segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Antigo CEO da Godfather's Pizza, concorre a presidente para 2012
Herman Cain, antigo CEO da Godfather's Pizza, é o primeiro republicano a anunciar a intenção de concorrer à nomeação presidencial de 2012. Apesar de ser desconhecido do grande público, Cain fez furor no ano passado no movimento tea party. As suas hipóteses são diminutas, mas não deixará de animar a corrida e granjear apoio dentro dos sectores mais conservadores do GOP.
Obama a subir?
Prestes a comemorar dois anos de mandato, o Presidente parece estar a conhecer uma ligeira subida na "aprovação popular", segundo as sondagens. Embora as alterações sejam pouco expressivas, o facto de várias empresas registarem em simultâneo uma subida daquela "aprovação" merece relevo. Esta melhoria é particularmente visível nos estudos da Gallup, cujo último registo apresenta uma taxa de aprovação de 49% (42% de desaprovação), o melhor valor para Obama desde Maio de 2010.
A que se deve esta "recuperação"? É impossível tirar conclusões seguras (até porque não sabemos se estamos perante uma nova tendência ou uma mera circunstância). De qualquer forma, atrevo-me a dizer que, se estes valores positivos se mantiverem, eles resultam de um conjunto alargado de factores, dos quais se destacam:
- os feitos alcançados pelo Congresso nos dois últimos meses, nomeadamente a aprovação do Tratado START com a Rússia e a revogação da premissa "don't ask, don't tell" (sobre a presença dos homossexuais no exército);
- os sinais de ligeira recuperação económica nos EUA e o aumento dos índices de confiança do consumidor;
- uma curiosa tendência própria da cultura política e social norte-americana: quando um evento particularmente traumático atinge o país, a nação une-se em torno dos seus líderes (é certo que as referidas sondagens ainda não contabilizam os potenciais efeitos do discurso de Obama em Tucson, mas os eventos aí ocorridos serão por si só suficientes para produzirem aquela interessante consequência)
blog :"Era Uma Vez a América", por José Gomes André
A que se deve esta "recuperação"? É impossível tirar conclusões seguras (até porque não sabemos se estamos perante uma nova tendência ou uma mera circunstância). De qualquer forma, atrevo-me a dizer que, se estes valores positivos se mantiverem, eles resultam de um conjunto alargado de factores, dos quais se destacam:
- os feitos alcançados pelo Congresso nos dois últimos meses, nomeadamente a aprovação do Tratado START com a Rússia e a revogação da premissa "don't ask, don't tell" (sobre a presença dos homossexuais no exército);
- os sinais de ligeira recuperação económica nos EUA e o aumento dos índices de confiança do consumidor;
- uma curiosa tendência própria da cultura política e social norte-americana: quando um evento particularmente traumático atinge o país, a nação une-se em torno dos seus líderes (é certo que as referidas sondagens ainda não contabilizam os potenciais efeitos do discurso de Obama em Tucson, mas os eventos aí ocorridos serão por si só suficientes para produzirem aquela interessante consequência)
blog :"Era Uma Vez a América", por José Gomes André
James Bond : a série vai continuar
Depois das dúvidas quanto ao futuro do "Agente 007" no cinema, dados os problemas financeiros da MGM, está confirmada a estreia de um novo filme da série James Bond, com Sam Mendes como realizador
À frente do elenco continuará o ator Daniel Craig (fez "Casino Royale", em 2006, e "Quantum of Solace", em 2008),
O novo filme, ainda sem nome, será o 23º da série, a terceira mais bem sucedida da história do cinema. Segundo o site Box Office Mojo, só "Star Wars" e "Harry Potter" a ultrapassam em lucros de bilheteira.
Morreu a actriz britãnica Suzannah York
A atriz britânica Susannah York, que se destacou nos anos 70, morreu hoje aos 72 anos na sequência de um cancro, informou o seu filho, Orlando Wells.
Susannah York, que trabalhou no cinema, na televisão e no teatro, foi candidata a um Óscar como atriz secundária pela sua interpretação no filme "Os cavalos também se abatem" (1969), na qual contracenou com Jane Fonda e sob direção de Sydney Pollack.
O seu cabelo ruivo e olhos azuis foram características que a destacaram como uma das principais atrizes britânicas nos anos 60, juntamente com a sua compatriota Julie Christie.
Nascida a 9 de janeiro de 1939 no bairro londrino de Chelsea, Susannah York cresceu na Escócia, estudou em 1959 na Real Academia de Artes Dramáticas e ganhou o prémio "Ronson" como a estudante com melhores perspetivas de sucesso. Reconhecida com vários prémios, participou em filmes como "Tom Jones" e "A Man For All Seasons" e trabalhou com Elizabeth Taylor, Marlon Brando, Montgomery Clift e Peter O'Toole.
York interpretou a mãe do "Superhomem" em três filmes da série, mas também se dedicou a outras actividades como escrever livros infantis.
"A Rede Social" ganha Globos de Ouro
A 68ª edição dos Globos de Ouro aconteceu ontem el Los Angeles prémios. A organização atribuiu os prémios a vários filmes e séries televisivas. Porém, a película “A Rede Social” acabou por se destacar,tendo ganho o Globo de Ouro de melhor filme (na categoria drama), melhor realizador (David Fincher), melhor argumento original (Aaron Sorkin) e melhor banda sonora original (Trent Reznor e Atticus Ross).
As honras de apresentação estiveram a cargo do corrosivo Ricky Gervais que, - segundo alguns convidados -, pisou o risco em mais que uma ocasião, nomeadamente quando apresentou o actor Bruce Willis como o pai de Ashton Kutcher - o actual marido da sua ex-mulher, Demi Moore, e bastante mais jovem que a companheira. Gervais acusou ainda as pessoas que decidem os vencedores dos Globos de Ouro de aceitarem subornos e identificou o actor Robert Downey Jr. como sendo mais conhecido pelas suas passagens pela clínica Betty Ford e pela prisão de Los Angeles que pelos seus filmes. Depois da piada, já nos bastidores, Downey Jr. comentou que "é óptimo quando alguém tem piada, mas é ainda melhor quando se consegue ter piada sem magoar ninguém".
A série sobre gangsters passada na década de 1920, "Boardwalk Empire”, com o selo da HBO, venceu o Globo de Ouro de melhor série dramática e deu ainda o prémio de melhor actor a Steve Buscemi, que bateu favoritos como Jon Hamm (“Mad Men”) e Michael C. Hal (“Dexter”).
domingo, 16 de janeiro de 2011
Dilma Rousseff enfrenta pressões
Dilma mostra que, apesar do clima de continuidade, sua postura é diferente de Lula
Cerca de 15 dias após assumir o mandato de presidente da República, Dilma Rousseff já começa a sentir o peso do cargo: brigas partidárias por indicações no governo, pressões pelo aumento do salário mínimo e, também, a tragédia das enchentes no Rio de Janeiro, entre vários outros assuntos. O que dá mostras da personalidade e estilo da nova presidente.
Ela é mais econômica nas palavras que seu antecessor e padrinho político, o ex-presidente Lula. A única entrevista de Dilma depois da posse foi concedida após sobrevoo das áreas atingidas pelas enchentes no Rio, na última quinta-feira. Na ocasião ela criticou os anos de descaso do poder público, que permitiu que milhares de famílias ocupassem irregularmente áreas de risco, prometendo ajuda às famílias atingidas.>>
ONU: falta de planejamento faz chuva matar mais no Brasil
A falta de “comunicação” e de um plano de emergência fez com que as fortes chuvas na Região Serrana do Rio resultassem em uma tragédia maior do que a ocorrida no estado de Queensland, na Austrália, também submersa recentemente pelas águas. A opinião é de Margareta Wahlström, subsecretária-geral da ONU para a Redução de Riscos de Desastres.
- Por causa da ocorrência de ciclones, a Austrália já tinha começado a se preparar para o imprevisível. As autoridades sabem como evacuar as áreas, e a população escuta as orientações pelo rádio - explicou à BBC Brasil.
No país da Oceania, inundações em três quartos do estado de Queensland haviam provocado pelo menos 13 mortes até a última quarta-feira. Na serra fluminense, o saldo de mortos já passa de 500. Para Wahlström, o Brasil poderia ter evitado mortes se tivesse planos de emergência eficazes. Ela cita como exemplo iniciativas de outros países em desenvolvimento, como a Indonésia, que, “apesar de ser uma nação pobre, tem planos de evacuação diante de ameaças de terremoto e de erupção de vulcão, por exemplo”. “São iniciativas que salvam vidas”, diz ela.
Monitorar as áreas de risco e montar um sistema de alerta – com a designação de um líder para orientar a população e a criação de abrigos pré-definidos para receber moradores – são medidas consideradas básicas por Wahlström para evitar mortes como as ocorridas em Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo.
- As pessoas precisam saber para onde ir e como ir, qual seria o caminho mais seguro. Uma solução comum são centros comunitários preparados para receber a população - afirmou à BBC Brasil.
Wahlström tem mais de 25 anos de experiência em gestão de catástrofes e coordenou, pelas Nações Unidas, a assistência às comunidades atingidas pelo tsunami de 2004 na Ásia. Em 2010, viu de perto no Rio de Janeiro as consequências da chuva no início do ano. No mês passado, esteve em Queensland, no local que está sendo assolado pelas enchentes.
- No Brasil, ainda há muito a ser feito em termos de planejamento urbano. Os governos têm que trabalhar com a população e realmente proibir construções em áreas de risco. Muitas regulamentações existem, o problema é que nem sempre são cumpridas - disse a subsecretária-geral da ONU para a Redução de Riscos de Desastres.
Segundo Wahlström, os desastres naturais nos últimos dez anos provocaram prejuízos de quase US$ 1 trilhão na economia global. São perdas que poderiam ser em grande parte evitadas. Um estudo citado pela representante da ONU aponta que, para cada US$ 1 investido em prevenção, é possível economizar pelo menos US$ 7 em resgates e reconstrução.
- Não é necessário sofrer assim. Há uma escolha (a ser feita), e a escolha é planejar. O número de desastres vai continuar crescendo, e todo investimento em planejamento é um bom investimento - opinou. (Fonte: G1)
Jornal : "O Globo"
A poesia de Manuel Alegre
As Sete Penas do Amor Errante
Eu não sei se os teus olhos se gaivotas
mas era o mar e a Índia já perdida
as ilhas e o azul o longe e as rotas
minha vida em pedaços repartida.
Eu não sei se o teu rosto se um navio
mas era o Tejo a mágoa a brisa o cais
meu amor a partir-se à beira-rio
em uma nau chamada nunca mais.
Eu não sei se os teus dedos se as amarras
mas era algo que partia e que
ficava. Ou talvez cordas de guitarras
ó meu amor de embarque desembarque.
Eu não sei se era amor ou se loucura
mas era ainda o verbo descobrir
ó meu amor de risco e de aventura
não sei se Ceuta ou Alcácer Quibir.
Eu não sei se era perto se distante
mas era ainda o mar desconhecido
ou Camões a penar por Violante
as sete penas do amor proibido.
Eu não sei se ventura se castigo
mas era ainda o sangue e a memória
talvez o último cantar de amigo
amor de perdição amor de glória.
Eu não sei se teu corpo se meu chão
mas era ainda a terra e o mar. E em cada
teu gesto a grande peregrinação
das sete penas do amor lusíada.
Manuel Alegre, in "Atlântico"
Eu não sei se os teus olhos se gaivotas
mas era o mar e a Índia já perdida
as ilhas e o azul o longe e as rotas
minha vida em pedaços repartida.
Eu não sei se o teu rosto se um navio
mas era o Tejo a mágoa a brisa o cais
meu amor a partir-se à beira-rio
em uma nau chamada nunca mais.
Eu não sei se os teus dedos se as amarras
mas era algo que partia e que
ficava. Ou talvez cordas de guitarras
ó meu amor de embarque desembarque.
Eu não sei se era amor ou se loucura
mas era ainda o verbo descobrir
ó meu amor de risco e de aventura
não sei se Ceuta ou Alcácer Quibir.
Eu não sei se era perto se distante
mas era ainda o mar desconhecido
ou Camões a penar por Violante
as sete penas do amor proibido.
Eu não sei se ventura se castigo
mas era ainda o sangue e a memória
talvez o último cantar de amigo
amor de perdição amor de glória.
Eu não sei se teu corpo se meu chão
mas era ainda a terra e o mar. E em cada
teu gesto a grande peregrinação
das sete penas do amor lusíada.
Manuel Alegre, in "Atlântico"
O Top 10 dos livros em 2010 para o Ípsilon
1. As Aventuras de Augie March
Saul Bellow
2. Adoecer
Hélia Correia
3. Clarice Lispector – Uma Vida
Benjamin Moser
4. Salazar
Filipe Ribeiro
5. Uma Viagem à Índia
Gonçalo M. Tavares
6. O Sonho do Celta
Mario Vargas Llosa
7. Submundo
Don DeLillo
8. Um Repentino Pensamento Libertador
Kjell Askildsen
9. Obra Poética
Sophia de Mello Breyner Andresen
10. Um Tratado sobre os Nossos Actuais Descontentamentos
Tony Judt
O Livro de Julian Assange
“Espero que este livro se torne num dos documentos unificadores da nossa geração. Nesta obra marcadamente pessoal, explico a nossa lutal global para instigar os cidadãos e os governos a estabelecerem um tipo de relação diferente” já explicou Julian Assange do WikiLeaks.
Julian Assange afirmou na sexta-feira que vai publicar um livro em que conta a sua luta para "estabelecer uma nova relação entre as populações e os seus governos".
A Canongate Book, cuja sede fica em Edimburgo, na Escócia, adquiriu todos os direitos mundiais da obra, à exceção da América do Norte, onde o livro será editado por Alfred A. Knopf, um apoiante de Assange.
O primeiro livro do fundador do WikiLeaks "desenvolve a filosofia" que está por trás do site, contando "a vida fascinante" do homem que obrigou "a repensar, de maneira radical, ideias fundamentais como a transparência, a democracia e o poder", considera a Canongate.
sábado, 15 de janeiro de 2011
"Truth is that none of us can know exactly what triggered this vicious attack. "
Na cerimónia de homenagem às vitimas do ataque de Tucson, Barack Obama regressou ao seu estilo da campanha presidencial de 2008. Criticando aqueles que tentam retirar "dividendos políticos" desta tragédia, o Presidente fez um apelo a união do povo americano. Este discurso contrasta com o de Palin no mesmo dia e oferece uma pequena ideia do que seria um confronto entre os dois: um desastre para o Partido Republicano.
do blog "Era uma vez na América"
Cuba descobre vacina contra o cancro do pulmão
Cientistas cubanos anunciaram ontem a descoberta da primeira vacina terapêutica contra o cancro do pulmão. A CIMAVAX-EFG, já está patenteada e é resultante de 15 anos de pesquisa,
Dentro em breve, o cancro do pulmão poderá deixar de ser o mais letal de todos os tipos e entrar para a lista das doenças crónicas. A boa notícia vem de Cuba, que acaba de patentear a primeira vacina terapêutica contra a doença. Mais de 1 000 pacientes já estão a receber o novo tratamento.
A descoberta foi anunciada por Gisela González, responsável pelo projeto que desenvolveu a vacina. Em entrevista ao semanário cubano "Trabajadores" - publicada ontem por esse órgão de comunicação da Central de Trabalhadores de Cuba-, a investigadora disse que o objetivo da vacina é transformar o cancro do pulmão numa doença crónica controlável.
De acordo com a investigadora, a vacina foi desenvolvida a partir de "uma proteína que todos temos: o fator de crescimento epidérmico, relacionado com os processos de proliferação celular. Quando há cancro, essa proteína está descontrolada".
Gisela explicou que, como o organismo tolera "aquilo que é seu" e reage contra "o estranho", tendo sido preciso elaborar uma vacina que produzisse anticorpos contra essa proteína, que já é própria do organismo.
Outros tipos de cancro
Desde o início das investigações passaram-se já 15 anos. De acordo com a cientista cubana, a vacina foi patenteada após se ter testado a sua eficácia em mais de 1 000 pacientes sem que tenham ocorrido efeitos colaterais.
A patenteação em Cuba permitirá aplicar a vacina maciçamente no país, estando em curso o registo da CIMAVAX-EFG noutros países (entre outros, na Malásia, para venda na Europa).
Segundo Gisela González, a equipa de investigação avalia agora "a forma de empregar o mesmo princípio desta vacina noutros tumores sólidos (cancro da próstata, útero e mama), que podem receber este tipo de terapia. Obtivemos resultados importantes, mas é preciso esperar".
A CIMAX-EFG é indicada para os doentes que terminam o tratamento com radioterapia ou quimioterapia e que são considerados pacientes terminais sem alternativa terapêutica. É nesta fase, pós-tratamentos, que a vacina é aplicada para ajudar a controlar o crescimento do tumor, com a vantagem de não apresentar toxidade associada.
A vacina pode também ser usada como tratamento, como se de uma doença crónica se tratasse, já "que vai aumentar a expetativa e a qualidade de vida do paciente", afirmou a investigadora.
Desde há alguns anos, o trabalho dos investigadores cubanos na área do cancro vem sendo acompanhado pela imprensa internacional, havendo várias referências sobre a descoberta da vacina agora patenteada.
Expresso-15Jan2011
Cientistas propõem nova escala para avaliar descoberta de vida extraterrestre
Cientistas reunidos numa conferência internacional da Royal Society em Londres, propõem a criação de uma nova escala para avaliar a credibilidade e as consequências de um anúncio de vida extraterrestre. Chama-se Escala de Londres e rivaliza com a Escala do Rio e com a famosa Equação de Drake.
A escala, designada por London Scale Índex (LSI) e definida em termos matemáticos pela fórmula LSI = Q x d, varia entre 0 e 10 e Q é a soma dos valores de quatro parâmetros: a forma de vida anunciada, a natureza das provas, o tipo de método utilizado na descoberta e a distância da Terra a que se encontra a nova forma de vida. Esta soma é multiplicada por d, um fator de confiança que merece o anúncio, e que vai de fraudulento (0), a provavelmente não verdadeiro (0,1), controverso mas não rejeitável (0,2), testável mas a necessitar de evidência adicional (0,3), provavelmente verdadeiro (0,4), e certo ou muito fiável (0,5). Por outro lado, o risco associado ao anúncio de vida extraterrestre é avaliado à parte.
O LSI foi sugerido pelo investigador Iván Almár, do Observatório Konkoly da Academia de Ciências Húngara, e por Margaret Race, do Instituto SETI (EUA). SETI é a sigla em inglês para pesquisa de inteligência extraterrestre.
Hipóteses ingénuas e Internet galáctica
Na conferência da Royal Society, o pioneiro da SETI e pai da Equação de Drake, o astrónomo americano Frank Drake, que a propôs em 1961, reconheceu que as hipóteses utilizadas até agora para procurar vida extraterrestre inteligente têm sido ingénuas.
Começaram com a pesquisa das ondas de rádio e estenderam-se mais tarde aos sinais óticos e infravermelhos, mas segundo a edição online do jornal espanhol "El País", Frank Drake continua otimista e faz uma pergunta pertinente: "Existirá uma rede de civilizações interconectadas, uma versão real da mítica Internet galáctica?".
A Equação de Drake fornece uma estimativa do número de civilizações extraterrestres na Via Láctea com as quais temos hipóteses de estabelecer alguma forma de comunicação. A Escala do Rio, proposta no 51º Congresso Internacional Astronáutico, que se realizou no Rio de Janeiro em 2000, quantifica o impacto de um anúncio público da descoberta de inteligência extraterrestre.
Até agora já foram identificados 500 planetas extrasolares e há cientistas que acreditam que as atuais gerações poderão ainda chegar a ver sinais de vida extraterrestre. A acontecer, esta descoberta será considerada a maior descoberta científica de sempre, porque altera radicalmente a nossa perceção do lugar dos seres humanos no Universo.
Se a ciência conseguir provar a existência de vida extraterrestre, "ficará demonstrada a hipótese de que a vida não é fruto do acaso mas um imperativo cósmico", afirmou em Londres o Prémio Nobel e bioquímico belga Christian de Duve.
Empresa americana compra direitos do nome e imagem de Marilyn Monroe
Uma empresa americana comprou o direito ao nome e imagem de Marilyn Monroe. A ideia é vender produtos com a marca da icónica actriz. Entre os planos estão a venda de maquilhagem, lingerie e produtos domésticos.
A Authentic Brands Group – que também já detém os direitos da marca Bob Marley – não especificou quanto pagou pelos direitos, mas a imprensa americana fala em valores em torno dos 50 milhões de dólares (37 milhões de euros).
Os direitos foram comprados à herdeira da actriz, Anna Strasberg, viúva do antigo professor de representação de Monroe, Lee Strasberg (Monroe morreu sem filhos e deixou a maior parte da fortuna a Lee). Anna Strasberg terá também uma participação minoritária no negócio da venda de produtos com o nome de Monroe.
“Marilyn Monroe é identificada em todo o mundo como a encarnação da beleza e do glamour. O seu nome e imagem têm uma capacidade de atracção atemporal”, observou o presidente da Authentic Brands Group, Jamie Salter, em comunicado.
Obama levanta restrições a vistos, remessas e viagens para Cuba
USA mantém o embargo, mas alivia medidas
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, levantou hoje uma série de restrições sobre vistos, remessas de dinheiro e viagens para Cuba, anunciou a Casa Branca, em comunicado.
"Estas medidas vão facilitar o contato entre os povos, apoiar a sociedade civil em Cuba, encorajar uma circulação mais livre de informação para e proveniente do povo cubano e ajudar os cubanos a desfazerem-se da sua dependência das autoridades cubanas", explica-se no texto.
"O presidente [Obama] estima que estas medidas, que são tomadas mantendo o embargo, são etapas importantes para que os direitos elementares dos cidadãos sejam respeitados em Cuba", acrescenta-se.
Tunísia: 23 anos de ditadura chegaram ao fim
29 dias de revolta derrubam 23 anos de ditadura
Esta sexta-feira saíram à rua em Tunes às dezenas de milhares. Em resposta, Ben Ali demitiu o Governo. Pouco depois, o Governo anunciava que o general estava “temporariamente incapacitado de exercer as suas funções”. Mais ou menos os termos usados por Ben Ali há 23 anos, quando afastou Habib Bourgiba no que ficou conhecido como “golpe de Estado médico”.
É o primeiro ditador árabe desde Saddam Hussein a cair. Mas esta é uma queda muito diferente. Começou a ser escrita a 17 de Dezembro, quando Mohamed Bouazizi se imolou pelo fogo em Sidi Bouzid, pequena cidade do Centro do país, em protesto por ter sido expulso pela Polícia Municipal da rua em que vendia vegetais. Sidi Bouzid depressa se tornou na Tunísia toda. Mais Bouazizis surgiram: pelo menos cinco tunisinos suicidaram-se em protesto nas últimas semanas.
As palavras seguintes da história desta queda, escreveu-as o próprio Ben Ali, ao ordenar que a polícia disparasse contra o povo que começou a gritar contra o desemprego ou o preço do pão e, dia após dia, foi perdendo o medo do homem que governou pelo medo. As contas dos mortos ainda estão por fazer, mas foram pelo menos 80 até quinta-feira.
Ben Ali chegou sexta-feira à noite a Jiddá, na Arábia Saudita, disseram à AFP responsáveis da monarquia. Horas antes, as televisões francesas tinham citado fontes do Governo de Nicolas Sarkozy para anunciar que Paris recusou a entrada do ditador. Uma filha e uma neta terão aterrado durante a tarde em França.
“É a primeira revolução pós-colonial no mundo árabe! Da auto-imolação de Bouazizi a 17 de Dezembro ao derrube de Ben Ali a 14 de Janeiro. Revolução de jasmim!”, escreveu no Facebook Mona Eltahawy, investigadora e comentadora egípcia. Nos últimos dias, os protestos começaram a ser chamados “Revolução de Jasmim” nas redes sociais da Web.
O futuro é incerto. Ontem, entre anúncios e contra-anúncios, o Exército assumiu o controlo do aeroporto e encerrou o espaço aéreo e o Governo decretou o estado de emergência em todo o país, autorizando as forças de segurança a disparar. Quando este já vigorava, depois das 19h00, ouviram-se tiros no centro de Tunes.
O primeiro-ministro e agora Presidente interino, Mohamed Ghannouchi, anunciou a realização de eleições legislativas em seis meses e prometeu respeitar a Constituição. Hoje mesmo deverá encontrar-se com representantes dos vários partidos para começar a formar um Governo. Aparentemente, a escolha de Ghannouchi foi negociada com o Exército e serão os militares a deter neste momento o poder.
Notícias sobre a detenção de vários membros da família de Ben Ali, incluindo o genro, Sakhr Matri, um dos maiores empresários do país, não foram confirmadas. Mas um próximo de Matri garantia que ele estava no Dubai. Em Tunes, foram pilhadas várias casas de outra família, a da primeira-dama, Leila Trabelsi Ben Ali. Os Trabelsi apropriaram-se nos últimos anos de muitas empresas.
Fim da barreira psicológica
“Cada líder árabe está a olhar para a Tunísia com medo. Cada cidadão árabe está a olhar para a Tunísia com esperança e solidariedade.” O Twitter de Mona Eltahawy foi reenviado inúmeras vezes ao longo do dia por tunisinos e não só. Muitos comentadores acompanharam os acontecimentos na Tunísia como o princípio de uma revolta que prevêem se poderá espalhar a outras ditaduras árabes. Eltahawy diz que o dia de ontem foi “o mais feliz” da sua vida. “É maior do que um sonho numa região onde as pessoas passam a vida a repetir: ‘O que podemos fazer?’”, afirmou à Reuters Kamal Mohsen, estudante libanês de 23 anos.
Calendário do Zodíaco
Astrónomos dizem que os signos mudaram
Astrónomos norte-americanos afirmam que o calendário do zodíaco deve ser mudado. Afinal, a maioria das pessoas tem o signo anterior ao que julgava.A notícia que está a chocar os aficionados dos signos, baseia-se nas conclusões de astrónomos do Minesota Planetarium Society, citado pelo StarTribune. Na prática, a maioria de nós pertence ao signo anterior.
Segundo os cientistas, os antigos astrónomos da Babilónia basearam os signos na constelação na qual o Sol se encontrava no dia do nascimento. Só que, ao longo dos milénios, a força gravitacional da Lua terá feito a Terra oscilar no seu eixo, criando um salto de um mês no alinhamento das estrelas, lê-se numa entrevista de um astrónomo do Minnesota Planetarium Society ao Star Tribune.
O artigo menciona também um 13.º signo, que ficaria entre Escorpião e Sagitário, mas que vários astrónomos têm desvalorizado, dizendo que se refere a uma 13.ª constelação (Ophiuchus), que teria sido posta de parte pelos babilónios, por quererem apenas 12 signos - um para cada mês do ano.
Este é o novo calendário:
Capricórnio: De 20 Janeiro a 16 Fevereiro
Aquário: De 16 Fevereiro a 11 Março
Peixes: De 11 Março a 18 Abril
Carneiro: De 18 Abril a 13 Maio
Touro: De 13 Maio a 21 Junho
Gémeos: De 21 Junho a 20 Julho
Caranguejo: De 20 Julho a 10 Agosto
Leão: De 10 Agosto a 16 Setembro
Virgem: De 16 Setembro a 30 Outubro
Balança: De 30 de Outubro a 23 Novembro
Escorpião: De 23 a 29 Novembro
Serpentário (Ophiuchus): De 29 Novembro a 17 Dezembro
Sagitário: De 17 Dezembro a 20 Janeiro
Astrónomos norte-americanos afirmam que o calendário do zodíaco deve ser mudado. Afinal, a maioria das pessoas tem o signo anterior ao que julgava.A notícia que está a chocar os aficionados dos signos, baseia-se nas conclusões de astrónomos do Minesota Planetarium Society, citado pelo StarTribune. Na prática, a maioria de nós pertence ao signo anterior.
Segundo os cientistas, os antigos astrónomos da Babilónia basearam os signos na constelação na qual o Sol se encontrava no dia do nascimento. Só que, ao longo dos milénios, a força gravitacional da Lua terá feito a Terra oscilar no seu eixo, criando um salto de um mês no alinhamento das estrelas, lê-se numa entrevista de um astrónomo do Minnesota Planetarium Society ao Star Tribune.
O artigo menciona também um 13.º signo, que ficaria entre Escorpião e Sagitário, mas que vários astrónomos têm desvalorizado, dizendo que se refere a uma 13.ª constelação (Ophiuchus), que teria sido posta de parte pelos babilónios, por quererem apenas 12 signos - um para cada mês do ano.
Este é o novo calendário:
Capricórnio: De 20 Janeiro a 16 Fevereiro
Aquário: De 16 Fevereiro a 11 Março
Peixes: De 11 Março a 18 Abril
Carneiro: De 18 Abril a 13 Maio
Touro: De 13 Maio a 21 Junho
Gémeos: De 21 Junho a 20 Julho
Caranguejo: De 20 Julho a 10 Agosto
Leão: De 10 Agosto a 16 Setembro
Virgem: De 16 Setembro a 30 Outubro
Balança: De 30 de Outubro a 23 Novembro
Escorpião: De 23 a 29 Novembro
Serpentário (Ophiuchus): De 29 Novembro a 17 Dezembro
Sagitário: De 17 Dezembro a 20 Janeiro
A poesia de Manuel Alegre
Ser ou não ser
Qualquer coisa está podre no Reino da Dinamarca.
Se os novos partem e ficam só os velhos
e se do sangue as mãos trazem a marca
se os fantasmas regressam e há homens de joelhos
qualquer coisa está podre no Reino da Dinamarca.
Apodreceu o sol dentro de nós
apodreceu o vento em nossos braços.
Porque há sombras na sombra dos teus passos
há silêncios de morte em cada voz.
Ofélia-Pátria jaz branca de amor.
Entre salgueiros passa flutuando.
E anda Hamlet em nós por ela perguntando
entre ser e não ser firmeza indecisão.
Até quando? Até quando?
Já de esperar se desespera. E o tempo foge
e mais do que a esperança leva o puro ardor.
Porque um só tempo é o nosso. E o tempo é hoje.
Ah se não ser é submissão ser é revolta.
Se a Dinamarca é para nós uma prisão
e Elsenor se tornou a capital da dor
ser é roubar à dor as próprias armas
e com elas vencer estes fantasmas
que andam à solta em Elsenor.
Manuel Alegre
Qualquer coisa está podre no Reino da Dinamarca.
Se os novos partem e ficam só os velhos
e se do sangue as mãos trazem a marca
se os fantasmas regressam e há homens de joelhos
qualquer coisa está podre no Reino da Dinamarca.
Apodreceu o sol dentro de nós
apodreceu o vento em nossos braços.
Porque há sombras na sombra dos teus passos
há silêncios de morte em cada voz.
Ofélia-Pátria jaz branca de amor.
Entre salgueiros passa flutuando.
E anda Hamlet em nós por ela perguntando
entre ser e não ser firmeza indecisão.
Até quando? Até quando?
Já de esperar se desespera. E o tempo foge
e mais do que a esperança leva o puro ardor.
Porque um só tempo é o nosso. E o tempo é hoje.
Ah se não ser é submissão ser é revolta.
Se a Dinamarca é para nós uma prisão
e Elsenor se tornou a capital da dor
ser é roubar à dor as próprias armas
e com elas vencer estes fantasmas
que andam à solta em Elsenor.
Manuel Alegre
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Filosofia do Terrorismo
Responda rápido: qual o grupo que mais sofre violência e discriminação no mundo? Se você respondeu os cristãos, acertou. E o fato mais alarmante é que a situação tem piorado; onde outrora cristãos e muçulmanos viviam em paz agora vigoram a intolerância e o terrorismo. No Oriente Médio a situação é extremamente grave. O êxodo de cristãos é maciço. Países com grande população cristã tradicional, como Líbano e Egito, têm virado palco de violência constante.
No Egito, particularmente, o fim do ano foi marcado pelos ataques a igrejas coptas (a principal Igreja do Egito, que se separou do ramo maior da Igreja no século V). O jornal Ahram publicou um editorial exaltado, no qual o autor, incrédulo quanto às mudanças de atitude islâmica que ele observa, acusa não só os fundamentalistas, mas também os moderados que, ainda que não partilhem das conclusões, aceitam passivamente as premissas do preconceito que alimenta o terrorismo, e os intelectuais que, embora deplorem a violência, não tomam atitude nenhuma. Resta saber, contudo, qual a “única opção” que o autor tem em mente; seria a resistência armada? O Papa Shenouda III (“Papa” é como o Patriarca de Alexandria – ou seja, o bispo supremo do país – é tradicionalmente chamado), num comunicado algo decepcionante, espera que a solução venha do governo e da lei que torna a todos iguais. Num momento em que as próprias instituições políticas refletem os preconceitos crescentes na sociedade, parece-me ingênuo; seus chamados à calma, à paz e ao diálogo são sensatos e justos, mas só funcionam se o adversário der um mínimo de valor à dignidade humana enquanto tal, o que não é o caso dos fundamentalistas. Por outro lado, mostrando que as palavras do Papa egípcio têm sabedoria, uma iniciativa muito positiva foi tomada por muçulmanos que se comprometeram a servir de escudos humanos nas igrejas para evitar futuros ataques. Isso eleva o cacife do jogo, pois a cada novo ataque tenderá a aumentar a rejeição da população muçulmana normal ao islamismo fundamentalista e político. Isso é o que se espera; na prática, até agora, o discurso fundamentalista tem encontrado mais e mais eco na maioria moderada.
Quais as causas desse crescimento da tensão religiosa? Há um fato observável: o islamismo de tipo salafi, ou fundamentalista (considera que a regra do Islã são as práticas das primeiras três gerações de fiéis; tudo o que veio depois deve ser recusado), tem crescido. Seu principal idealizador foi o sunita Abd-Al-Wahhab, fundador da detestável seita wahhabita. O maior incentivo institucional ao wahhabismo vem da monarquia saudita, que sempre aderiu a essa escola de pensamento, tendo até destruído lugares santos islâmicos (como a tumba do neto de Maomé e a de Fatima, uma de suas filhas) por supostamente incentivarem a idolatria. Que os EUA continuem a ter os Sauditas como aliados ao mesmo tempo em que levam adiante uma guerra ao terror é no mínimo embaraçoso. Mas é claro que o wahhabismo não é a única fonte do terrorismo. É só lembrarmos de Sayiid Qutb (Martin Amis nos introduz à vida e pensamento desse personagem singular, dentre muitas outras considerações sobre o Islã, o Ocidente e a religião em geral neste artigo de 2006), cujo pensamento revolucionário é uma da grande influência dos membros da Al Qaeda. Em comum todas têm o desejo de um Islã puro e sem acréscimos.
O Cristianismo também tem seu fundamentalismo, seu movimento de volta às raízes supostamente puras pré-institucionais, presente em alguns grupos protestantes. A diferença é que eles, por mais questionáveis que sejam suas crenças e atitudes, não estão explodindo ninguém. Há algo diferente no Islã.
Qual a causa espiritual mais profunda dessa facilidade para o fundamentalismo e a militância violenta (que existe em todas as religiões, mas aqui encontra condições mais propícias)? Algo da resposta pode ser econtrado aqui: The Closing of the Muslim Mind. Na opinião de Robert Reilly, o autor, o problema não é uma consciência revestida do sobrenatural (como argumentaria Martin Amis acima linkado), mas sim o tipo de sobrenatural do qual ela se reveste. O Islã já nos deu grandes mentes. A teologia racional, no entanto, bem como todo o ímpeto científico, foram condenados no berço; houve um período de conflito intelectual, assim como houve no Cristianismo (e a vitória, no Ocidente ao menos, foi para o lado que afirma o valor da razão), mas no final das contas a posição denominada asharita venceu. O que ela ensina? Tudo é vontade arbitrária de Deus e ponto final. Na filosofia da natureza, isso significa negação da causalidade; na ética, negação da lei natural. Na prática, sociedades miseráveis e homens-bomba. Ao homem cabe calar sua razão e se submeter; aniquilar tudo que não a fé. Isso coincide com o que viu e descreveu V.S. Naipaul na sua Wriston Lecture no Manhattan Institute em 1990.
Em dias normais sou um otimista e acredito no que há de sadio, tolerante e belo no Islã. Mas notícias como as atuais acentuam seus aspectos mais sombrios: o vazio interior, a violência, o totalitarismo do sagrado na vida do indivíduo. Resta saber se são aspectos contingentes ou necessários dessa que é a segunda maior religião do mundo e com a qual, querendo ou não, teremos de conviver.
"DICTA&CONTRADICTA (Revista brasileira)
No Egito, particularmente, o fim do ano foi marcado pelos ataques a igrejas coptas (a principal Igreja do Egito, que se separou do ramo maior da Igreja no século V). O jornal Ahram publicou um editorial exaltado, no qual o autor, incrédulo quanto às mudanças de atitude islâmica que ele observa, acusa não só os fundamentalistas, mas também os moderados que, ainda que não partilhem das conclusões, aceitam passivamente as premissas do preconceito que alimenta o terrorismo, e os intelectuais que, embora deplorem a violência, não tomam atitude nenhuma. Resta saber, contudo, qual a “única opção” que o autor tem em mente; seria a resistência armada? O Papa Shenouda III (“Papa” é como o Patriarca de Alexandria – ou seja, o bispo supremo do país – é tradicionalmente chamado), num comunicado algo decepcionante, espera que a solução venha do governo e da lei que torna a todos iguais. Num momento em que as próprias instituições políticas refletem os preconceitos crescentes na sociedade, parece-me ingênuo; seus chamados à calma, à paz e ao diálogo são sensatos e justos, mas só funcionam se o adversário der um mínimo de valor à dignidade humana enquanto tal, o que não é o caso dos fundamentalistas. Por outro lado, mostrando que as palavras do Papa egípcio têm sabedoria, uma iniciativa muito positiva foi tomada por muçulmanos que se comprometeram a servir de escudos humanos nas igrejas para evitar futuros ataques. Isso eleva o cacife do jogo, pois a cada novo ataque tenderá a aumentar a rejeição da população muçulmana normal ao islamismo fundamentalista e político. Isso é o que se espera; na prática, até agora, o discurso fundamentalista tem encontrado mais e mais eco na maioria moderada.
Quais as causas desse crescimento da tensão religiosa? Há um fato observável: o islamismo de tipo salafi, ou fundamentalista (considera que a regra do Islã são as práticas das primeiras três gerações de fiéis; tudo o que veio depois deve ser recusado), tem crescido. Seu principal idealizador foi o sunita Abd-Al-Wahhab, fundador da detestável seita wahhabita. O maior incentivo institucional ao wahhabismo vem da monarquia saudita, que sempre aderiu a essa escola de pensamento, tendo até destruído lugares santos islâmicos (como a tumba do neto de Maomé e a de Fatima, uma de suas filhas) por supostamente incentivarem a idolatria. Que os EUA continuem a ter os Sauditas como aliados ao mesmo tempo em que levam adiante uma guerra ao terror é no mínimo embaraçoso. Mas é claro que o wahhabismo não é a única fonte do terrorismo. É só lembrarmos de Sayiid Qutb (Martin Amis nos introduz à vida e pensamento desse personagem singular, dentre muitas outras considerações sobre o Islã, o Ocidente e a religião em geral neste artigo de 2006), cujo pensamento revolucionário é uma da grande influência dos membros da Al Qaeda. Em comum todas têm o desejo de um Islã puro e sem acréscimos.
O Cristianismo também tem seu fundamentalismo, seu movimento de volta às raízes supostamente puras pré-institucionais, presente em alguns grupos protestantes. A diferença é que eles, por mais questionáveis que sejam suas crenças e atitudes, não estão explodindo ninguém. Há algo diferente no Islã.
Qual a causa espiritual mais profunda dessa facilidade para o fundamentalismo e a militância violenta (que existe em todas as religiões, mas aqui encontra condições mais propícias)? Algo da resposta pode ser econtrado aqui: The Closing of the Muslim Mind. Na opinião de Robert Reilly, o autor, o problema não é uma consciência revestida do sobrenatural (como argumentaria Martin Amis acima linkado), mas sim o tipo de sobrenatural do qual ela se reveste. O Islã já nos deu grandes mentes. A teologia racional, no entanto, bem como todo o ímpeto científico, foram condenados no berço; houve um período de conflito intelectual, assim como houve no Cristianismo (e a vitória, no Ocidente ao menos, foi para o lado que afirma o valor da razão), mas no final das contas a posição denominada asharita venceu. O que ela ensina? Tudo é vontade arbitrária de Deus e ponto final. Na filosofia da natureza, isso significa negação da causalidade; na ética, negação da lei natural. Na prática, sociedades miseráveis e homens-bomba. Ao homem cabe calar sua razão e se submeter; aniquilar tudo que não a fé. Isso coincide com o que viu e descreveu V.S. Naipaul na sua Wriston Lecture no Manhattan Institute em 1990.
Em dias normais sou um otimista e acredito no que há de sadio, tolerante e belo no Islã. Mas notícias como as atuais acentuam seus aspectos mais sombrios: o vazio interior, a violência, o totalitarismo do sagrado na vida do indivíduo. Resta saber se são aspectos contingentes ou necessários dessa que é a segunda maior religião do mundo e com a qual, querendo ou não, teremos de conviver.
"DICTA&CONTRADICTA (Revista brasileira)
Dashiell Hammett e Marcel Schwob
Dashiell Hammett : Cumpriram-se ontem 50 anos sobre a morte de Dashiell Hammett. Para quem leu O Falcão de Malta (adaptado ao cinema por John Huston, Relíquia Macabra, com Humphrey Bogart e Mary Astor), A Chave de Vidro ou Estranha Maldição, é evidente que Hammett está no pódio da «literatura policial». Sam Spade, o seu herói, é um personagem que não nos larga daí em diante; as suas descrições secas, melancólicas, revelam o coração de um grande escritor e de um temperamento solitário. Depois de Hammett, como depois de Chandler, o policial nunca mais foi inocente ou «divertido». Wim Wenders realizou um Hammett inspirado na sua vida (a partir de um romance de Joe Gores), belíssimo. Reler Dashiell Hammett é uma homenagem inspirada.
Vidas Imaginárias, por Marcel Schwob : Um livro para apaixonados pela literatura: "Vidas Imaginárias", de Marcel Schwob- biografias inventadas que situam a vida humana nos antípodas do bom comportamento e dos feitios anódinos.
Por Francisco José Viegas
Rating da Grécia cortado para lixo
A agência de notação financeira baixou o rating da dívida de longo prazo para junk (lixo).
A agência de notação internacional Fitch cortou hoje o rating da dívida de longo prazo da Grécia de 'BBB-' para 'BB+', ou 'junk' (lixo), anunciou hoje a entidade.
A agência de notação internacional Fitch cortou hoje o rating da dívida de longo prazo da Grécia de 'BBB-' para 'BB+', ou 'junk' (lixo), anunciou hoje a entidade.
Almunía: "Estou disposto a abrir o capital das empresas a países emergentes"
"Baixar salários é um tipo de competitividade que não é próprio de países europeus, disse Joaquín Almunía à entrada da audição da comissão parlamentar de Assuntos Económicos.
O comissário europeu da Concorrência defendeu esta manhã em Lisboa a importância do mercado europeu, mas sublinhou também a necessidade de tratar as economias emergentes com coerência. "Estou disposto a abrir o capital das empresas a países emergentes, como o Brasil ou a Índia, não tem de necessariamente de ser a China", disse Joaquim Almunía numa conferência organizada pelo Jornal de Negócios.
A mensagem vai ao encontro das contrapartidas exigidas pela China em troca da compra de dívida soberana no último leilão, avançadas hoje pelo Diário Notícia, e que sugerem a participação em bancos e empresas estratégias nacionais.
"Se ficamos muito contentes quando nos leilões de dívida pública aparece um comprador chinês ou japonês", alertou ainda Joaquim Almunía, citado pelo Diário Económico, "não devemos ter uma atitude proteccionista e defensiva perante a possibilidade de os mesmos investidores comprarem activos empresariais ou financeiros a investidores que não são europeus ou de países tradicionalmente industrializados. Há algumas vozes que se revelam contra essa possibilidade quando as suas próprias empresas vão aos países emergentes investir tudo o que podem e ganham tudo o que podem."
O responsável europeu sublinhou que "já não estamos num mundo em que um G7 ou G8 podem decidir tudo" e sublinhou que o euro é a força da Europa. "A crise financeira mundial teria sido muito pior se estivéssemos fora da Europa e do Euro." Entende, contudo, que o mecanismo europeu de resgate anticrise deve ser mais eficaz quando anuncia disponibilidade para intervir, "de forma a convencer os mercados que não vão ganhar a corrida".
Ao início da manhã, antes de ser recebido pelos deputados da comissão dedicada aos Assuntos Económicos, o comissário reiterou que baixar salários não deve ser uma solução a adoptar por nenhum país europeu.
"Baixar salários é um tipo de competitividade que não é próprio de países europeus, disse Joaquín Almunía à entrada da audição da comissão parlamentar de Assuntos Económicos.
O comissário defendeu ainda que Portugal tem de fazer melhor utilização dos seus recursos humanos e novas tecnologias e apostar numa política de consolidação fiscal para ultrapassar as dificuldades da economia.
In "jornal I" em 14.01.2011
Tripulação de navio dinamarquês sequestrada no Golfo de Aden
Um grupo de piratas sequestrou hoje a tripulação de um navio dinamarquês no Golfo de Aden, a cerca de mil quilómetros da costa da Somália, segundo forças navais que abordaram o navio citadas pela imprensa dinamarquesa.
A tripulação é constituída por quatro filipinos e dois dinamarqueses.
A tripulação é constituída por quatro filipinos e dois dinamarqueses.
Paul Krugman considera taxa de juro ruinosa
Paul Krugman considera "ruinosa" taxa de juro do leilão da dívida pública portuguesa
O Prémio Nobel da Economia, Paul Krugman, comentou na quarta-feira o leilão da dívida pública portuguesa, considerando a taxa de juro "ruinosa" e alertando que "mais sucessos [destes] e a periferia europeia será destruída".No seu comentário, Krugman afirma que "considerar um sucesso a capacidade de Portugal colocar obrigações a dez anos a uma taxa de juro de ‘apenas' 6,7% diz alguma coisa do profundo desespero da situação europeia".
O Nobel argumenta que, "se se pensar sobre a dinâmica da dívida, uma taxa de juro tão alta é pouco menos que ruinosa". Adianta, porém, que "não é, de facto, tão má como as pessoas estavam à espera na semana passada, daí o sucesso". Mas alerta: "Mais alguns sucessos e a periferia europeia será destruída."
Berlusconi suspeito de abuso de poder no caso da prostituta menor Ruby
A imprensa italiana noticia hoje que Silvio Berlusconi está a ser investigado por suspeita de abuso de poder na polémica que o envolve com uma prostituta menor.
O diário "Corriere Della Sera" adianta que a procuradoria de Milão está a averiguar suspeitas que apontam para crimes de extorsão e prostituição infantil. Berlusconi é acusado de ter usado a sua influência enquanto primeiro-ministro para tirar a jovem marroquina Karima El Mahroug, conhecida por Ruby, da prisão, convencendo os guardas de que a prostituta era familiar do presidente egípcio Hosni Mubarak. Berlusconi foi acusado de manter relações sexuais com a jovem, na altura com 17 anos, facto desmentido por ambos.
O caso veio pela primeira vez a público em Novembro.
Berlusconi foi hoje intimidado pela justiça italiana. Os seus advogados, Niccolò Ghedini e Pietro Longo, já consideraram a associação de Berlusconi a este caso "absurda e injustificada". Em nota enviada à imprensa italiana, também citada pelo "Corriere Della Sera" dizem que a tese já foi "amplamente refutada por todas as testemunhas e intervenientes."
Dizem ainda que este processo é uma "interferência grave" na vida privada do primeiro-ministro, "inédita na história da justiça do país."
Tunisia: Governo decreta estado de emergência
Polícia dispersa milhares de manifestantes com gás
O Exército tunisino assumiu o controlo do aeroporto internacional de Tunes, ao mesmo tempo que o espaço aéreo acaba de ser encerrado. Estes anúncios surgem pouco depois de o Presidente tunisino, Zine El Abidine Ben Ali, ter anunciado a demissão do seu Governo e o objectivo de marcar eleições legislativas antecipadas num prazo de seis meses. Esta intervenção, por seu turno, seguiu-se aos protestos que reuniram um número sem precedentes de pessoas no centro de Tunes para exigir a partida de Ben Ali.
Ben Ali falara aos tunisinos na quinta-feira à noite para anunciar que não se recandidata em 2014 e prometer reformas democráticas e o fim da censura. Disse também que as forças de segurança não disparariam nem mais uma bala contra os manifestantes que desde meados de Dezembro enchem diariamente as ruas de várias cidades com gritos contra o desemprego e o regime. Palavras que não foram suficientes para muitos tunisinos, que querem ver Ben Ali partir de imediato.
O Exército tunisino assumiu o controlo do aeroporto internacional de Tunes, ao mesmo tempo que o espaço aéreo acaba de ser encerrado. Estes anúncios surgem pouco depois de o Presidente tunisino, Zine El Abidine Ben Ali, ter anunciado a demissão do seu Governo e o objectivo de marcar eleições legislativas antecipadas num prazo de seis meses. Esta intervenção, por seu turno, seguiu-se aos protestos que reuniram um número sem precedentes de pessoas no centro de Tunes para exigir a partida de Ben Ali.
Ben Ali falara aos tunisinos na quinta-feira à noite para anunciar que não se recandidata em 2014 e prometer reformas democráticas e o fim da censura. Disse também que as forças de segurança não disparariam nem mais uma bala contra os manifestantes que desde meados de Dezembro enchem diariamente as ruas de várias cidades com gritos contra o desemprego e o regime. Palavras que não foram suficientes para muitos tunisinos, que querem ver Ben Ali partir de imediato.
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