Trópico de Capricórnio

É a linha geográfica imaginária situada abaixo do Equador. Fica localizada a 23º 26' 27'' de Latitude Sul. Atravessa três continentes, onze países e três grandes oceanos.


domingo, 11 de julho de 2010

"Esganada no puleiro" por AG Marinho

Aberta e liberada usava um fio dental tão sumário que mal encobria uma das trinta e seis reentrâncias do fiofó. Largada do marido seis meses após um casamento festivo, Carla Coliine, 20 anos, era um escândalo de deliciosa e a chuleta mais desejada pelos churrasqueiros de praia. Seminua, só para provocar desfilava à milanesa pela orla, com o número do telefone tatuado na bunda. De um lado o convencional, do outro o celular, com DDD e tudo.

O apartamento para encontros, em Itaúna, tinha uma inscrição na porta, “mom perchoir” (meu puleiro), em francês, isto porque, segundo testemunhas e frequentadores, durante o ato libidinoso gostava de ser chamada de franga de granja, inquilina de galinheiro, de fazer sexo com a cama coberta de ração para galinha e de ser surrada com espigas de milho. Para completar tomava cerveja cacarejando.
Na opinião da polícia, um corpo desovado às margens da Rodovia Amaral Peixoto seria de Carla, que teria morrido esganada no Rio de Janeiro, tendo como principal suspeito o seu ex-marido, o italiano D’LaFrancesca, que está sendo acusado de ter assinado o bilhete que foi encontrado colado no peito da vítima com os seguintes dizeres: “façam uma boa canja”.

Publicado no jornal brasileiro "O Saqua" na coluna de AG Marinho ( pseudónimo de Nelson Rodrigues, jornalista e dramaturgo brasileiro) em 1.07.2010

Devemos rezar por Christopher Hitchens?

Semana passada soube-se que Christopher Hitchens, o famoso polemista que xingou Madre Teresa e disse que Deus não é tão grande assim, foi diagnosticado com um câncer no esôfago.
Como diria Conrado Soprano nesses momentos, foi surpreendido pelo big cassino.
Ou não: depois de anos gabando-se de suas bebedeiras, suas carreiras de cocaínas e seus experimentos em waterboarding, alguma coisa tinha de acontecer.
Mas isso é um pensamento vulgar para nos acomodar e – pior – nos confortar para algo que pode acontecer a qualquer um de nós.
Um dos colegas de Hitchens na revista The Atlantic, Jeffrey Goldberg, faz a impertinente pergunta aos seus leitores mais crentes: Devemos rezar por Christopher?
Antes que os leitores carolas da Dicta resmunguem, este humilde escriba não hesita e diz que a resposta é sim.
Contudo, o texto de Goldberg, leve, ameno, com pitadas de ironias salpicadas até para o próprio doente, mostra sem saber um problema mais profundo: o fato de que, quando alguém se depara com a indesejada, não há outra maneira de enfrentá-la exceto… rezando. Mas para quem?
O detalhe dessa história é que quem se encontrou com a dita-cuja é um intelectual – e quando isso acontece com um, afeta todos os outros.
Afinal, o raciocínio é o seguinte: se aconteceu com ele, um sujeito que se vendia como alguém “bigger than life”, pode muito bem acontecer comigo.
Mas não era um intelectual qualquer. Era um intelectual que negava a possibilidade de qualquer perspectiva metafísica na vida cotidiana.
Logo, quando se está no portão da agonia, a quem apelar? A Deus, este conceito estranho que abarca algo que ninguém na História conseguiu entender direito? Aos deuses da medicina? Aos átomos de Epicuro? Ao Johnny Walker? Não, o intelectual se mantém fechado em sua auto-suficiência e apela para a ironia, para as seitas do Aloha-ei (se não entendeu a referência, leia o texto…) e, no fim, tudo isso se revela como disfarce para esconder a hubris.
O que é algo sintomático da nossa cultura. Se todos rezam por alguma coisa, quem será que vai te atender?
Devemos rezar por Christopher Hitchens? Sim, é óbvio. Mas creio que, antes de tudo, é melhor ter alguém para nos escutar (e, claro, escutá-lo).

In "Dicta & Contradicta" (Blog)

Picadura fatal

Caminhoneiro estradeiro, Roberto, 37 anos, adorava tomar banho pelado na praia de Vilatur. Arreganhado na areia, levou uma picadura de inseto na dobra da curva bunda. Três dias depois o local era só inchaço, dor, coceira e um buraco inflado meio fedido. Remédio caseiro não deu certo. Então resolveu consultar o vizinho rezador, que tinha fama de boiola. O diagnóstico foi imediato: “bicheira de vaca”. Na receita o local teria que ser coberto durante oito horas, com um emplasto de pomada com unguento langanhoso de beladona, antes da retirada das larvas.

Na delegacia, Eloneide, mulher do caminhoneiro, que mora e trabalha no Rio como guarda de segurança armada e que de nada sabia sobre o acontecido, disse que quando chegou à casa de Vilatur, encontrou Roberto na sua cama, nu, de bruços, gemendo com um homem de short e sem camisa, ajoelhado em cima, fazendo cara de tesão e amassando a bunda do seu marido. Antes de tomar dois tiros no fêmur, Jujuba rezador complicou a coisa ao dizer que estava apenas “espremendo a picadura do vizinho”. Os outros quatro balaços atingiram os pulmões de Roberto, que morreu no local com a bunda cheia de bernes. O Saquá

O caso a narrado é uma história real e faz parte da coluna de polícia de AG Marinho do jornal O Saquá de julho de 2010. Marinho é o nosso Nelson Rodrigues e sua coluna é a de maior sucesso no jornal e no site.

Publicado no Blogue Ephemera by Lia Caldas em 5.10.2010

Os anticorpos que podem acabar com o HIV

A imagem mostra a estrutura atômica do anticorpo VRC01 (azul e verde) se ligando ao HIV (cinza e vermelho). O local no vírus em que estão conectados (em vermelho) é onde normalmente o HIV se conecta ao CD4.
Aos 25 anos da descoberta do coquetel contra a Aids, cientistas revelam que três anticorpos pouco conhecidos podem ser a luz para uma vacina de bom desempenho na prevenção da doença.
O ano de 2010 marca os 25 anos da descoberta de drogas anti-retrovirais e as pesquisas que adviram dela. Na edição da Science desta quinta-feira há um especial sobre HIV/Aids e estudos em busca de uma possível cura. A descoberta de novos e potentes anticorpos talvez seja o principal deles. Um grupo de cientistas acaba de identificar três anticorpos naturais e até então desconhecidos que foram capazes de blindar e neutralizar mais de 90% de uma amostra de HIV-1, que abrange os principais subtipos genéticos do vírus.

Segundos os pesquisadores, estes anticorpos, que são encontrados no soro de muitas pessoas infectadas (ainda que pouco conhecidos pela comunidade científica), podem ajudar na concepção de uma nova vacina. Ela seria capaz de estimular o sistema imunológico a produzir mais destes anticorpos, o que poderia por fim à doença.
Xueling Wu e um time que reúne pesquisadores dos Estados Unidos e da Dinamarca já sabiam que grande parte dos anticorpos neutralizantes são específicos para a proteína do invólucro do HIV. Estes anticorpos normalmente se ligam ao alvo do HIV na superfície dos linfócitos t-CD4, os tipos atacados pelo vírus, e impedem a ação do vírus. Por isso os cientistas quiseram investigar como funcionam esses anticorpos naturais. Eles isolaram os linfócitos B, que os produzem, e identificaram três potentes neutralizadores da ação do HVI-1.
Em um artigo separado, outro grupo de pesquisadores analisou a estrutura cristalina de um desses anticorpos recém-identificados, o VRC01. Eles disseram que o VRC01 imita parcialmente a interação do CD4 com as proteínas do invólucro viral, e que ele se orienta sozinho para se fixar a uma área do vírus. Se o HIV está preso ao VRC01, sua ação sobre o CD4 é bloqueada. Dessa maneira, o anticorpo VRC01 é capaz de neutralizar o vírus e interromper a propagação da doença. Os dois grupos consideram, ainda, que novas descobertas sobre estes anticorpos podem ajudar na criação de uma vacina realmente eficaz contra o HIV.
Mais de 33 milhões de pessoas no mundo são soro positivo para o HIV e pelo menos 2,7 milhões são infectadas todos os anos. Apesar da expansão do tratamento nos países em desenvolvimento, menos de um a cada oito pacientes infectados tem acesso à terapia com anti-retrovirais; e muitos não têm acesso a medidas preventivas que poderiam ajudar a diminuir a propagação da doeno vírus. Entre 18 e 23 de julho, cerca de 20 mil pesquisadores de HIV/AIDS estarão reunidos na capital da Áustria, Viena, para a 18ª Conferência Internacional sobre AIDS, onde terão a oportunidade de encurtar a distância entre cientistas e administradores públicos do mundo todo.

Revista Época (Brasil)

EUA BP inicia operação para substituir tampa do poço rebentado no Golfo do México

A BP começou hoje a tarefa de instalar uma nova tampa no poço do Golfo do México que continua a libertar crude, numa tentativa de canalizar o petróleo para os navios de recolha à superfície.
A esperança da petrolífera é que se consiga retirar a actual tampa e instalar uma nova estrutura, semelhante a um funil invertido, e com melhor ajuste.
No decorrer da operação de substituição e instalação da nova tampa, o crude, que flui continuamente do poço, vai sair de forma mais livre, mas se tudo correr bem - estimam os especialistas - as emissões poderão estar mais contidas já na próxima semana.
Para isso a nova tampa terá de trabalhar em conjunto com os navios de recolha à superfície, cerca de 1.600 metros acima da saída do poço.
A saída do poço acidentada estava hoje à tarde a ser vistoriada por submarinos-robot.
«Nos próximos quatro a sete dias, dependendo de como as coisas vão correr, deveremos ter a tampa instalada. É o nosso plano», disse Kent Wells, vice-presidente sénior da BP.
Esta será apenas mais uma solução temporária para a catástrofe ecológica desencadeada com a explosão numa plataforma de exploração de petróleo no Golfo do México, há quase 12 semanas.
O poço não ficará ainda selado. Quando a actual tampa for removida, o crude vai fluir livremente para a água durante 48 horas, o tempo suficiente para se libertarem 19 milhões de litros.
Só passado este tempo a operação de colocação da nova tampa estará concluída e as emissões estarem contidas.
«Eu uso a palavra contido», declarou o almirante da Guarda Costeira na reserva Thad Allen, o homem forte da administração Obama para a crise do Golfo.
«A palavra 'Stop' só será usada quando pusermos uma rolha no poço» a maior profundidade.
Pode demorar ainda outra semana até se perceber se a nova tampa está a conter a maioria das emissões, declarou o capitão James McPherson, da Guarda Costeira dos Estados Unidos.
Os trabalhadores estão a aproveitar este fim de semana por tratar-se de uma janela de oportunidade de bom tempo, depois de semanas de atrasos devido às más condições do mar.
A tampa que está em uso foi instalada a 4 de Junho e teve de ser colocada em cima de uma secção afiada do tubo do poço, o que permite que algum crude se escape.
Actualmente estão a ser recuperados cerca de 25 mil barris por dia, dos 35 mil a 60 mil que saem do fundo do oceano, desde 22 de Abril, após a explosão e subsequente afundamento da plataforma Deepwater Horizon, que provocou a pior catástrofe ecológica na história dos Estados Unidos.
Na quinta feira, a BP declarou que os poços de derivação que se prepara para furar, de forma a acabar definitivamente com a fuga, poderiam dar resultados a partir de 27 de Julho.
Lusa / SOL
 

Libertação dos detidos vista como uma mensagem à UE e aos EUA

                           "Regime de Havana "procura soluções para problemas socioeconómicos"

Após várias semanas de mediação da Igreja Católica em Cuba e da visita a Havana do chefe da diplomacia espanhola Miguel Ángel Moratinos, a libertação dos dissidentes cubanos está a ser encarada como um sinal de abertura enviado aos EUA e à União Europeia. Moratinos falou mesmo de uma "nova etapa" de que se deve "tomar nota".
A UE, a pedido de Espanha, já tinha adiado para Setembro uma decisão sobre a "posição comum", aprovada em 1996, que limita o diálogo com Cuba à questão dos direitos humanos. "Não é inocente que este anúncio tenha ocorrido durante a visita de Moratinos que, em Outubro de 2009, foi a Cuba com uma mensagem do presidente norte-americano, Barack Obama," em que era feito um apelo a mudanças, disse à AFP um diplomata ocidental.
"Esta é uma mensagem enviada à Europa, aos EUA e a todos os que, mesmo no seio do regime, reclamam uma mudança, uma liberalização", disse também o economista e ex-prisioneiro cubano Óscar Espinosa.
Outra das razões para esta libertação é que o regime de Raúl Castro "procura soluções para problemas socioeconómicos", sublinhou a jornalista ligada à oposição cubana Miriam Leiva. Raúl Castro tinha dito que não cederia a chantagens dos europeus e norte-americanos, "mas a situação económica do país fê-lo mudar de ideias", sublinha Espinosa.
Carlos Saladrigas, responsável do Cuban Study Group, grupo de empresários americanos e cubanos, disse à Reuters que "a grande lição deste anúncio é que a sociedade civil pode fazer a diferença". Pede o aumento dos contactos com Havana e o alívio do embargo dos EUA. "Se Cuba muda, não podemos ficar paralisados". I.G.S.

    Cuba liberta 52 presos políticos

    O Governo cubano libertou ontem três dos 52 prisioneiros políticos que tinha anunciado libertar na quinta-feira. A decisão foi feita entre a Igreja Católica do país e Raúl Castro depois do dissidente político Guillermo Fariñas fazer uma greve de fome de 153 dias.
    As famílias dos três presos anunciaram a libertação ontem à AFP. O local onde estão é desconhecido, os activistas fazem parte de um grupo de 17 presos que quer ir para a Espanha.
    Se tudo correr bem, os restantes 49 prisioneiros serão libertados no próximo mês, tornando esta a mais importante libertação desde a tomada de posse do irmão de Fidel Castro em 2008.
    Todos os 52 prisioneiros faziam parte de 75 dissidentes que foram presos durante a Primavera Negra de 2003. Foram condenados a penas entre os seis e 28 anos.
    Ontem, o arcebispo de Havana, cardeal Jaime Ortega, afirmou num comunicado que cinco detidos iriam “partir em breve para a Espanha”, como parte da “continuação do processo de libertação de prisioneiros”. A probabilidade destas libertações fora anunciada há dias, depois de conversações do cardeal Ortega com o Presidente Raúl Castro.

    LeBron James deixa os Cleveland Cavaliers para os Miami Heat


    "We Are Lebron" Ohio Campaign To Keep Lebron James from BlackSportsOnline on Vimeo.

    quinta-feira, 1 de julho de 2010

    A imprensa americana

    A Al Qaeda lança a sua primeira revista em lingua inglesa

    Ao mesmo tempo que os EUA se empenham para influenciar a opinião sobre a Al Qaeda no estrangeiro,na Peninsula Arábica a Al Qaeda publica a sua primeira revista de propaganda em lingua inglesa.Chama-se "Inspire" e fontes oficiais nos EUA dizem que é autentica.
    "Inspire" inclui  uma "message to the people of Yemen"  de Ayman Al-Zawahari, segundo no comando da Al Qaeda, uma menssagem  de Osama Bin Laden onde diz  "how to save the earth," e inclui na capa imagens de Anwar Al-Awlaki, o clérigo americano que se acredita estar directamente relacionado com a tentativa de destruição de um aeroplano em Detroit por Umar Farouk Abdulmutallab no dia de Natal.

    Eis a primeira revista em lingua inglesa da Al Qaeda

    Amsterdan Osdorp


    Amsterdam Osdorp from The QBF on Vimeo.
    O livro A metamorfose de Osdorp foi publicado para mostrar os destaques arquitetônicos da reestruturação, que durou 20 anos, desse distrito de Amsterdan. Para completar, a agência PlusOne foi convidada para criar um vídeo intrigante.

    A Cãmara dos Representantes dos EUA aprova a reforma financeira

    A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou na quarta feira a versão final da vasta reforma do sistema de regulação financeira, com a presidente, a democrata Nancy Pelosi, a dizer que "a festa acabou" para Wall Street.
    A reforma financeira foi aprovada com 237 votos favoráveis e 192 contra e é considerada a maior desde os anos 30.
    O presidente norte-americano, Barack Obama, reafirmou na quarta feira, ao discursar em Racine, no Estado do Wisconsin, no norte, que o texto ia "impedir uma crise" como a de 2007-2009. "É uma reforma que vai proteger a nossa economia da imprudência e da irresponsabilidade de alguns", afirmou.

    sexta-feira, 25 de junho de 2010

    McChrystal out Petraeus in


    Por ter proferido declarações injuriosas contra o seu "team" na Casa Branca à revista norte americana "Rolling Stone", a administração americana, (que o nomeou para assumir o comando das tropas no Afganistão) e por ter chamado "bananas" aos seus colegas de equipe e entrando em choque com o vice-pres. Joe Biden, o Pres.Barack Obama aceitou a renuncia do Gen.McChrystal.Para o seu lugar é nomeado o Gen. David Petraeus, o cérebro da estratégia para o Iraque.

    segunda-feira, 21 de junho de 2010

    Ted Talks apresenta Jay Walker


    Este primeiro vídeo é uma palestra do TED Talks, apresentada por Jay Walker. Jay é um gênio. Foi apontado pela TIME por duas vezes, como um dos 50 líderes mais influentes da era digital. Ele é dono de mais de 200 patentes importante. Suas empresas, do grupo Walker Digital, atende milhões de pessoas e vale bilhões de dólares. Mais do que empresário, ele é um colecionar e um bibliófilo e é dono da biblioteca particular mais maravilhosa de todo o mundo, curada por ele mesmo: a Biblioteca da Imaginação Humana, que recolhe o que há de mais importante em cinco mil anos de civilização.

    Na Conferência TED de 2008, Jay Walker emprestou objetos e artefatos únicos para decorar o cenário, incluindo um satélite artificial Sputnik original e a Bíblia de Gutenberg. Assista agora e continue depois. A palestra está traduzida em 14 línguas, inclusive Português (nas legendas) e seu conteúdo é surpreendente, não perca por nada no mundo.

    Experience The Walker Library of Human Imagination

    É Hexa?

    A vingança do Vaticano

                                           
                                      Intolerância

    O selvagem ataque do Osservatore Romano a José Saramago, no dia seguinte à sua morte, mostra que o Vaticano continua a ter uma leitura puramente ideológica da literatura, esquecendo que Saramago, independentemente das suas ideias e convicções, é o grande escritor que é pela qualidade da sua escrita, pela mestria da sua linguagem e pela sua criatividade ficcional. E mostra igualmente que o Vaticano continua tão intolerante com os não crentes como sempre foi, como se o humanismo fosse um monopólio religioso. Não podendo já mandá-los para a fogueira da Inquisição, não poupa porém no ódio nem no rancor.
    Se o Vaticano julga que desse modo pode apoucar postumamente o escritor, engana-se. Pelo contrário, há ataques que engrandecem.

    Vital Moreira
    Publicado no Blog "Causa Nossa" em 20.06.2010

    domingo, 20 de junho de 2010

    Pres. Obama got an ass to kick

    Tony Hayward CEO da BP     
                                                              
    Não existe algum CEO ou figura similar, que tenha sido tão consistentemente e inacreditavelmente auto-destrutivo como Hayward, especialmente neste mês passado. A sua imagem de um jovem promissor e flamejante foi completamente arrasada. Esse lindo sonho foi há apenas quatro anos. Se alguém tiver um candidato para um desempenho público pior do que Hayward, avise.

    sábado, 19 de junho de 2010

    José Saramago

    A escrita de José Saramago transportava-nos através de uma viagem mágica onde as estórias fantásticas e as metáforas inesperadas faziam-nos pensar profundamente sobre o sentido e a verdade que imprimimos às nossas existencias.
    José Saramago era um homem de um pensamento forte e marcante, cujas idéias jorravam em abundancia para um texto lucido e hipercriativo, caminhando por uma escrita singular, personalizada e imaginativa.
    As polémicas de Saramago com a Igreja Católica são a expressão verdadeira e sincera de um homem inconformado, para quem não bastava engolir certos e determinados pensamentos dados como verdades absolutas e unicas, "empacotados" para consumo de uma vasta legião de crentes,que convivem confortáveis, instalados nos dogmas católicos, difundindo a idéia de uma matriz cultural que devemos preservar e que serve apenas para perpetuar um conservadorismo de pensamento unico, de totalitarismo e de "diktat" religioso.Saramago não trilhava estes caminhos e durante muito tempo sofreu o isolamento, imposto pela moral de extracção fascista dessa época.
    Para José Saramago o mundo poderia ser substancialmente melhor e é essa a verdade que perpassa em toda a sua obra.
    Obrigado, D. José, pelos bons e grandiosos momentos magicos que nos ofereceste.

    José Luis Ferreira

    terça-feira, 15 de junho de 2010

    Ferreira Gullar

                          
                           Convocado pela poesia

    Em entrevista à revista cultural Dicta&Contradicta, o poeta Ferreira Gullar, prêmio Camões deste ano, fala de seu processo de criação e de seus anos de engajamento – e desilusão – na política

                            Criação poética

    O poema não tem plano. Escrevo meio cego. É uma descoberta passo a passo, algo que vai sendo revelado a mim mesmo a cada momento. Eu nunca presto atenção no modo como construo um poema. O poema, para mim, é a grande aventura de como fazer. Costumo dizer em palestras para estudantes que, quando vou escrever um poema, a página está em branco, e isso significa que todas as possibilidades estão abertas, são infinitas. No momento em que sorteio uma palavra, reduzo as possibilidades, o acaso é menor. Mas não sei o que vai acontecer.

                               A alegria da escrita

    O poema é cura, não doença. Escrevo para ser feliz, para me libertar do sofrimento, não para sofrer. É a alquimia da dor em alegria estética. Mesmo quando a coisa é doída, amarga, naquele momento a transformo no ouro que é o poema.

                                Engajamento

    Quando escrevi romances de cordel na época da ditadura, queria fazer mais subversão do que arte. Estava usando a minha poesia para fazer política. A preocupação principal era levar as pessoas a ter consciência dos problemas sociais, como a reforma agrária, as favelas, a desigualdade. Não havia uma preocupação estética. (…) Lembro-me de quando fomos, com o Centro Popular de Cultura, à favela da Praia do Pinto, para fazer um espetáculo, um auto antiamericano, anti-imperialista. Quando chegamos lá, todos os adultos foram embora, ficaram só as crianças ouvindo o Vianinha (o dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho) berrar contra o imperialismo. Olhava aquilo e ficava pensando: “O que é isso? Pregando o anti-imperialismo para menino de 5 anos na favela da Praia do Pinto?”. Isso foi a um mês do golpe de 1964. Comecei a perceber que a ideia de fazer arte com baixa qualidade só para atingir o povo era falsa.

                                Enganos da esquerda

    Vivi a experiência da União Soviética, em Moscou, e depois vivi o drama e a derrota do (presidente) Allende no Chile – eu estava lá quando ele foi derrubado. Tudo isso me levou a ter uma visão crítica em relação à revolução, em relação às coisas em que nós acreditávamos, aos procedimentos que adotávamos. Aprendi que a coisa era muito mais complexa do que imaginávamos. Sonhávamos em chegar ao poder – e então chegamos ao poder no Chile, com Salvador Allende. E aí? O que aconteceu? Houve uma grande confusão: as esquerdas não se entendiam. Os radicais queriam obrigar Allende a fazer o que não podia ser feito – o que ele sabia que não podia fazer, porque seria derrubado. No fim, foi a própria esquerda que causou a queda de Allende. Aquilo me deixou arrasado. Sacrifiquei minha vida, meus filhos, para me meter numa confusão dessas.

                                Comunismo

    Um professor meu de economia política marxista lá em Moscou me disse o seguinte: “Você sabe quanto tempo levou para que em Paris houvesse, todo dia, às 8 da manhã, croissant para todo mundo, leite para todo mundo, pão para todo mundo, café para todo mundo, e tudo saindo na hora? Alguns séculos”. A revolução desmonta uma coisa que os séculos criaram. Agora, o Partido resolve, e não vai ter café, não vai ter pão, leite, nada. Resultado? Trinta anos de fome na União Soviética. Você desmonta a vida! E havia outra porção de erros: afirmavam que quem faz a riqueza é o trabalhador. Mentira! O trabalhador também faz isso, mas, se não existe um Henry Ford, não existe a fábrica de automóvel e não vai ter emprego para você. Nem todo mundo pode ser Bill Gates, nem todo mundo pode inventar uma coisa. Marx está correto quando critica o capitalismo selvagem do século XIX. Quando propõe a sociedade futura, está completamente errado.

                                     Invenção da realidade

    Discordo quando dizem que a arte revela a realidade. Na verdade, a arte inventa a realidade. Afirmam que Shakespeare revelou a complexidade da alma humana; não, ele inventou a complexidade da alma humana. Nós vivemos no mundo da cultura. Quem vive na natureza é macaco e maçã. O índio já tem os mitos e já está dentro do mundo cultural dele, que foi inventado. A poesia é uma dessas criações, no terreno da fantasia, que existe porque a vida não basta. Eu escrevo para ser feliz, escrevo porque estou me inventando, para ser melhor do que sou.

                                         Incoerência

    Eu sou incoerente, e a minha obra é incoerente. A Luta Corporal é muito diferente da minha fase de poesia concreta. O livro seguinte a essa fase, Dentro da Noite Veloz, é diferente do próximo, e assim por diante. Não tenho a preocupação da coerência. Se há alguma, está na busca, que muda sempre, porque, enquanto vivo, critico, penso, repenso e invento as coisas que experimentei. Se você quer ser poeta, se quer fazer poesia, se sente dentro de si essa necessidade, deve se entregar a ela sempre com paixão, pois não se inventa a realidade de graça.

                      Publicado na Revista Veja (Brasil)

    Padre António Vieira

                                   
                               Deus guie a nau onde estes forem os pilotos

    Perguntou o Senhor, para que os senhores que mandam o Mundo se não desprezem de perguntar. Se pergunta a sabedoria divina, porque não perguntará a ignorância humana? Mas esse é o maior argumento de ser ignorância. Quem não pergunta, não quer saber; quem não quer saber, quer errar. Há porém ignorantes tão altivos, que se desprezam de perguntar, ou porque presumem que tudo sabem, ou porque se não presuma que lhes falta alguma cousa por saber. Deus guie a nau onde estes forem os pilotos.

    Padre António Vieira

    domingo, 13 de junho de 2010

    A crónica de Vicente Jorge Silva

                                          
                                  A tragicomédia das presidenciais (excertos)

    A margem de manobra de quem quer que venha a ser o próximo Presidente da República será muito mais estreita do que o é hoje – uma margem que se aproxima perigosamente do fio da navalha. É nessa medida que faz sentido questionar a ambiguidade do regime, a mistura de géneros, as meias-tintas e o laborioso jogo de equilibrismo institucional entre o Presidente, o Parlamento e o Governo.
    Não há soluções mágicas nem puras, entre o presidencialismo e o parlamentarismo. Mas o que agora parece insustentável é uma arquitectura constitucional que não assegura a plenitude das responsabilidades políticas aos principais poderes eleitos da democracia, dividindo-as e dissolvendo-as numa nebulosa que poderá ser trágica. A crise actual veio demonstrar que não faz sentido um Presidente eleito pelo povo mas preservado no limbo das responsabilidades executivas, assim como um Parlamento que abdica dos seus poderes para designar um Presidente cuja função – como na Alemanha ou na Itália – é essencialmente cerimonial.
    Não foi decerto por acaso que este dilema trágico, que quase ninguém discute, degenerou numa comédia com expressões grotescas, quer à esquerda, quer à direita.
    Questionou-se a candidatura de Alegre sem se proporem alternativas com nomes e caras visíveis – e sabe-se até que ponto a mesquinhez dos rancores pessoais se fez sentir no PS. Mas a feira de vaidades da direita revelou-se ainda mais penosa, com alguns figurões a porem-se em bicos de pés e fazerem-se desejados para uma candidatura que recusam assumir.
    Que o desagrado com Cavaco por causa do casamento gay tenha proporcionado estes números lamentáveis e hipócritas – em que certas personagens de costumes libérrimos apareceram como supremos guardiões dos valores sacrossantos da família – é imensamente revelador da importância que se atribui às eleições e às funções presidenciais, tornando-as mesmo um pretexto anedótico de diversão… sexual.

    Vicente Jorge Silva ( 11 Junho 2010 )

    sexta-feira, 11 de junho de 2010

    quarta-feira, 9 de junho de 2010

    Ferreira Gullar é o Prémio Camões 2010

                                 
                          Gullar aos 80 anos    
      O prémio, vem distinguir o poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, argumentista de teatro e televisão, memorialista e ensaísta brasileiro.
    Nascido em 1930, no Maranhão, Ferreira Gullar é o pseudónimo de José Ribamar Ferreira. Em Portugal a sua obra está publicada pelas Quasi Edições.Vencedor por duas vezes do Prémio Jabuti (1999 e 2007), Gullar foi ainda indicado ao Nobel em 2002.
    O Prémio Camões foi criado por Portugal e pelo Brasil em 1989 e é o maior prémio de prestígio da língua portuguesa. O objectivo é distinguir um escritor cuja obra contribua para a projecção e o reconhecimento da língua portuguesa.
    Com Gullar o número de escritores brasileiros galardoados passa a ser nove. O último escritor vencedor do Prémio Camões foi o cabo-verdiano Arménio Vieira (2009). Nos anos anteriores foram distinguidos o brasileiro João Ubaldo Ribeiro (2008) e o português António Lobo Antunes (2007)
    O júri revelou que o prémio foi disputado entre o autor brasileiro e a portuguesa Hélia Correia.
    Na primeira edição do prémio (em 1989), o escritor distinguido foi o português Miguel Torga.
             

    Ferreira Gullar na poesia

                     
                                  SUBVERSIVA
    A poesia
    Quando chega
    Não respeita nada.

    Nem pai nem mãe.
    Quando ela chega
    De qualquer de seus abismos
    Desconhece o Estado e a Sociedade Civil
    Infringe o Código de Águas
    Relincha

    Como puta
    Nova
    Em frente ao Palácio da Alvorada.

    E só depois
    Reconsidera: beija
    Nos olhos os que ganham mal
    Embala no colo
    Os que têm sede de felicidade
    E de justiça.

    E promete incendiar o país.

    Ferreira Gullar

    Candidatos ao Man Booker Prize 2009







    E a vencedora foi Hillary Mantel como monumental Wolf Hall.