícia dessa excelência. Mas não me digam é que há treze anos, não se valorizava como agora a pedofilia. Nem se atribuía tanta importância ao desaparecimento de crianças como agora, depois do caso Maddie. Não me digam, que me põem tenso. A mãe do Rui Pedro há treze anos que bate a todas as portas. Há treze anos que todos os dias a mãe de Rui Pedro chora lágrimas de sangue com saudades daqueles olhinhos ternurentos.
José Luis Ferreira
O menino Rui Pedro desapareceu há 13 anos. Só esta semana o Ministério Público deduziu a acusação contra o alegado raptor. Que esteve entre nós este tempo todo. Comeu, quase, à nossa mesa. Treze anos. Havia pistas evidentes. Nada se fez. A Polícia enredou-se na sua própria teia de incompetências. Sei lá o que se passou nos corredores da investigação. Nem quero saber. Não quero saber de pormenores escabrosos no âmbito da investigação. De porcaria está o mundo cheio. Nem tão pouco de histórias picantes da procuradora Cãndida Almeida.
Marcelo R. de Sousa vai buscar o argumento da falta de colaboração entre a Interpol e as polícias regionais. Patati, patatá. Blá, blá,blá… Toda a gente sabe do enorme buraco a céu aberto que é a Justiça portuguesa. Os processos arrastam-se nos tribunais. É uma justiça kafkiana. De comendas e louvaminhas. Palmadinhas nas costas. De magistrados jubilados e orações de sapiência. De beca, rabeca, réplica, tréplica e outras flores de retórica. Perpétuos canudos. Saudades coimbrãs. Cheios de sabedoria e técnica aprimorada, do melhor que existe a nível mundial. Temos notícia dessa excelência. Mas não me digam é que há treze anos, não se valorizava como agora a pedofilia. Nem se atribuía tanta importância ao desaparecimento de crianças como agora, depois do caso Maddie. Não me digam, que me põem tenso. A mãe do Rui Pedro há treze anos que bate a todas as portas. Há treze anos que todos os dias a mãe de Rui Pedro chora lágrimas de sangue com saudades daqueles olhinhos ternurentos.
José Luis Ferreira
Pistolas Taser
O preso está deitado. À sua volta a imundície é extrema. Há semanas não limpa a cela. É um esquisofrenico em altíssimo grau. Mas está calmo. Obediente. Ouvem-se vozes de comando, altíssimas, fortes. Cinco soldados/gladiadores, protegidos por escudos plexiglás, armados com cassetetes, capacetes, viseiras de protecção, luvas até aos cotovelos vão avançando aos poucos, em bloco, cautelosos.
-Levante-se! O sr. não quer limpar a cela? O sr. vai limpar a cela, ou não? Levante-se e vire-se de costas! Olhe para a janela e não vire a cara!(O senhor para aqui, o senhor para ali...).
O homem põe-se de pé, é um gigante de 120 kls, está nu, os pés na laje fria, talvez húmida. Obedece cabisbaixo. As suas amplas costas disponibilizam-se dóceis.
-Não se mexa, não olhe para trás!
Na grade costal, no mapa esbranquiçado da pele, o alvo é-lhes oferecido, não há que errar. Têm todo o tempo do mundo. Preparam bem o alvo. Ouve-se uma descarga eléctrica de uma pistola Taser. Mil walts percorrem-lhe o corpo. O gigante cai aos estremeções. O homem da voz de comando salta-lhe para cima, pisa com a bota a cintura do "Animal" e continua a vociferar:
-O sr. vai limpar a cela, ou não? Aviso-o que se continuar com este comportamento, o sr. vai ser altamente violentado!
( O patético e ridículo tratamento por senhor apenas complementa a farsa do respeito pelos direitos)
É-lhe retirado das costas o anzol electrificado, por alguém de bata branca e luvas. O gigante é algemado e arrastado pelo chão, sobre os seus próprios dejectos, desfalecido, para uma outra cela.
Eu pergunto:
-É o corpo de intervenção das cadeias que decide das punições a aplicar a um cidadão? Embora preso não perdeu os seus direitos de cidadania. Julguei que quem decide da culpa e do castigo é o tribunal na pessoa do Meritíssimo Juíz.
-As pistolas Taser não são apenas para usar para travar alguém em caso de comportamento ou reacção violenta?
-A Psiquitria já desistiu de tratar estes doentes do foro psiquiátrico? Já não há medicação compatível com este quadro clínico? O sr psiquiatra dos serviços prisionais desistiu de exercer a sua profissão?
-Existe um menú completo e um cardápio recheado de métodos inovadores para infligir punições. Posso sugerir o chicote dos afegãos, à maneira talibã. Ou enterrá-lo no pátio só com a cabeça de fora, no pino do verão, talvez na planície alentejana, como fazia a Pide no Tarrafal. Ou ainda atiçar-lhe os cães, à boa e velha maneira das prisões americanas no Iraque da era Bush/Rumsfeld.
José Luis Ferreira
-Levante-se! O sr. não quer limpar a cela? O sr. vai limpar a cela, ou não? Levante-se e vire-se de costas! Olhe para a janela e não vire a cara!(O senhor para aqui, o senhor para ali...).
O homem põe-se de pé, é um gigante de 120 kls, está nu, os pés na laje fria, talvez húmida. Obedece cabisbaixo. As suas amplas costas disponibilizam-se dóceis.
-Não se mexa, não olhe para trás!
Na grade costal, no mapa esbranquiçado da pele, o alvo é-lhes oferecido, não há que errar. Têm todo o tempo do mundo. Preparam bem o alvo. Ouve-se uma descarga eléctrica de uma pistola Taser. Mil walts percorrem-lhe o corpo. O gigante cai aos estremeções. O homem da voz de comando salta-lhe para cima, pisa com a bota a cintura do "Animal" e continua a vociferar:
-O sr. vai limpar a cela, ou não? Aviso-o que se continuar com este comportamento, o sr. vai ser altamente violentado!
( O patético e ridículo tratamento por senhor apenas complementa a farsa do respeito pelos direitos)
É-lhe retirado das costas o anzol electrificado, por alguém de bata branca e luvas. O gigante é algemado e arrastado pelo chão, sobre os seus próprios dejectos, desfalecido, para uma outra cela.
Eu pergunto:
-É o corpo de intervenção das cadeias que decide das punições a aplicar a um cidadão? Embora preso não perdeu os seus direitos de cidadania. Julguei que quem decide da culpa e do castigo é o tribunal na pessoa do Meritíssimo Juíz.
-As pistolas Taser não são apenas para usar para travar alguém em caso de comportamento ou reacção violenta?
-A Psiquitria já desistiu de tratar estes doentes do foro psiquiátrico? Já não há medicação compatível com este quadro clínico? O sr psiquiatra dos serviços prisionais desistiu de exercer a sua profissão?
-Existe um menú completo e um cardápio recheado de métodos inovadores para infligir punições. Posso sugerir o chicote dos afegãos, à maneira talibã. Ou enterrá-lo no pátio só com a cabeça de fora, no pino do verão, talvez na planície alentejana, como fazia a Pide no Tarrafal. Ou ainda atiçar-lhe os cães, à boa e velha maneira das prisões americanas no Iraque da era Bush/Rumsfeld.
José Luis Ferreira
O Efeito Dominó
Do Mediterrâneo africano, passando pelo Magrehb árabe, da Península Arábica ao Extremo Oriente (já houve manifestações na China e em Hong-Kong) uma tempestade varre os regimes caducos e autoritários, as ditaduras tradicionais desses países. Não importa se mais ou menos apoiados pelo Ocidente. Alguns políticos ocidentais usufruíram de benesses até. A ministra dos negócios estrangeiros francesa demitiu-se por ter beneficiado de viagens turísticas pagas por alguém muito próximo do presidente deposto da Tunísia. São formas de governo onde se misturam as autoridades religiosas (o Islão) com o poder secular. O governo egípcio até era dos mais tolerantes, nesse aspecto.
Um movimento político-cultural intenso, reivindicativo, põe tudo em pantanas. Esperemos que seja um novo Renascimento da cultura Árabe e Islâmica. Se assim não for também não vale a pena. Se só der para tirar um líder e lá pôr outro, também não vão muito longe.
Mas não se enganem. Não vamos transplantar para lá os valores Ocidentais. Não vamos injectar, à bruta, conceitos que para eles, são corpos estranhos. O islão não vai desaparecer. Não é isso que eles querem. Apenas estão fartos de viver como se estivessem ainda no séc. XV. Realmente querem arejar, querem formas de governo mais transparentes, inspirados nas democracias ocidentais. Mas engana-se quem pensa que vão acabar com as vestes tuaregues ou o véu islâmico.
José Luis Ferreira
Um movimento político-cultural intenso, reivindicativo, põe tudo em pantanas. Esperemos que seja um novo Renascimento da cultura Árabe e Islâmica. Se assim não for também não vale a pena. Se só der para tirar um líder e lá pôr outro, também não vão muito longe.
Mas não se enganem. Não vamos transplantar para lá os valores Ocidentais. Não vamos injectar, à bruta, conceitos que para eles, são corpos estranhos. O islão não vai desaparecer. Não é isso que eles querem. Apenas estão fartos de viver como se estivessem ainda no séc. XV. Realmente querem arejar, querem formas de governo mais transparentes, inspirados nas democracias ocidentais. Mas engana-se quem pensa que vão acabar com as vestes tuaregues ou o véu islâmico.
José Luis Ferreira
Os Grandes Equivocos: Perda de Soberania
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| Investimentos árabes em Londres |
Vejo este comentário num blogue da nossa praça.Sócrates não é um pop-star, apenas é um caixeiro viajante, a tentar minimizar perdas e danos do seu negócio de merceeiro que correu mal e foi idealizado pelo seu ministro das finanças, considerado o pior ministro das finanças da zona euro. Esta é a verdade. Para que se saiba.
Sinceramente, meus amigos, não há limites para a saloice, para o provincianismo, para a boçalidade em Portugal, travestida de intelectuias mais ou menos de esquerda ou direita.
Mas então os investimentos árabes, chineses, são uma forma de Portugal perder a independência ou a autonomia?
E a Inglaterra, onde não se dá um pontapé numa pedra que não se vejam investimentos árabes e indianos e paquistaneses.
Onde o estádio de futebol do Arsenal é dos Emiratos? E o clube Manchester United que pertence aos americanos? E o Liverpool que também pertence aos americanos? Não serão investimentos de vulto?
E a América que vai vivendo dos portentosos investimentos árabes e da compra de títulos de tesouro da parte dos chineses? Também terão a sua independência em risco? Mas então a participação de capitais estrangeiros nas empresas portuguesas, numa altura em que Portugal tem o garrote no pescoço, são agora indício de perda de soberania ? Só apetece chamar a este individuo estúpido de merda.
Realmente com esta mentalidade Portugal vai longe.
José Luis Ferreira
Estado Policial
Nas últimas semanas, vejo pela cidade, mais para a tardinha, algumas demonstrações de aparato policial. Fardas novas recentemente desembrulhadas, aos grupos de cinco, seis; shotguns,capacetes, escudos,cães, pistolas, gás pimenta.Será que estã à espera de motins generalizados da população? Já chegaram as levas de imigrantes vindos da Líbia?Ou do Egipto? Estão para proteger a Democracia, ou o governo pífio e falhado do engenheiro relativo, desligado da realidade, megalómano e candidato a pop star, do jet set nacional, o engenheiro Sócrates?
Não tenho prazer nenhum em viver num estado policial ou policiado.Não gosto de sentir a presença ostensiva da policia. Os sintomas são claros, explicitos.O cidadão não é educado para prescindir cada vez mais da polícia.Pelo contrário, quer ser vigiado, regulado.A tendência é haver um guarda costas para cada habitante.Como nos vamos afastando dos verdadeiros ideais de Liberdade.O Estado investe na força, não nos livros.Nem em Inglaterra, onde os níveis de alarme saltam do laranja para o vermelho,não vejo tanta demonstração de força.Nos países escandinavos, a policia é discreta, invisivel.Percorro os Países Baixos, vou até à Suécia, Dinamarca,não há uma operação stop, dizem-me que a policia fecha as esquadras á noite.Ninguém quer dar uma de União Soviética, nos velhos tempos da guerra fria dos desfiles armamentistas.Como ainda estamos longe do 1º Mundo. Começo a estar farto.
José Luis Ferreira
Não tenho prazer nenhum em viver num estado policial ou policiado.Não gosto de sentir a presença ostensiva da policia. Os sintomas são claros, explicitos.O cidadão não é educado para prescindir cada vez mais da polícia.Pelo contrário, quer ser vigiado, regulado.A tendência é haver um guarda costas para cada habitante.Como nos vamos afastando dos verdadeiros ideais de Liberdade.O Estado investe na força, não nos livros.Nem em Inglaterra, onde os níveis de alarme saltam do laranja para o vermelho,não vejo tanta demonstração de força.Nos países escandinavos, a policia é discreta, invisivel.Percorro os Países Baixos, vou até à Suécia, Dinamarca,não há uma operação stop, dizem-me que a policia fecha as esquadras á noite.Ninguém quer dar uma de União Soviética, nos velhos tempos da guerra fria dos desfiles armamentistas.Como ainda estamos longe do 1º Mundo. Começo a estar farto.
José Luis Ferreira
Saul Bellow
Mas quando alguém julgava que tinha seguido a pista de Einhorn através dos seus actos e feitos e estava prestes a capturá-lo, descobria que se encontrava não no centro de um labirinto mas no meio de um amplo boulevard; e lá vinha ele de uma nova direcção"... -Saul Bellow
Entrevista a Malcom Gladwell
http://aeiou.expresso.pt/entrevista-a-malcolm-gladwell=f634788
É mais conhecido como o autor dos livros The Tipping Point: How Little Things Can Make a Big Difference, Blink: The Power of Thinking Without Thinking, e Outliers: The Story of Success.
Malcolm Gladwell, jornalista da The New Yorker, esteve em Portugal no lançamento do Movimento Milénio. Veja a entrevista realizada por Ricardo Costa.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Os países não são grandes empresas a competir no mercado global
Por: Paul Krugman (excerto)
No que diz respeito ao diagnóstico errado, que sentido faz ver as nossas preocupações actuais como um resultado da falta de competitividade? É verdade que se exportássemos mais e importássemos menos teríamos mais emprego. No entanto, pode dizer-se o mesmo da Europa e do Japão, cujas economias também estão em recessão. E não podemos todos exportar mais e importar menos a não ser que descubramos outro planeta a quem vender. Sim, podemos pedir à China que reduza o superavit da balança comercial - mas se o que Obama propõe é enfrentar a china o melhor é dizê-lo claramente.
Além disso, embora a balança comercial dos Estados Unidos seja deficitária, melhorou em relação à época anterior à Grande Recessão. Era melhor que o défice se reduzisse ainda mais, mas em última análise se estamos metidos num sarilho é porque tivemos uma crise financeira.
Mas não será pelo menos útil pensar no nosso país como uma espécie de EUA SA, em competição no mercado global? Não.
Pensemos no seguinte: um administrador que aumente os lucros espremendo ao máximo a força de trabalho é considerado bem sucedido. Foi mais ou menos o que aconteceu nos Estados Unidos ultimamente. O emprego está em mínimos históricos, mas os lucros batem novos recordes. Nesse caso, quem tem razões para pensar que se trata de um êxito económico?
Mesmo assim, pode dizer-se que falar de competitividade ajuda Obama a acalmar os receios de que o presidente esteja contra o desenvolvimento económico. Pode ser, desde que ele perceba que os interesses de empresas nominalmente “americanas” e os interesses do país, que nunca foram os mesmos, estão actualmente menos alinhados que nunca.
Consideremos o caso da General Electric, cujo administrador-executivo, Jeffrey Immelt, acaba de ser nomeado para chefiar o velho conselho com novo nome. Não tenho nada contra Immelt, mas com menos de metade dos seus trabalhadores e dos lucros a resultarem de negócios em solo americano, os destinos da GE têm muito pouco a ver com a prosperidade dos Estados Unidos.
A propósito : há quem tenha louvado a nomeação de Immelt com o argumento de que pelo menos representa uma empresa que produz coisas, em vez de ser apenas mais um financeiro espertalhão. Lamento ter de fazer rebentar esta bolha, mas hoje em dia a GE obtém mais rendimentos das suas operações financeiras que da produção de bens - na realidade, a GE Capital, que recebeu uma garantia governamental para a sua dívida, foi uma das grandes beneficiárias das medidas de estímulo à economia.
Exclusivo i/The New York Times
Os interesses das grandes empresas nominalmente americanas e os interesses do país nunca foram o mesmo, mas actualmente estão menos alinhados do que nunca
Mas não nos enganemos a nós mesmos: falar de “competitividade” como objectivo é basicamente enganador. Na melhor das hipóteses é um diagnóstico errado dos nossos problemas; na pior, pode dar origem a políticas baseadas na ideia incorrecta de que o que é bom para as empresas é bom para a América.No que diz respeito ao diagnóstico errado, que sentido faz ver as nossas preocupações actuais como um resultado da falta de competitividade? É verdade que se exportássemos mais e importássemos menos teríamos mais emprego. No entanto, pode dizer-se o mesmo da Europa e do Japão, cujas economias também estão em recessão. E não podemos todos exportar mais e importar menos a não ser que descubramos outro planeta a quem vender. Sim, podemos pedir à China que reduza o superavit da balança comercial - mas se o que Obama propõe é enfrentar a china o melhor é dizê-lo claramente.
Além disso, embora a balança comercial dos Estados Unidos seja deficitária, melhorou em relação à época anterior à Grande Recessão. Era melhor que o défice se reduzisse ainda mais, mas em última análise se estamos metidos num sarilho é porque tivemos uma crise financeira.
Mas não será pelo menos útil pensar no nosso país como uma espécie de EUA SA, em competição no mercado global? Não.
Pensemos no seguinte: um administrador que aumente os lucros espremendo ao máximo a força de trabalho é considerado bem sucedido. Foi mais ou menos o que aconteceu nos Estados Unidos ultimamente. O emprego está em mínimos históricos, mas os lucros batem novos recordes. Nesse caso, quem tem razões para pensar que se trata de um êxito económico?
Mesmo assim, pode dizer-se que falar de competitividade ajuda Obama a acalmar os receios de que o presidente esteja contra o desenvolvimento económico. Pode ser, desde que ele perceba que os interesses de empresas nominalmente “americanas” e os interesses do país, que nunca foram os mesmos, estão actualmente menos alinhados que nunca.
Consideremos o caso da General Electric, cujo administrador-executivo, Jeffrey Immelt, acaba de ser nomeado para chefiar o velho conselho com novo nome. Não tenho nada contra Immelt, mas com menos de metade dos seus trabalhadores e dos lucros a resultarem de negócios em solo americano, os destinos da GE têm muito pouco a ver com a prosperidade dos Estados Unidos.
A propósito : há quem tenha louvado a nomeação de Immelt com o argumento de que pelo menos representa uma empresa que produz coisas, em vez de ser apenas mais um financeiro espertalhão. Lamento ter de fazer rebentar esta bolha, mas hoje em dia a GE obtém mais rendimentos das suas operações financeiras que da produção de bens - na realidade, a GE Capital, que recebeu uma garantia governamental para a sua dívida, foi uma das grandes beneficiárias das medidas de estímulo à economia.
Exclusivo i/The New York Times
Crise. Já se sabia, mas fica escrito: reguladores e bancos são os culpados
Apenas um dos 13 maiores bancos norte americanos não esteve em risco de falir no auge da crise financeira
Algumas conclusões já eram conhecidas desde quarta feira, mas ontem ficou definitivamente registado: a imprudência dos grandes bancos e a negligência dos reguladores foram as principais causas de uma crise financeira que era “evitável”, concluiu a Comissão de Inquérito da Crise Financeira.
Num dos documentos com 633 páginas são enunciadas as raízes da crise de 2008 e os principais culpados. “A crise resultou de acção e inacção humana, não da mãe natureza ou de modelos que falharam”, refere o relatório. “Os capitães das finanças e os administradores públicos do nosso sistema financeiro ignoraram avisos e falharam em questionar, perceber e gerir os riscos crescentes dentro de um sistema essencial ao bem-estar do povo americano.”
E são mesmo apontados nomes. A administração de Bush, que estava “mal preparada” e deixou cair o Lehman Brothers, Alan Greenspan e Ben Bernanke, pelo grau de desregulação que permitiram no sistema financeiro, e os gigantes da finança, como o Citigroup, o Lehman Brothers, o AIG, a Fannie Mae e o Goldman Sachs, por uma gestão demasiado arriscada.
A CRISE NÃO ERA IMPREVISíVEL
O relatório destrói também a ideia de que era impossível prever esta crise. “A maior tragédia é aceitarmos quer ninguém podia ter previsto que isto ia acontecer e que por isso nada pudesse ser feito”, acrescentando que “se aceitarmos esta desculpa, vai repetir-se”.
Phil Angelides, presidente da comissão, quer certificar-se de que fica esclarecido quer a crise foi provocada por comportamentos irresponsáveis. “ Alguns em Wall Street e em Washington, com uma quota parte no statu quo podem sentir-se tentados a limpar da memória esta crise ou a sugerir novamente que ninguém a poderia ter adivinhado ou previsto”, afirmou em conferência de imprensa.
No documento é também referida uma “quebra sistémica na responsabilização e na ética”, no tando-se que a “acção e inacção humanas” foram as grandes responsáveis pela crise.
Relatório garante que a crise não era imprevisível e podia ter sido evitada A conclusão do relatório foi um longo trabalho para a Comissão de Inquérito da Crise Financeira. Durante um ano e meio, a comissão analisou milhares de documentos, realizou 19 audiências públicas e entrevistou mais de 700 pessoas. No final, apenas seis dos dez membros da comissão subscreveram as conclusões do documento. Uma divisão partidária: os quatro que não a subscreveram foram nomeados pelos republicanos, acusando as conclusões de estar demasiado alinhadas” à esquerda”.
À BEIRA DO ABISMO
Doze das 13 instituições financeiras mais importantes nos Estados Unidos estavam á beira da falência no auge da crise de 2008, afirmou Bem Bernanke durante uma das entrevistas feitas pela comissão em Novembro de 2009. “Se olharmos para as empresas que estavam sob pressão nessa altura, apenas uma não corria um sério risco de falir”, afirmou o presidente da Reserva Federal norte-americana. Bernanke acrescentou ainda que esta crise financeira ultrapassou em gravidade a dos anos 30. “Enquanto estudioso da Grande Depressão, estou honestamente convencido de que Setembro e Outubro de 2008 foram a pior crise financeira da história mundial, incluindo a Grande Depressão" adiantou
Nuno Aguiar, i
Tensão no mundo árabe
Onda da revolta política e social abala mundo árabe
Começou na Tunísia com uma revolta social que levou à queda da ditadura de Ben Ali e está a estender-se por países do Magrebe e Médio Oriente: a onda de protestos , exigindo reformas e democracia, está a abalar o mundo árabe. A revolta está às portas do Egipto e do Iémen e ameaça passar pela Argélia. Marrocos e Israel estão preocupados.
Ontem, Mohamed el Baradei, Nobel da Paz e ex-presidente da Agência Internacional de Energia Atómica, chegou ao Egipto para dar rostos a uma revolta nas ruas que foi impulsionada pelos movimentos juvenis e associações de defesa dos direitos humanos, usando as redes sociais na Internet (Facebook e Twitter), surpreendendo o regime ditatorial com 30 anos, liderado pelo Presidente Hosni Mubarak, e a própria oposição, tradicionalmente fraca e dividida.
El Baradei tinha sido criticado por estar fora do país nos últimos dias, depois de ter passado o último ano a pressionar o regime ditatorial a proceder a reformas, lembra o El País. Mas ontem o Nobel da Paz regressou disse querer "um novo Egipto, através de uma transição pacífica": "Se as pessoas, em particular os jovens, querem que lidere a transição não os vou defraudar."
Os protestos alastraram também ao Iémen, onde Ali Abdalá Saleh está na presidência há 32 anos e procura tornar-se vitalício no poder. Milhares de pessoas exigiram na ruas da capital, Saná, o fim da carência de alimentos, da corrupção, do desemprego galopante e do nepotismo. Neste caso, são as forças da oposição que estão a capitalizar os protestos, convocando manifestações separadas em Saná para dividir as forças policiais. Além disso, os protestos também se fizeram sentir noutras cidades, como Adén, onde um homem se tentou auto-imolar.
Mas, se a comunidade internacional apoia a democratização destes países, como ontem afirmaram os EUA, o Iémen é motivo de grande preocupação: a fragilidade do Estado, o movimento separatista no sul, a insurreição no norte e os tentáculos da Al Qaeda podem transformar o país num estado falhado, como a Somália, e não numa nova Tunísia, salienta o El País.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Ana de Amsterdam
Arkansas
Só alguns dias mais tarde apareceram as primeiras explicações nos jornais. O barulho dos fogos de artifício assustara os pássaros que descansavam nos ninhos. O rebentar simultâneo de milhares de foguetes, celebrando o novo ano, fizera-os despertar do seu sono palpitante. Segundo um especialista, as aves teriam tido um choque profundo, a explosão de ruído e luz provocara-lhes desorientação e cegueira. Alguns pássaros explodiram por dentro, sangraram pelos olhos; outros puseram-se a voar num descontrolo absurdo, batendo em chaminés, paredes, postos de iluminação, placards publicitários. Naquela noite, porém, ninguém encontrou razão que explicasse a chuva de pássaros e a multidão, que viera ao cais assistir ao fogo de artifício, emudeceu quando as aves começaram a cair.
Até que um homem se pôs a gritar que aquilo era um sinal divino, deus, zangado, anunciava o fim do mundo. Estava no livro sagrado. Uma mulher deu uma gargalhada, mangando da ignorância do crente. Desviou a objectiva das cascatas de luz e começou a fotografar o fenómeno, procurando o melhor ângulo para uma documentação credível. Um homem bonito, de olhos espessos, aproveitou a primeira agitação da multidão. Protegeu o rosto com as mãos e começou a abrir caminho na multidão. E se alguma ave, ao cair, lhe acertasse de bico, rasgando-lhe o rosto, marcando-o para sempre? Uma mulher gorda, que morava perto do cais, gritou ao marido que, na manhã seguinte, apesar de ser dia de ano novo, teriam de varrer o telhado e inspeccionar os algerozes. Só uma rapariga se comoveu com aquela mancha de morte. Apanhou um tordo que caiu aos seus pés e sentiu-lhe o corpo morno.
posted by Ana Cássia Rebelo
Só alguns dias mais tarde apareceram as primeiras explicações nos jornais. O barulho dos fogos de artifício assustara os pássaros que descansavam nos ninhos. O rebentar simultâneo de milhares de foguetes, celebrando o novo ano, fizera-os despertar do seu sono palpitante. Segundo um especialista, as aves teriam tido um choque profundo, a explosão de ruído e luz provocara-lhes desorientação e cegueira. Alguns pássaros explodiram por dentro, sangraram pelos olhos; outros puseram-se a voar num descontrolo absurdo, batendo em chaminés, paredes, postos de iluminação, placards publicitários. Naquela noite, porém, ninguém encontrou razão que explicasse a chuva de pássaros e a multidão, que viera ao cais assistir ao fogo de artifício, emudeceu quando as aves começaram a cair.
Até que um homem se pôs a gritar que aquilo era um sinal divino, deus, zangado, anunciava o fim do mundo. Estava no livro sagrado. Uma mulher deu uma gargalhada, mangando da ignorância do crente. Desviou a objectiva das cascatas de luz e começou a fotografar o fenómeno, procurando o melhor ângulo para uma documentação credível. Um homem bonito, de olhos espessos, aproveitou a primeira agitação da multidão. Protegeu o rosto com as mãos e começou a abrir caminho na multidão. E se alguma ave, ao cair, lhe acertasse de bico, rasgando-lhe o rosto, marcando-o para sempre? Uma mulher gorda, que morava perto do cais, gritou ao marido que, na manhã seguinte, apesar de ser dia de ano novo, teriam de varrer o telhado e inspeccionar os algerozes. Só uma rapariga se comoveu com aquela mancha de morte. Apanhou um tordo que caiu aos seus pés e sentiu-lhe o corpo morno.
posted by Ana Cássia Rebelo
Nelson Mandela internado para exames
Uma viatura militar e vários carros da polícia sul-africana, alguns transportando elementos da brigada de minas e armadilhas com cães, foram destacados para as instalações hospitalares onde Nelson Mandela está desde ontem internado.
Milpark, local onde se situa o hospital com o mesmo nome na zona noroeste de Joanesburgo, tem conhecido, desde a noite passada, um movimento absolutamente invulgar de viaturas oficiais, de segurança e da comunicação social.
Desde o meio da manhã de hoje inúmeras personalidades entraram nas instalações onde o ex-presidente, de 92 anos, foi ontem internado para "exames de rotina": a sua ex-mulher, Winnie Madikizela-Mandela, a viúva do "histórico" dirigente Walter Sisulu, Albertina, que se movimenta numa cadeira de rodas, o ministro da Justiça e alto quadro do ANC, Jeff Radebe, e várias outras.
Cerca das 13:30 horas locais (11:30 horas de Lisboa) Winnie Mandela abandonou o hospital de Milpark visivelmente emocionada, embora sem prestar declarações. Era visível que a ex-mulher de Nelson Mandela limpava lágrimas do rosto no momento em que entrava no automóvel que a aguardava frente à entrada principal, e que está rodeada por uma improvisada rede verde destinada a obstruir a visão dos jornalistas.
Na estreita rua que leva ao hospital de Milpark, e onde um grupo de jornalistas passou a noite de quarta-feira monitorizando entradas e saídas de viaturas e personalidades, estão hoje estacionados carros de transmissões das televisões locais e inúmeros jornais, rádios e órgãos de comunicação internacionais, dificultando mesmo o acesso ao hospital.
Também no bairro de Houghton, onde Mandela e a família residem desde 1992, as autoridades começaram esta manhã a controlar o movimento de viaturas, particularmente nas proximidades da residência do velho estadista.
Vários jornalistas foram instados pela polícia a não estacionarem nas proximidades e viaturas policiais foram destacadas para os cruzamentos que levam à residência de Mandela, embora não tenham sido montadas quaisquer tipos de barricadas até ao momento.
Na manhã de hoje foi noticiado por uma estação de rádio local que o ex-presidente havia sido examinado por um destacado especialista de doenças do trato respiratório, o professor Michael Pitt, embora oficialmente a notícia não tenha sido confirmada.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Protestos no Egipto resultam em confrontos no Cairo e em Suez
Milhares de manifestantes voltaram esta quarta-feira a sair à rua no Egipto desafiando a proibição das autoridades. Houve confrontos com a polícia no Cairo e em Suez e mais de 800 pessoas foram detidas durante os dois dias de protestos.
Pelo menos 2000 pessoas manifestaram-se na cidade de Suez, onde esta terça-feira morreram três pessoas nos confrontos, adiantaram testemunhas citadas pela AFP. No Cairo os manifestantes também voltaram a sair à rua - milhares, segundo a Reuters - concentrando-se junto ao Supremo Tribunal, gritando "queremos a queda do regime" e atirarando pedras à polícia, que respondeu com gás lacrimogéneo.
O primeiro-ministro egípcio, Ahmed Nazif, disse à agência de informação estatal que o Governo está empenhado em possibilitar a liberdade de expressão no país "por meios legítimos", mas adiantou que a polícia reagiu aos protestos "com contenção". Segundo fonte do Ministério do Interior egípcio, citada pela Reuters, nos últimos dois dias foram detidas cerca de 500 pessoas, mas mais tarde diversos órgãos de informação noticiaram a detenção de mais de 800 pessoas.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, apelou às autoridades egípcias para aproveitarem esta ocasião para "se interessarem pelos problemas legítimos das pessoas", adiantou o seu porta-voz, Martin Nesiry. "A ONU está a acompanhar de perto as manifestações e a tensão no Egipto e na região, e o secretário-geral apela a todos os envolvidos para que a situação no Egipto não conduza a mais violência", adiantou.
Centenas de manifestantes juntaram-se em frente à morgue em Suez para pedir que o corpo de um dos manifestantes mortos fosse entregue à família, adiantou a Reuters. Gritaram "o Governo matou um nosso filho".
Várias manifestações foram marcadas pelo grupo de opositores 6 de Abril para esta quarta-feira "e para depois, até [o Presidente] Moubarak se ir embora".
O Governo tinha avisado que não iria permitir novos protestos nas ruas como os da véspera, em que morreram quatro pessoas, e adiantou que todos quantos tentassem manifestar-se seriam detidos. Estas são as maiores manifestações no Egipto desde que o Presidente Hosni Moubarak chegou ao poder, em 1981.
"Nenhuns movimentos provocadores nem reuniões de protesto, marchas ou manifestações vão ser permitidas. Procedimentos legais serão tomados imediatamente e os participantes entregues às autoridades de investigação", afirmou na terça-feira o ministro do Interior, citado pela agência noticiosa estatal MENA.
Mais de 20.000 pessoas protestaram ontem em várias cidades do país, num "dia da ira" contra a pobreza e a repressão de Hosni Mubarak, inspiradas pela "revolução dos jasmins" que na semana passada fez cair o chefe de Estado na Tunísia.
Esta manhã era feita uma actualização do número de mortos nos confrontos que ocorreram na véspera, passando a um polícia, no Cairo, e três manifestantes, todos na cidade de Suez. A agência noticiosa britânica Reuters, citando uma fonte médica, identificava o terceiro manifestante morto como Gharib Abdelaziz Abdellatif, de 45 anos, que terá perecido já hoje no hospital.
A manhã começou tranquila nas ruas da capital egípcia, apesar de milhares de manifestantes terem ameaçado não abandonar a praça de Tahiri, no centro do Cairo, até ao derrube de Mubarak.
Pelas primeiras horas de hoje a polícia tinha já toda a zona sob controlo, e foi testemunhada a existência de um forte aparato de segurança na capital e a detenção de alguns grupos de jovens do sexo masculino por toda a cidade – nomeadamente junto a um complexo de edifícios de tribunais, no centro do Cairo, onde começaram alguns dos protestos de ontem.
Durante a noite as forças de segurança continuaram a dispersar os manifestantes, com canhões de água e gás lacrimogéneo. Já de madrugada, as ruas estavam vazias e o trânsito fluía normalmente.
Davos debate a crise de dívida europeia
A reunião de 2011 do Fórum Económico Mundial arranca hoje na estância de inverno suíça de Davos, para reflectir sobre soluções para a crise de dívida na zona euro, as guerras cambiais e o aumentar das convulsões sociais.
Com o tema 'Normas Partilhadas para uma Nova Realidade', o encontro deste ano do Fórum Económico Mundial (WEF, na sigla em inglês) vai receber entre 26 e 30 de Janeiro 2.500 líderes políticos e económicos, incluindo 27 chefes de Estado e de governo.
«O sistema político e as instituições estão esgotados pelas complexidades que enfrentam» disse recentemente, em conferência de imprensa o presidente do WEF, o professor de economia Klaus Schwab, que fundou o fórum de Davos em 1971.
Com toda a gente «demasiado ocupada a apagar fogos» para fazer reflexões estratégicas, Schwab prometeu que Davos se vai dedicar a temas de longo prazo, como «o deslocar do poder económico e político do Norte para o Sul e do Ocidente para o Oriente», bem como as formas actuais de governação global, o aumento das revoltas sociais ou as desvalorizações competitivas entre os principais blocos económicos mundiais.
A presença da chanceler alemã Angela Merkel, do presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, do presidente do Banco Central Alemão, Axel Weber e da ministra espanhol das Finanças, Elena Salgado, leva também os analistas a apostar que a crise de dívida da zona euro estará em debate.
Os 1.400 líderes empresariais presentes em Davos até estão otimistas, com os resultados das empresas e a economia dos Estados Unidos a melhorar, e os países emergentes a crescer a passos largos. O que vai preocupar gente como o fundador da Microsoft, Bill Gates, o milionário George Soros ou Jamie Dimon, presidente do banco JP Morgan Chase, são as questões globais como o desemprego e o fosso entre os mais ricos e os outros, que se traduz, muitas vezes, em raiva contra os grandes bónus dos banqueiros.
Um recente inquérito aos participantes de Davos demonstra que as «desigualdades sociais» é o tema que a elite da elite mundial mais quer debater, entre champanhe e uma ou outra descida numa das melhores pistas de ski do mundo.
«Davos não vai resolver nada. É impressionante como esquecemos rapidamente as lições que aprendemos na crise. E se a realidade não nos muda, porque é que Davos haveria de mudar alguma coisa?», disse à Lusa Jules Goddard, investigador da London Business School, um dos eleitos do WEF para participar no encontro.
Em Davos, nos dois últimos anos, no auge da crise, a companhia de patrões da banca e da indústria comprometia, ao ponto de, em 2009, estrelas internacionais como o cantor Bono ou os atores Brad Pitt e Angelina Jolie preferirem não por lá os pés.
Este ano, a poeira das estrelas volta a banhar banqueiros, políticos e empresários. O efeito bling-bling , entre jóias e brindes de champanhe, está assegurado pelo tenor espanhol José Carreras, pelo actor americano Robert de Niro, para além da princesa norueguesa Mette-Marit e dos príncipes Matilde e Felipe, da Bélgica. Bono também voltou
Obama apela à união dos partidos politicos
O Presidente dos Estados Unidos apelou aos partidos para que trabalhem juntos no Congresso.
A "caminho do progresso" na sequência da "maior recessão que a maioria dos norte-americanos alguma vez conheceram", foi como Barack Obama referiu os Estados Unidos no discurso do estado Nação, proferido na terça-feira, em Washington. A tónica do discurso recaiu sobre a necessidade de que os partidos trabalhem em conjunto para um mesmo fim no Congresso, atualmente dividido entre as representações dos dois partidos. Obama apelou à ação para diminuir o défice e fazer face aos desafios lançados pelos competidores emergentes como a Índia e a China.
Ao contrário da tradição, muitos rivais democratas e republicanos sentaram-se juntos, e não separadamente, enquanto ouviam o discurso do Presidente. Não terá sido alheio a este facto a vontade de mostrar unidade depois do tiroteio de há três semanas, no Arizona, no qual a congressista Gabrielle Giffords foi gravemente atingida.
"Este é o momento Sputnik da nossa geração", disse Obama, referindo-se ao sucesso dos soviéticos em colocar o primeiro satélite em órbita antes dos EUA, em 1957, continuando: "há dois anos, eu disse que tínhamos de atingir um nível de investigação e de desenvolvimento que não temos tido desde o auge da corrida ao espaço". O Presidente sublinhou a necessidade de investir na investigação biomédica, tecnologias da informação e, em especial, na tecnologia da energia limpa - "um investimento que fortalecerá a nossa segurança, protegerá o planeta e criará numerosos empregos" para os norte-americanos, disse.
Barack Obama adiantou que o Governo investirá em melhorias de larga escala em infraestruturas, incluindo ligações de comboios de alta velocidade e assegurando que 98% dos americanos tenham acesso a ligações de banda larga de internet sem fios no prazo de cinco anos.
A política externa só foi referida no discurso quando o Presidente referiu que as tropas norte-americanas tinham terminado a sua missão no Iraque "de cabeças erguidas", ao mesmo tempo que a liderança da al-Qaeda no Paquistão está "sob a maior pressão de sempre desde 2001".
A "caminho do progresso" na sequência da "maior recessão que a maioria dos norte-americanos alguma vez conheceram", foi como Barack Obama referiu os Estados Unidos no discurso do estado Nação, proferido na terça-feira, em Washington. A tónica do discurso recaiu sobre a necessidade de que os partidos trabalhem em conjunto para um mesmo fim no Congresso, atualmente dividido entre as representações dos dois partidos. Obama apelou à ação para diminuir o défice e fazer face aos desafios lançados pelos competidores emergentes como a Índia e a China.
Ao contrário da tradição, muitos rivais democratas e republicanos sentaram-se juntos, e não separadamente, enquanto ouviam o discurso do Presidente. Não terá sido alheio a este facto a vontade de mostrar unidade depois do tiroteio de há três semanas, no Arizona, no qual a congressista Gabrielle Giffords foi gravemente atingida.
"Este é o momento Sputnik da nossa geração", disse Obama, referindo-se ao sucesso dos soviéticos em colocar o primeiro satélite em órbita antes dos EUA, em 1957, continuando: "há dois anos, eu disse que tínhamos de atingir um nível de investigação e de desenvolvimento que não temos tido desde o auge da corrida ao espaço". O Presidente sublinhou a necessidade de investir na investigação biomédica, tecnologias da informação e, em especial, na tecnologia da energia limpa - "um investimento que fortalecerá a nossa segurança, protegerá o planeta e criará numerosos empregos" para os norte-americanos, disse.
Barack Obama adiantou que o Governo investirá em melhorias de larga escala em infraestruturas, incluindo ligações de comboios de alta velocidade e assegurando que 98% dos americanos tenham acesso a ligações de banda larga de internet sem fios no prazo de cinco anos.
A política externa só foi referida no discurso quando o Presidente referiu que as tropas norte-americanas tinham terminado a sua missão no Iraque "de cabeças erguidas", ao mesmo tempo que a liderança da al-Qaeda no Paquistão está "sob a maior pressão de sempre desde 2001".
Afeganistão:Petraeus afirma que talibãs estão a bater em retirada
O chefe das tropas da NATO no Afeganistão, o general norte-americano David Petraeus, afirmou numa carta divulgada ontem que os talibãs perdem terreno face às tropas da coligação internacional.
Nesta carta bastante optimista, dirigida aos soldados, o general Petraeus assegurou que as forças da ISAF conseguiram ganhar terreno durante os últimos 12 meses. A acreditar no alto graduado, a coligação soube afastar os talibãs no Sul afegão e infligiu "perdas consideráveis" aos quadros de nível intermédio dos combatentes islamitas. Mas, o general não fez, em nenhum momento, referência a Julho de 2011, data escolhida pela administração do presidente norte-americano Barack Obama para o início da retirada dos 100.000 soldados norte-americanos do Afeganistão.
"No fim de contas, 2010 foi um ano de sucessos notáveis, atingidos pagando o preço de lutas difíceis. Este ano também se anuncia como um ano difícil", escreveu o general Petraeus, que agradeceu igualmente às tropas da ISAF pelos sacrifícios realizados e explicou que os seus esforços permitiram semear a "discórdia" no topo do aparelho decisor dos talibãs.
"A partir de agora, os insurrectos reagem mais às nossas operações do que o inverso. Vários relatórios fazem estado de um desacordo sem precedentes entre os membros da choura de Quetta, o órgão de comando dos talibãs", concluiu.
O Novo Paradigma Escolar
Um Moderno Modelo Escolar
Há muita insatisfação com as escolas públicas e não só em Portugal. A Suécia, muito socialista, introduziu há 25 anos o que já temos: o colégio privado e cooperativado. Não conheço país civilizado onde o ensino básico seja comandado a partir da capital. Mesmo as escolas publicas são da responsabilidade do município, com algum apoio central.
A avaliação moderna, ao contrário de Portugal, não é feita só pelos inspectores e especialistas, mas pelas universidades, PME locais e sociedade civil, que são os "clientes", os que contratam os ex-alunos.
A recente Conferência Episcopal expressa as vantagens do privado: "O ano escolar sem interrupções, com professores permanentes, e com o financiamento recebido do Estado, muito menos oneroso ao erário público que iguais escolas do ensino estatal. Mas em anos recentes, isto tem sido travado pelo governo.
Em outros países, muitos municípios dão um voucher aos pais para pagarem pelo ano escolar a escola que ecolherem, publica ou privada. O valor é a média do custo por aluno naquele ano. A melhor escola é a mais procurada e, portanto, a que mais recebe. Assim, professores e demais educadores fazem o melhor, para que os pais, alunos e a sociedade a conheçam. Com mais fundos, vão a mais cursos e ficam ainda melhores.
É o ganha-ganha: melhor para os professores, para os pais, alunos, sociedade e o Orçamento do Estado. Precisamos de pessoas de bom-senso, não especialistas nem egoístas, para modernizar o sietema escolar-
Jack Soifer
Há muita insatisfação com as escolas públicas e não só em Portugal. A Suécia, muito socialista, introduziu há 25 anos o que já temos: o colégio privado e cooperativado. Não conheço país civilizado onde o ensino básico seja comandado a partir da capital. Mesmo as escolas publicas são da responsabilidade do município, com algum apoio central.
A avaliação moderna, ao contrário de Portugal, não é feita só pelos inspectores e especialistas, mas pelas universidades, PME locais e sociedade civil, que são os "clientes", os que contratam os ex-alunos.
A recente Conferência Episcopal expressa as vantagens do privado: "O ano escolar sem interrupções, com professores permanentes, e com o financiamento recebido do Estado, muito menos oneroso ao erário público que iguais escolas do ensino estatal. Mas em anos recentes, isto tem sido travado pelo governo.
Em outros países, muitos municípios dão um voucher aos pais para pagarem pelo ano escolar a escola que ecolherem, publica ou privada. O valor é a média do custo por aluno naquele ano. A melhor escola é a mais procurada e, portanto, a que mais recebe. Assim, professores e demais educadores fazem o melhor, para que os pais, alunos e a sociedade a conheçam. Com mais fundos, vão a mais cursos e ficam ainda melhores.
É o ganha-ganha: melhor para os professores, para os pais, alunos, sociedade e o Orçamento do Estado. Precisamos de pessoas de bom-senso, não especialistas nem egoístas, para modernizar o sietema escolar-
Jack Soifer
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
EUA : Obama profere esta noite o discurso do Estado da União
Discurso do Estado da União de Obama marcado pela competividade e défice
Numa altura em que os Estados Unidos ainda estão ensombrados pelo massacre do início do mês em Tucson (Arizona), a mensagem do discurso será unificadora, mas não o suficiente para que democratas e republicanos se entendam sobre uma questão de biliões de dólares -- o défice.
"Com o devido respeito para os nossos amigos democratas, sempre que eles querem gastar, chamam-lhe investimento. Portanto, acho que vamos ouvir o presidente falar muito em investimentos na terça-feira à noite", disse no domingo o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, ao canal de televisão conservador FOX News.
Entretanto, Eric Cantor, líder republicano na Câmara dos Representantes, sublinhava noutro canal, a NBC, que o partido vai exigir "cortes orçamentais profundos", e que mesmo as despesas militares não deveriam ser poupadas.
Na discussão sobre o défice galopante (1,3 biliões de dólares), enquanto a economia recupera daquela que é considerada a maior quebra desde a Grande Depressão, Obama terá pela frente um partido republicano impulsionado pela conquista da maioria na câmara baixa do Congresso e reforço de lugares no Senado.
Na campanha para as eleições intercalares de novembro, os republicanos ganharam com uma proposta de redução profunda das despesas públicas, que só este ano ascenderia a 100 mil milhões de dólares, o que entretanto a liderança já reconheceu ser "difícil". Mas, desde o final do ano passado, a popularidade presidencial não parou de subir, segundo atestam as últimas sondagens, e o discurso ao país após o massacre de Tucson, em que ficou gravemente ferida a congressista democrata Gabrielle Giffords, foi de modo geral bem acolhido à esquerda e à direita.
Num invulgar sinal de unidade política, congressistas e senadores democratas e republicanos sentar-se-ão hoje lado a lado no Congresso às 21:00 locais (02:00 de quarta-feira em Lisboa), para ouvir Barack Obama.
Segundo os diários New York Times e Wall Street Journal, Obama irá aproveitar o discurso para defender a necessidade de investimentos públicos seletivos que criem empregos, estimulem a economia e contribuam para a competitividade do país a longo prazo, como a investigação científica, energias amigas do ambiente e bolsas académicas.
Russia:atentado em Moscovo terá sido perpetrado por mulher bombista suicida
O atentado que fez esta segunda-feira 35 mortos no aeroporto de Moscovo terá sido perpetrado por uma mulher bombista suicida e um cúmplice, um procedimento “habitual” para os rebeldes do Norte do Cáucaso, afirma a polícia.
Atentado é um novo desafio a autoridade de Putin
“A explosão ocorreu no momento em que uma presumível terrorista abriu a sua mala”, disse fonte policial à agência Ria-Novosti. A mulher estava acompanhada por um homem que permaneceu a seu lado e cuja cabeça a polícia acabou por encontrar depois da explosão, acrescentou.
“Não excluímos a hipótese de que os terroristas tenham tido a intenção de deixar o engenho explosivo na sala mas que a bomba tenha sido detonada acidentalmente por um controlo remoto", disse fonte citada pela Ria-Novosti.
De acordo com a polícia, os terroristas terão sido levados até ao aeroporto de por um cúmplice.
"O atentado foi realizado de acordo com os procedimentos utilizados por terroristas na região Norte do Cáucaso", acrescentou. "As explosões na estação de Metro Rizhskaya (em 2004) e outras explosões no Metro de Moscovo (em 2010) foram realizadas de forma semelhante, sendo os terroristas acompanhados por militantes."
O Presidente russo, Dmitri Medvedev, disse hoje, citado pela agência Interfax, que a direcção do aeroporto moscovita deve agora responder por infracções em questões de segurança. Segundo a agência Itar-Tass, o Presidente já deu orientações nesse sentido ao procurador-geral Yuri Chaika. “O que se passou mostra claramente que existiram violações às regras de segurança. Tiveram forçosamente de ter falhado para que esta quantidade de explosivos tenha conseguido entrar no aeroporto”, acrescentou. “Todos aqueles que têm responsabilidades e que tomam decisões na gestão do aeroporto deverão ser chamados a responder. Isto é uma tragédia.”
Medvedev declarou que "o terrorismo continua a ser a ameaça mais séria" para a Rússa e garantiu que os responsáveis pelo atentado serão "liquidados". "Vamos fazer tudo para que os bandidos que cometeram este crime sejam identificados e levados à justiça", afirmou o Presidente russo.
De momento 110 pessoas estão hospitalizadas com ferimentos causados pela explosão, ontem às 13h32 em Lisboa, na zona de entrega de bagagens do terminal de chegada dos voos internacionais. O explosivo usado teria uma potência equivalente a cinco quilos de TNT.
Segundo o Ministério russo para as Situações de Emergência, citado pela Itar-Tass, os feridos estão a receber tratamento em vários hospitais de Moscovo.
Este atentado bombista terá sido o maior ataque terrorista desde que duas mulheres bombistas suicidas do Norte do Cáucaso accionaram explosivos nas estações de Metro da capital russa, em Março. Morreram 40 pessoas.
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